And If we..?

Jogando os papéis velhos fora e quase se jogando junto.

Posted in 101 em 1001, Acontece, Drama, Madness, Psicoses by Amanda on Outubro 27, 2009

Da série ACA – Alguma Coisa Anônimos.

Oi, meu nome é Amanda e…

Eu sou uma pessoa muito ligada ao passado. Não importa mesmo que a minha caligrafia seja inclinada para a direita, eu sou um ser passado, no significado mais profundo da idéia. Tanto é que eu guardo praticamente tudo o que um dia foi: papéis de bombons, provas de matemática, boletins da quinta série – agora sexto ano #velhicefeelings -, cartões de aniversário, cadernos de respostas (Sabe aqueles que a gente fazia as perguntas e dava pra meio mundo de gente responder? Ah! Bons tempos!) e, vejam mesmo, até rancor. De fato eu sou mesmo um pessoa difícil de esquecer as coisas ruins que qualquer um fizer comigo. Mesmo que eu desculpe a pessoa, eu não consigo esquecer. Bem, certamente eu vou pro inferno TAMBÉM por isto. Porém, isso é assunto para outro post. Então visto o que já comentei vocÊs devem ter uma ligeira idéia de como foi doloroso para mim jogar os papéis velhos fora. Eu nem sei como consegui. Provavelmente baixou um caboclo organizador em mim que me fez não só jogar a papelada fora como não correr depois pro saco de lixo para catar tudo de volta. Na verdade, todas as vezes que tento arrumar esse papéis no sentido de me livrar da maioria, termino não em livrando de nada e só organizando os papéis. Isso na melhor das hipóteses, por que pode ocorrer calmamente d’eu desistir até de rganizar e ficar lá, só olhando determinada prova, ou determinado caderno, e me lembrando de todo o contexto, de toda a história. E aí, benhê, tome tempo. Muitas vezes eu começava à tarde e dava 20 horas e eu ainda não tinha terminado.

Só que dessa vez não foi assim. Eu explico: tinha aqui uma túia, para falar no idioma pernambuquês – para quem não sabe, provavelmente muita gente, uma túia pode ser substituído sem perda do sentido original por “um monte”, “uma grande quantidade de”, “um excesso de” etc – , de papéis da epóca que eu cantava lêlê-lêlê de domingo a domingo – leia-se escravidão de cursinho. Toda semana recebíamos quilos e quilos de fichas com os assuntos que íamos estudar na mesma e eu fui guardando, claro, por que estava estudando pro vestibular e podia precisar de uma ficha daquela a qualquer momento. Mas jurei pra mim mesma que, quando tudo acabasse, eu ia queimar todas, fazer uma fogueira bem bonita e comemorar minha aprovação assando mashmallows nela. Tudo bem, esquece a parte dos mashmallows. A verdade é que eu disse que ia me livrar dos ditos cujos e acabou o ano, eu passei no vestibular – hip! hip! hurra! – e a túia continuava lá, intacta. Claro que minha primeira desculpa, uma desculpa bastante razoável devo dizer, foi que a minha irmã ia fazer vestibular portanto eu não poderia ser tão do mal a ponto de jogar fora um material que certamente ia servir para ela. E aí a tonelada verde – é, as fichas são verdes em sua maioria – de celulose transformada se manteve firme e forte, quase estourando a super pasta que minha mãe arranjou para eu enfiá-las dentro. Só que, vê só: o método de avaliação da UFPE, que é a universidade que a minha irmã vai tentar, mudou, com esse negócio de ENEM e patatí,patatá. E aí, simples: minhas fichas não iam ser mais úteis para ela. E se não iam ser mais úteis, bem…O que elas estão fazendo ali?

Então, num belo dia de sol – não, na verdade estava bem nublado e abafado – , estava eu calmamente redigindo minha lista de 101 coisas para fazer em 1001 dias quando, PUFT!, me veio a lógica de enfiá-la na lista e assim, finalmente, tomar coragem para fazer a limpa naquela infinidade de papéis. Não vou dizer a vocês que foi fácil por que não é do meu feitio mentir. Ainda mais sem necessidade. Afinal, que necessidade eu tenho de que vocês achem que eu sou a mulehr maravilha quando eu não passo de uma Bella Swan? – uma versão bem ruinzinha, eu quero salientar. Não foi nem um pouco fácil.  Eu me lembrei de cada aula e de cada professor, quando abri os fichários – sim, os – para jogar a matéria fora. Cada célula do meu corpo gritava que era burrice e que alguém podia precisar daquilo em algum momento da minha vida, se não eu própria, e aí, HA, eu iria chorar lágrimas amargas. Mas aí o meu cérebro apenas olhou com tédio para o grupo choroso e disse: Que nada vey, Google serve para quê?, acabando obviamente com qualquer argumento válido que meu sentimentalóide sentimenlismo tivesse a capacidade de desenvolver. E acabou que eu joguei tudo no lixo. Joguei. Joguei legal. E não digo que me sinto mais livre nem essas leseras que as pessoas costumam dizer. Mas posso dizer que não senti nenhum remorso em enfiar a porquêras das fichas de Geografia bem enfiadinhas no lixo, aqueles demônios. E também meu quarto ficou muito mais organizado, o que por si só já é incrível. Então, é, foi bom e eu estou feliz de ter feito.

Ah! Essa é a hora que vocês falam: Thanks for sharing, Amanda!

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