Incursões às partes domésticas da vida, Parte I

Ou como eu vou contratar uma diarista, quando eu tiver dinheiro.

Lavar banheiro é algo medonho. Tudo bem, qualquer incursão a área denominada ‘serviços domésticos’ é extremamente problemática para mim, mas o banheiro, em especial, é algo que me causa arrepios. E, é claro, como NÃO poderia deixar de ser, essa é a minha tarefa em casa.

É claro que enrolo ao máximo e estico até o máximo a paciência materna, mas o fato é que algum dia eu tenho que entrar lá com esse intuito. O intuito de lavá-lo. E não é algo fácil lidar com um banheiro. Banheiro é um solo hostil. Claro que eu sou a pessoa mais corajosa da minha família, depois do meu pai. Mas ele é preguiçoso demais (leia-se, ele paga as contas, eu não. logo, ele pode ser preguiçoso, eu não.) para lavar o banheiro. Entretanto, mesmo com toda essa coragem, não banco a burra: deve haver uma complicada preliminar antes do ato de ingressar naquela hostilidade latente. Envolve basicamente Coca-cola e um pouco de televisão. Infelizmente, minha mãe não entende que essas preliminares são enssenciais para o bom desempenho da tarefa, então geralmente as preliminares são regadas a bastante ‘EU JÁ MANDEI VOCÊ SAIR DAÍ AMANDA!’. O que atrapalha bastante a minha concentração na minha preparação tão necessária. Depois de quase ter meus tímpanos estourados pela deliciosa cantilena maternal, levanto-me feliz e sorridente, pronta para a batalha banheiral. Ou não.

Adentro aquele solo de cerâmica, o rejunte preto. Minha mãe diz que a culpa é minha, já que o banheiro é meu, mas eu nunca vi rejunte branco funcionar em lugar nenhum. Além do quê, a sala não é minha e ele está preto lá também. Ouço gritos vindos da cozinha, oferecendo-me luvas. Grito de volta que não preciso, está tudo sobre controle. Vou pegar o banheiro pela garganta e estapeá-lo até a morte, HA.

Olho para canto do box. Criaturinhas verminosas mexem-se, desafiando-me. Pego a água sanitária e jogo nelas. Quem é a molenga agora, hein, hein, heeeeeeein?! Começo a esfregar as paredes e penso que fico muito sexy esfregando paredes de banheiro. Talvez devesse parar com esse negócio de ser jornalista e ganhar minha vida esfregando paredes. Iam me pagar muito mais pelo visual do que pelo resultado final, com certeza. Infelizmente, o visual não importa à minha mãe, já que vem olhar e manda eu esfregar mais embaixo. Lanço um olhar de fúria à ela e começo a cantar womanizer, woman, womanizer, oh, womanizer, oh, womanizer, oh, oh . Percebo que o vizinho que estava gritando música sertaneja debaixo do seu respectivo chuveiro, talvez notando a superioridade do meu canto em relação ao seu., pára com a sua  dor de barriga profunda. Mas é claro que, mesmo que, hipoteticamente, of course, meu canto não fosse melhor que o dele, Womanizer ainda é melhor do que ‘O cabelo no meu paletó’.

Depois da esfregação corajosa e difícil, começo a enxaguar o box e as paredes. Um jato d’água quase bate na lâmpada. Estremeço. O banheiro então queria me matar eletrocultada? Pois ele teria que tentar com mais vontade do que isso. HA! Passei à esfregação do chão, me sentindo a própria gata borralheira moderna. Esfregando perto do vaso sanitário, pisei em um local com excesso de espuma.  Caída de bunda no chão, resmunguei. As mães de hoje em dia não têm um pingo de instinto materno, se vocês querem saber. Como ela pode me deixar fazer algo tão arriscado!? Resolvi enxaguar tudo logo e adiar minha briga ferrenha para a próxima vez, já que hoje certamente eu não conseguiria nada com minha parte posterior dolorida. Mas não pense que você venceu, banheiro dos infernos. Eu voltarei. Infelizmente, devo acrescentar.

PS: Totalmente baseado em fatos reais. É, eu sou desastrada. É, lavar o banheiro é algo extremamente arriscado pra mim. É, espero que minha mãe leia isso.

Anúncios

8 thoughts on “Incursões às partes domésticas da vida, Parte I

  1. Ai Mandy, você é ótima, ficou muito engraçado! Me lembrou uma amiga que diz que lavar o banheiro é legal pq ela se sente extremamente superior em relação as bactérias que ela destrói impiedosamente com água sanitária. Minha mãe um dia inventou que eu teria que aprender a lavar o banheiro, mas a bagunça foi tão grande que ela acabou desistindo. Melhor assim.
    Meu calvário é lavar a louça, eita coisa que me consome de ódio.
    Beijoooones

  2. “Começo a esfregar as paredes e penso que fico muito sexy esfregando paredes de banheiro.” RAXEI nessa hora! HAHAHAHAHAHAHA.

    Você deveria gravar uma versão de Womanizer, em que ela limpa a casa com movimentos repetitivos, vai e volta, very sexy, oh oh, womanizer, oh oh, womanizer.

    Ah ia ser MARA!

    Miga, seu texto esta ótimo, pena ser baseado em fatos reais… mas isso a gente vai levando, certo? Beijo!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s