Síndrome do Patinho Feio.

Ou o quanto é bom não ser um patinho feio para todo o sempre.

Antes de mais nada eu quero deixar bem claro que nunca pensei em mim dessa forma. Nunca fui deprimida por isso nem nada, sabe. Eu nunca vi a mim mesma como um patinho feio, quando eu era menor, embora às vezes eu me sentisse um pouco deprimida pelas calças mega altas e com elástico atrás que a minha mãe me fazia vestir. Era meio que irritante ver algumas meninas com calças legais e eu como um pirralha (o que eu era, já que eu estava na quarta série, oi) vestindo calças com elástico, fala sério.
Mas isso sinceramente nunca fez diferença pra mim. Alguns meninos me zoavam, devido ao meu par de óculos TERRÍVEIS (acho que meus pais vão pro inferno por me fazerem usar aquilo, meldeus) que eu usava também, mas no fim sempre tinha alguém interessado em mim, o que apenas salvava o meu ego, pois eu era muito criança pra pensar em algo além de se deixar ser admirada (?) por alguém do sexo oposto. Só a palavra namorado já me deixava enojada.

A questão é que quando cheguei ao malfadado Ensino Fundamental II, vulgarmente conhecido como Ginásio, eu não era nem estrela nem o cocô do cavalo do bandido. Eu era alguém cinza. Nada que assustasse, mas nada que chamasse tanta atenção. Isso, é claro até os hormônios entrarem em ação. Os meus, é claro. Eu me desenvolvi com muito mais graça que muitas das minhas amigas, embora não me desse conta disso. Desenvolvi um corpo de mulher muito mais rápido do que aprendi a fazer as sobrancelhas. Não creio que isso seja um ponto negativo, afinal me fez ficar mais na minha e não virar uma galinha indomável. Continuo com meu preconceito irritante pela vida das aves, de rapina ou não, obrigado. Um amigo meu insistiu que provavelmente o fato d’eu não ter me tornado uma grande ‘pegadora’, como ele gosta de dizer, apesar d’eu ser muito gostosa, como ele irritantemente gosta de apontar, é eu ter uma certa síndrome de patinho feio.
A síndrome do patinho feio, segundo o mesmo, consiste numa bestificação, pelo que eu notei. Você não tem noção do quanto você chama atenção. É mais ou menos uma mania de grandeza ao contrário. Não que eu me achasse uma merda. Mas, entendam, eu não tinha (nem tenho, segundo ele) noção do quanto eu posso fazer cabeças virarem. Eu meio que esnobei ele por vir me dizer isso. Será que não se pode confiar mais em ninguém que a pessoa já vem com flertes para cima de você? E ainda mais um flerte psicanalítico? Porém vi, essa semana, que a tese do tal metido a psicanalista não é realmente tão louca quanto eu pensava que era.

Estava eu andando muito distraída pela rua quando ouço uma voz gritar animada: ‘Perdida por aqui é?’ Levei aqueles cinco segundos habituais para me virar na direção da voz, nos quais eu decido se: a) a pessoa está realmente falando comigo. b) a voz tem algum resquício de maldade/más intenções, pro caso de ser necessário correr. c) é a voz de alguém conhecido. d) se esse alguém conhecido é realmente alguém que eu queira falar, pro caso de minha intenção ser andar no extremo oposto do interlocutor. Na verdade, eu meio que reconheci a voz, mas não consegui decodificar de quem era, então a curiosidade me movimentou, basicamente. E dei de cara com aquele. Aquele, sabe? Que ficou com aquela quenga, em vez de ficar com a mamãezinha aqui. Belíssima história. A menina era supostamente minha amiga. Eu estava bem interessada no carinha. Mas, aparentemente, ele não, por quê ficou com a suposta amiga em vez de comigo. E, o pior, ainda veio cheio de papinhos do tipo ‘não fique chateada’ e talz. Como se eu fosse ficar, orgulhosa que sou, sabendo que ele tinha escolhido aquela galinha ao invés de mim. Só desejei um bom Herpes Bucal pra ele e fim, não pensei mais no assunto. Só que ali estava ele. Irritantemente bronzeado e com a cara mais feliz. Depois de séculos luz. Não poderia ser por acaso né?
– Ah, cara, e aí? – falei, com uma despreocupação genuína, dando os dois beijinhos no rosto habituais. Sendo que eu teria total pulado essa parte. Vai que ele pegou mesmo a Herpes que eu desejei? E vai que pega pela bochecha?
– E aí? Passou no vestibular, não foi? – falou ele, olhando sorridente pro meu band-aid, depois de me cumprimentar. Continuou segurando meu ombros. Argh.
– Sim, em Jornalismo, na UFPE. – falei, um pouco orgulhosa, admito.
– Ah, eu estou fazendo Administração numa particular. – ele disse, sorridente. Qual o problema dele, afinal, que não parava de ficar rindo? Eu não ouvi nenhuma piada, eu hein. E por que é que ele não soltava meus ombros?
– Ah, legal. – respondi, observando ele me secar enquanto eu respondia. Ok, secação agora? Querido, está um pouco tarde pra isso não? Sabe, tudo bem que supostamente eu meio que tenho/tinha um olhar meio torto pra mim mesma que não me deixa utilizar todo o meu potencial feminino, mas acho que mesmo que eu me sentisse lisonjeada de ter você olhando para mim (que foi exatamente o que eu senti, afinal, quem não gosta de sentir-se desejada?), meu coração pertence TOTAL a outro. Muito melhor que você, diga-se apenas de passagem.
– É, lá é legal. – ele falou, sorrindo e olhando pra mim. Não foi uma boa idéia o pedacinho de barriga de fora, mas e eu sabia que ia encontrar um fantasma do passado? E qual o problema dele? Achou que eu ia, o quê, ficar um suposto ‘patinho feio’, ou descuidado, o que seja, pro resto da minha vida? Eu acho que, um dia, as pessoas evoluem. Ou se dão conta de que, na verdade, não são tão horríveis assim.
– Er, que bom. Eu tenho que ir, só estava autenticando uns documentos para a matrícula da Federal. Mande um beijo pro seu irmão, ok? – falei, acenando enquanto me preparava para dar no pé. Fantasmas do passado não são mais confiáveis que fantasmas do presente.
– Hm, tá bem. – falou ele, meio embasbacado, meio deprimido. Se bem que as sobrancelhas dele sempre dão a impressão que ele está prestes a chorar, não sei bem explicar. Só lamento por ele, meu bem. Por que, quanto a mim, vou bem, obrigada, e muito bem acompanhada.

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22 thoughts on “Síndrome do Patinho Feio.

  1. Vai que ele pegou mesmo a Herpes que eu desejei? E vai que pega pela bochecha?

    EU RI MUITO MUITO ALTO!!!! Ai que esnobadinha gostosa. É tão bom dar uma pisadinha e sair por cima. Eu sei bem como é essa história. Do dia pra noite, pluft!, apareceu um par de peitos em mim. Daí chama mais a atenção, neguinho começa a te olhar com outros olhos… Mas aí fia, aí ce num quer mais saber. Azar o deles. Há mais pra se olhar do que um corpão. Imbecil!

  2. Oie Amanda..

    Não se a intenção era fazer rir, mas que eu ri pra caramba eu ri!..rsrs

    Eu tive essa sindrome tbm, e sabia que eu me achava o patinho feio perto das minhas lindissimas amigas, mas com o tempo eu me descobri e percebi que hj eu nem ligo mais pra isso “casei”..rsrs.

    Mas que eu fiz uns “Me olha de novo!”.. “baba baby”… ahh eu fiz!..rsrs

    Bjitos.. ótima semana a ti!

  3. Eu me considero uma “feia conformada” HAUHAUHAU. Minhas amigas são muito mais bonitas que eu, mas tudo bem. Se eu não nasci pra ser linda eu posso ter alguma outra grande qualidade para compensar, né?
    O fato é que eu me mateei de rir com o seu post! Bem feito pra esse cara, e eu queria ter visto a cara dele depois disso, há.
    Beijos :*

  4. Ah, não tem motivo pra vc ficar com raiva dele, vai… Acontece… Às vezes as pessoas preferem as nossas amigas a nós, normal… Qto à síndrome do patinho feio, eu tb já tive, na adolescência… Sempre fui gostosa, mas não tinha atitude. Coisas que a gente aprende quando cresce… :)) Bjs

  5. Já ouviu falar de popularidade involuntária? Você não faz nada, mas todo mundo quer ser seu amigo? Não sei porque, eu tinha isso, talvez por eu ser educadinha com todo mundo. No primário tinha um monte de menino que mandava cartinha pra mim no dia dos namorados mas anonimo, hahaha. Quando entrei no ginário eu mudei de escola e bairro, carne nova no pedaço.
    Arranjei MIL inimigas! Os meninos mais velhos começavam a pedir pra ficar comigo e eu ficava “Oi? O que é ficar?” Nossa, comédia… todo mundo queia ser minha amiga, fiquei a fim de um menino mais velho que não me olhava com tanto ‘desejo’ como os amigos dele, e tipo, eu era uma das mais peitudas da minha série ¬¬’

    Sei lá sabe, entrei no colegial, me revolvei, sou a menina que todo mundo sabe que faz um monte de coisa mas que ninguém nunca vê (?), é a vida, haha.

    Amore, se fosse eu no seu lugar tinha jogado um charme, e todo o poder feminino pra cima desse fasntasma, só para provocar, e ele ter uma fantasia pro banheiro ;**

    So, so… Sobre o RSS, antes eu não tinha assinado pq eu não usava, agora que criei vergonha na cara e arrumei meu Google Reader (y).

    Beijo amiga, umdiadesseseupagointerurbanoprafofocarcontigo!

  6. Eu não tenho trauma das zoações da época da escola, porque crianças são más. E elas falam coisas só para nos magoar também. Mesmo na idade da nossa inocência. 👿
    Eu era como você no sentido de não chamar a atenção, mas nunca fui graciosa. Aliás, sempre fui gordinha, apenas virei uma mulher bonita. Sabe aquela coisa de meu passado me condena? Pois é, as fotos que o digam. 🙄
    Sabe, só brincando, agora você canta aquela música da Kelly Key pra ele “baba baby, baby baba”. hihihi
    Bjitos!

  7. Ai Mandy, você sempre me matando de rir! Tá super certa, esses fantasmas do passado precisam ser esnobados, humilhados e pisados até não poder mais, sem dó. Aposto que a quenga abandonou ele segundo a lógica da vida, e ele te viu toda linda, glamourosa e ficou pensado “por que não?”
    Mal sabe ele que você tá muito mais feliz com seu baby, né? Falando nele, ele chegou de viagem?
    Beijoooones

  8. Antes de mais nada, que saudadeeeeeessssssssss disso aqui :mrgreen:
    E que lindo que tá seu blog! O que me lembra que tô querendo mudar o layout do meu há algum tempo, apesar de eu gostar bastante do que está lá (:

    Menina, me vi em várias partes desse seu post. Sério mesmo. Principalmente naquela parte em que você disse que era cinza. Mais uma idéia pra um post. Preciso passar a anotar essas coisas, ultimamente minha mente tem sido bastante má comigo… e adorei essa esnobada que você deu no cara. Ahá!

    Depois vou voltar aqui com calma e ler seus posts anteriores.
    Beiiiijos

  9. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    um arrependido, oi? Ele bem que pesnou que devia ter pegado vc ao invéz da quenga.
    kkkkkkkkkkkkkkkk
    Ameeei o post! E a síndrome do patinho feio, acho que tenho também. E me faz querer morrer quando alguém me faz algum elogio -q

    beijooooooo

  10. Aloha!

    Vc tem o DOM então de não perder o fim da novela. Oxe oxe oxe!
    Minha mãe também não gosta quando eu entro de ganso assim.

    Eu gostava da Flora, na verdade. Mesmo depois de descobrirem a verdade. Ela fazia e acontecia na novela. Fora as tirações de sarro que ela fazia de todos.

    Essa foi inteligente: não q a Flora fosse inteligente, aquele povo q era burro pra danar. Faz sentido!

    O Clone até q era legal. Tá q não assisti a quase nenhum capítulo, mas achava engraçado o povo vidrado na novela.

    Aloha!

  11. Ave, tenho medo desses fantasmas do passado viu!
    Você pelo visto é super bem resolvida… eu tenho situações muito mal resolvidas no meu passado… e me assombra!
    A foto do seu lay é muito bacana!
    Beijão

  12. Ja aconteceu parecido comigo HSDFUHSUFH levei um fora na epoca de adolescencia, era apaixonadinha pelo cara, ai depois de seculos a gente volta se falar e ele diz que quer ficar comigo. Não, obrigada ;(
    anw acho q tbm tenho essa sindrome ai xD

    Beijo

  13. Ah, isso te acontece também?!
    Comigo as pessoas ressurgem de algum lugar mto misterioso, justamente naqueles momentos de felicidade na vida, ou quando estou acompanhada. (!)
    Eu só penso: agora né?! Bem no estilo daquela musica nojenta da kelly kee (kee é assim?) do Baba baby =P

    A proposito, adorei seu lay! A foto é mto bacana! ;*

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