Sobre o maldito ônibus que me leva à bendita universidade.

Ou o quanto eu realmente odeio o tal do transporte coletivo.

Eu pensei que realmente tinha andado o suficiente em coletivos, sabe. Eu, coitada, pensei que já tinha sentido a minha cota de maus odores vindos de axilas e cavidades alheias. Eu, inocentemente, realmente acreditei que meus dias de ônibus inentráveis tinham realmente acabado. Afinal, onde eu moro nem tem tanta gente assim que faz Federal. Pelo menos não que eu conheça. Bem, foi bom enquanto durou a minha desinformação sobre a situação dos ônibus da única linha que passa próximo a minha casa quando eles chegam, por volta das 18:30, para que eu,  pobrezinha, suba neles.

Mas  eu não vou poupá-los de nenhum detalhe caótico daquele  ônibus from the hell, como poderão notar na cobertura de guerra abaixo.

Saio eu inocentemente, como sempre, da aula última aula da terça-feira. Geralmente largamos pelas 7 horas, mas para nossa sorte/azar, largamos uma hora mais cedo nesse dia. Fato que foi motivado pela cantoria das cigarras na nossa sala de aula. Isso seria facilmente resolvível, se pudéssemos simplesmente fechar a janela e abafar a cantoria das mesmas. Porém, tal saída nos estava vetada, já que não havia condicionador de ar/ventilador funcionando na sala. Claro, tinha um ventilador fingindo que estava fazendo algum trabalho, embora não estivesse. Dá mesmo para ver que é um ventilador de repartição pública.  E como ninguém queria morrer de calor ou ouvir a cantoria das cigarras (elas se faziam ouvir mesmo, meu Deus, nunca tinha ouvido insetos tão barulhentos) e a professora de Inglês estava simplesmente injuriada de ter que trabalhar naquelas deploráveis condições, nós largamos mais cedo.

Vocês devem estar se perguntando por que eu coloquei o /azar lá em cima se tratando de largar mais cedo. Não é por que eu seja CDF e queira tudo até seus últimos segundos. Podia até ser, mas o espaço físico estava verdadeiramente deplorável. O problema de largar de 6 horas é que eu vou, obviamente, ter que ir para casa. E, ir para casa de 6 horas não é algo legal. Eu gosto de ir para casa e tudo, mas a questão é como. Se eu pudesse desaparatar, tudo bem. Mas, em vez disso, tenho que pegar o odiado porém necessário transporte coletivo. E os que aparecem às 6 horas são simplesmente deploráveis. Cheios de seres humanos, com seus respectivos sovacos mal-cheirosos. Mas enfim, o que não tem remédio…

Corro para pegar o meu ônibus fofinho e eis que ele, uma vez na vida, resolve parar na parada. Só que, observação, eu tinha corrido para pegar ele. Então tive que correr de volta. E, vê que legal, fiquei no rabo da fila, o que é sinônimo de ir-em-pé-toda-a-volta-para-casa. Verdadeiramente, eu mereço. A fila estava andando mais lerda do que geralmente. Eu já estava achando que as pessoas na minha frente deviam ser realmente burras, uma vez que não há nada de muito incrível em enfiar um cartão numa fenda, sabe? Até uma ameba faria isso, se amebas precisassem pagar passagem. Ou andar de ônibus.

Finalmente chega a minha vez. O corredor do ônibus já estava inandável, mas até ele era mais aceitável do que ficar quase caindo perto do motorista. Então fui toda-toda pôr meu cartão na fenda, no maior estilo olhem e aprendam, meros mortais. A luzinha verde acendeu, fiz força para girar a borboleta e, ahm, nada. A borboleta NÃO girou. Peraí, comassim? Fiz força de novo, mas nada ocorria. Olhei para o cobrador, todo o meu orgulho de ser a super rápida já evaporado, e perguntei qual era o problema com a borboleta. Ele olhou para mim com a cara mais cínica e disse: Está travada.

Sério, cara? Eu juro que eu realmente não tinha notado. Pensei que eu tivesse atingido o peso de uma baleia orca entre a manhã e a tarde e por isso eu não conseguia passar na borboleta! Tudo bem, eu não disse isso. Eu apenas fiquei olhando para a cara dele, com um rosto que deveria, provavelmente, parecer meio patético, pois eu não estava acreditando no senso de humor sádico daquele maldito cobrador. Ele simplesmente estava travando e destravando a roleta a cada pessoa que passava? Qual o problema mental dele, afinal de contas? Sabe, as pessoas já sofrem o bastante tendo que cheirar os sovacos alheios e essas coisas que envolve o excesso de toque humano que ocorre nos coletivos. Elas não precisam ficar presas em borboletas quando já pagaram a porra da passagem. Fiquei olhando para ele enquanto ele se abaixava para destravar, com uma calma extremamente irritante. E então, eu passei pela borboleta.

Só que, quando a garota depois de mim foi passar, ela já estava travada de novo.

Sinceramente, eu espero really que a sombra de divertimento que eu tenha visto  nos olhos dele tenha sido totalmente imaginação minha. Por que se eu pegar o ônibus que ele trabalha de novo e ele ficar de palhaçada NÃO VAI PRESTAR. Para mim, obviamente, que terei que ficar observando-o, cinicamente, destravar a borboleta.

Mais um preço a pagar pela UFPE: lidar com cobradores de ônibus com senso de humor doentio. Se eu não me tornar a próxima Fátima Bernardes, ninguém se torna. É apenas uma questão de justiça.

Pauta para o Tudo de Blog: O que você postaria anonimamente?

Se não há confiança, melhor não haver palavras.


Não há nada que eu queira dizer anonimamente. Não por que eu seja uma pessoa totalmente certinha. Ou por que eu ache que tudo está muito lindo e não discorde de nada. Mas eu simplesmente não acho que haja necessidade de esconder sua identidade quando se quer falar alguma coisa. Se você acredita no que vai expor, não tem nada demais em compartilhar com os outros normalmente, sem falsas caras. Não vivemos na época da Ditadura Militar e supostamente temos direito de expressão! Então, se quer dizer alguma coisa, diga! Esconder sua face ao mandar algum recado ou defender algum ponto de vista é de um bunda-molismo extremo. Se você não tem coragem para mostrar sua cara é por que seus argumentos não convencem nem você mesmo. E se nem você está convicto, suas idéias não irão muito longe. Palavras sem rosto não mudam nada. Algumas vezes magoam de verdade ou irritam. Mas nenhuma dessas consequências serve para muita coisa. Pessoas de verdade fazem a vida, não anônimos. Não bunda-moles.

PS: Apesar de tudo, estou a-do-ran-do a vida universitária! Meus colegas de classe são tão legais e todo mundo conversa com todo mundo. Diferentésimo do que era minha sala de terceiro ano, por exemplo.


Show ?

Obrigada à Mayara por se lembrar de mim! Fiquei bastante feliz, já que não tinha recebido esse ainda. Vou me abster de indicar, todo mundo já sabe quais são os meus blogs prediletos. Então, todos os que estiverem na minha página de links sintam-se indicados.

Olha que blog maneiro!

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