Sobre a cara e a inteligência.

Tem pessoas que simplesmente não precisam falar nada para serem inteligentes. Na verdade, algumas nem precisam ser inteligentes. Por que a cara deles totalmente ganha de tudo o que você possa sequer pensar que é inteligente. E não me venham com essa de que as aparências não contam, pois eu nunca vi afirmação mais burra e mentirosa que essa. Se meu namorado não tivesse cara de inteligente eu jamais teria olhado para ele. Tudo bem, talvez eu olhasse, já que eu não poderia adivinhar que ele teria cara de burro. Mas aí eu viraria para a minha amiga e comentaria: “nossa, aquele cara tem a maior cara de subdesenvolvido intelectualmente, nunca mais olharei para ele.” Agora, de verdade, se meu namorado tivesse a cara de inteligente que aquele menino, que aqui ficará conhecido apenas como OSMDM, eu sairia correndo, à primeira vista, e rezaria baixinho – no armário de vassouras para o qual eu iria –  para nunca mais encontrá-lo enquanto eu vivesse. E se eu pudesse também não encontrá-lo enquanto eu estiver vagando nos corredores fantasmagóricos da pós-vida, claro que agradeceria imensamente.

O que é exatamente o que eu não posso fazer quando eu encontro-o. Eu não posso simplesmente sair correndo na direção oposta toda vez que avisto-o. Afinal, isso não seria normal. Não que eu seja normal, de qualquer forma. Mas as pessoas devem acreditar que não sou mentalmente desequilibrada, para que eu possa continuar em pleno convívio social e, assim sendo, poder concluir meu curso de Jornalismo e me tornar a próxima Fátima Bernardes. Além do quê, lá no meu prédio nem tem um armário de vassouras. O que é muito frustrante, mas enfim. A questão é que tenho que cruzar com ele todos os dias e até, pasmem, assistir aulas com ele. É mais do que qualquer ser humano normal pode aguentar.

Dia desses, eu estava muito feliz, correndo para pegar a cadeira embaixo do ventilador. Minha amiga correu e sentou do meu lado esquerdo, deixando a cadeira entre os dois ventiladores vaga. E adivinha quem chegou atrasado e sentou nela? Claro que foi OSMDM. Simplesmente suei frio e tentei ficar calada durante toda a aula de LP3, tentando não me envolver nos debates, etc. Por que é claro que minhas idéias idiotas não chegam nem ao dedo mindinho encravado das idéias de OSMDM. Como poderiam, de qualquer forma? Não tenho qualquer cara de intelectual e minha primeira nota na faculdade foi um 7,5! E o meu primeiro conceito foi um regular, embora agora eu já tenha evoluído para um muito bom. Muito bom! Mas enfim, ele sempre foi muito bom desde o início e eu nem quis me informar sobre a nota dele, para não me sentir mais débil-mental do que, certamente, sou.

É claro que, sendo totalmente demente como sou, não consegui manter minha língua devidamente dentro da boca e me meti, claro, no debate sobre se é possível o jornalista manter imparcial quando informa. Felizmente minha observação não foi tão infeliz assim e ainda foi reiterada por outros participantes do debate. E não foi tão contrária a do OSMDM, embora não arrematasse de forma alguma o que ele falou.  O que é incrível, já que eu sou capitalista e ele sonha com um mundo onde todos sejam iguais e não existam MC Colossos e Coca-Cola. Acho que tenho uma capacidade psiquíca muito reduzida mesmo, já que não consigo sequer imaginar um mundo sem coisas assim. Talvez seja por isso que não tenho cara de inteligente, droga.

Eu não sei por que, mas de repente não é uma coisa que eu queira tanto. Na verdade, não é bem isso. É legal e tudo, mas está mexendo comigo. Com minha capacidade criativa. Com a minha vontade de postar o que der na telha. E isso é muito ruim. Eu realmente gostava quando eu podia simplesmente falar sobre o fato do ônibus lotado ser um saco e de ter uma menina totalmente sem-noção no meu cursinho.  Mas isso de ter sempre que pensar no que vai escrever para uma pauta. Como vou ser uma jornalista e escritora, se não consigo utilizar minha energia criativa de modo satisfatório para ambas atividades?

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3 thoughts on “Sobre a cara e a inteligência.

  1. Pois é, amigue… acabei achando inspiração. Naquele lá, vai vendo… que coisa.
    E eu também preciso me aproveitar mais de minha criatividade e começar a escrever os contos que tanto crio na minha cabeça. uiui mas a gente chega lá!
    Beijo ;*

  2. Escrever livremente é melhor, com certeza, mas às vezes uma pauta ajuda a orientar. E para uma jornalista, isso deve ser melhor trabalhado, héin?
    Olha Mandy, sinceramente? Fiquei toda orgulhosa de mim mesma quando vi seu comentário e sua avaliação sobre a minha pessoa. Felizmente, as coisas estão melhores agora, obrigada!
    E não se omita não. Por mais que tenham pessoas mais brilhantes que você por ai – ou que aparentem ser – mostre-se, arrisque-se. Só assim você conquistará seu espaço.
    Bjitos!

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