Agora não feche não!

Mais um da série eu sou imatura sim.

Eu realmente fico chocada com o que o tédio faz com as pessoas. O tédio é algo poderosíssimo, eu bem sei. Algumas horinhas de tédio podem nos convencer a arrumar o guarda-roupa ou a nos escondermos tremendo debaixo da cama, crentes que vimos um vulto preto passando pela cozinha.  Ambas situações incríveis (a primeira ainda mais) e que provavelmente não aconteceriam em outras variáveis (se você for preguiçosa e incrédula como eu). Isso falando de tédio em doses moderadas. Dias e dias de tédio podem acabar com um ser humano, fazendo-o se jogar pela janela mais próxima ou torná-lo um mutante à la X-MEN. Como a vizinha aqui de baixo.

Não, ela não se jogou do prédio, até por que acho que o máximo que ela conseguiria seria um perna quebrada. Eu não vou falar sobre a dificuldade de passar pelo tipo de janela que instalaram nos corredores do meu prédio, por que ela é tão magra que passaria por uma frestinha. O porém não é esse. Nas horas e horas que esse ser estranho passou sozinha, assustando-se a si mesma (é isso mesmo, ela é muito feia) e dando comida aos cachorros imprestáveis e antipáticos dela (eu nunca passo sem que eles dêem uma latidinha chata pra mim, hunf), ela desenvolveu algum tipo de dom (?) anormal, com o qual ela inferniza a vida dos pobres moradores do meu prédio.

Eu não quero ser chata nem nada, mas é a realidade. Acho, de verdade, que a aquela mulher não tem nada melhor para se ocupar do que ouvir o portão fechar e ir lá confirmar se está fechado. Nem se ela fosse síndica!

Minha irmã desce para pegar uma bandeja com minha prima, que mora exatamente ao lado. Volta 40 minutos depois.
– Se perdeu, foi?
– Aquela maga horrorosa, falou uns oitocentos séculos sobre que eu não deveria deixar o portão aberto. Mas, peraê, eu ia fechar o portão, pegar a bandeja, abrir e fechar de novo? E ainda contou uma história ridícula sobre quando ela morou nesses prédios antes e um cara veio tentar estuprar ela, mas ela disse que tinha aids e ela desistiu.
(muito me espanta que alguém ainda tenha o estômago de querer estuprar aquele ser horrível. não me espanta que ele tenha acreditado. tá, parei.)

Eu volto de uma festa com meu namorado. Quando entro no prédio, percebo que esqueci o celular com ele. Saio correndo e gritando para ele parar (ainda bem que era tarde e não tinha ninguém na rua). Pego meu celular e volto. Quase tenho um ataque do coração quando dou de cara com aquela deformidade em forma (?) de ser humano. Me segurei para não gritar Ahhhhhh!
– Você dexou o portão aberto – diz ela, aparentemente me dando uma bronca implícita.
– Sim, tive que correr para pegar meu celular com meu namorado. – disse, irritada de ter que dar qualquer tipo de explicação para alguém que não tinha nada haver com a minha vida. E como cacetetes aquela mulher chegou ali? Pensei que àquela hora ela já estivesse dormindo! E, pelamordideus, eu não demorei nem um minuto para voltar, qual é.
– Podia ter entrado alguém. – continua ela.
– Não ia entrar ninguém, não tem ninguém na rua à essa hora – falei, me controlando.
– Não é bom deixar o portão aberto, teve uma vez que eu quase fui estupra..
– Boa noite – Subi a escada, cheia da vida.

Desci para comprar um refrigerante no posto. Tudo bem, eu sei que é ridículo, mas dessa vez eu fiz de propósito, só para ver se ela ia notar. Deixei o portão aberto e fui no posto de gasolina, que é ao lado do meu prédio (bom e ruim: loja de coveniência/possível explosão me mataria também). Voltei e não a encontrei lá embaixo. Estava quase feliz, quando encontrei com ela no meio da escada, olhando acusadoramente para mim. Fiz o meu melhor olhar inocente de o que foi? e segui, sem lhe dirigir a palavra, para ela não começar com o seu discurso um dia quase fui estuprada. Acho que ela gosta de repetir essa história como a velhinha daquela piada*.


*
Uma velhinha vai à polícia, contar que um cara entrou em sua casa e a estuprou. O policial pergunta quando foi isso e a velhinha responde que foi a uns 60 anos atrás. O policial, chocado, pergunta então por que ela veio dizer apenas agora. A velhinha diz que é por que ela adora contar essa história.

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2 thoughts on “Agora não feche não!

  1. Para eu acho que o cara estuprou ela e disse que tinha AIDS e por isso que ela tá tão magra contraiu a bagaça e passar seus últimos dias de vida azucrinando a vida de quem passa pelo portão, rsrsrsrs.

    Muito engraçado esse post adorei!Beijinhos!

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