Síndrome do “Eu quero a minha mãe!”.

Ou como é melhor ter seus ataques na privacidade do box de um banheiro.

Dia desses estava pensando em como nunca saímos do ninho. Tudo bem, mentira feia. Eu não parei exatamente para pensar nisso do nada. Na verdade, tem umas ou duas coisas que vocês precisam saber antes que eu prossiga com o discurso. Primeiro: eu realmente tenho pavor de abelhas, marimbondos, vespas e qualquer outra coisa que voe e cuja picada doa pra valer. Já paguei diversos micos por correr desses bichos e nunca fui picada. Ou pelo menos nunca tinha sido. Aí é que entra o item número dois.

Estava eu, muito feliz, discutindo o trabalho de português com alguns colegas de classe. É, eu não estava muito feliz, uma vez que tinha acordado super cedo para fazer o vídeo da apresentação e, logo depois, descobri que tinha que reescrever o relatório desse trabalho. Também peguei um metrô lotado que, pelo menos, tinha ar condicionado. Não que naquelas condições ele fizesse muito efeito, mas poderia ser pior. Então, reiterando, lá estava eu, não muito feliz, mas pelo menos satisfeita, quando sinto uma agonia no pescoço. Supus de imediato que era o meu cabelo péssimo que sempre enrosca no meu colarzinho com um W no meio (amor, te amo) e pus a mão no pescoço para desenroscar. Qual não é a minha (péssima) surpresa quando descubro que não, não é o meu cabelo inocente e sim um…bicho! Na hora segurei e puxei-o na intenção de jogá-lo no chão e pular em cima dele até sua morte completa e total (die, die, die!). Mas foi nessa hora que senti uma dor horrível no indicador do meu dedo esquerdo. Um dor fina, que queimava e encheu meus olhos de lágrimas. Dei um grito super fino e comecei a balançar minha mão e a pular. Claro que, levando-se em conta que era eu que estava gritando o grito não poderia ser outra coisa senão fino. E, obviamente, não podia chamar pouca atenção. Nem me importei em olhar em volta na hora, só me preocupava em olhar meu dedo e soprar. Isso sem contar na força que eu estava fazendo para não abrir o berreiro ali mesmo e ficar choramingando ai meu dedo, ai meu dedo. E ainda bem que não me importei antes, por que definitivamente não perdi grande coisa. Quando o meu mundo parou de girar em volta do meu umbigo (ou melhor, do meu dedo), vi meu colega de classe excêntrico chegar perto do bicho, que mais tarde descobri ser um marimbondo, e pisá-lo devagar e definitivamente. Meu professor apenas levantou os olhos do notebook, balançou a cabeça e continuou o que quer que ele estivesse fazendo. Meu colega mais próximo, juntamente com uma outra colega minha, olhava para mim como se eu fosse me despedaçar ali mesmo e, enfim, ele parecia meio chocado. Disse que ia lavar meu dedo e saí correndo pro banheiro. Lá, comecei a lavar meu dedo, que doía e doía. A menina que lavava as mãos na pia ao lado da minha me olhava estranho, já que eu estava realmente com os olhos cheios de lágrimas. Entrei dentro de um box e fiquei chorando em silêncio até saber que podia me controlar.

Eu sei que você devem estar me achando a maior chorona e boba do mundo. Admito, não sou mesmo a pessoa mais forte do mundo e, como já disse antes, tenho o maior medo do mundo desse tipo de bicho. Porém essa não é exatamente a questão. O interessante de se questionar é por que eu não podia, ou sentia que não podia dar o meu pití máximo na frente daquelas pessoas. Um familiar meu entenderia totalmente o meu super medo. Eu me sentiria à vontade para chorar na frente deles, abanar o dedo e super gritar quando visse o bicho. Eles apenas ririam de mim e me tratariam como sempre. Eu poderia calmamente fazer biquinho e dizer que eu nunca mais poderia escrever na vida e que agora sim ia morrer de fome, mesmo eu sendo destra e o machucado sendo no dedo indicador da minha mãe esquerda. Mas eu não me sinto à vontade para ter esse tipo de atitude imatura perto de quem não me conhece o suficiente para saber que eu não ajo daquele jeito sempre. É ruim admitir, mas no fim é pior ser julgada e condenada como uma louca sem noção. Por enquanto, continuo me trancando no banheiro e tendo meus ataques histéricos em silêncio. Afinal, imagem é importante para mim. Eu ainda sou um espírito inferior.

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3 thoughts on “Síndrome do “Eu quero a minha mãe!”.

  1. A gente paga mico mesmo, é a vida, eu já paguei vários micos históricos, que vão ficar guardados na minha memória que tão ruins que eles foram, mas ninguém está a salvo!

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