Unhas, Fígados, Corações e Relacionamentos.

Mais um da série Comparações Dementes.

Já era meia-noite e eu me embolava na cama, para ódio da minha irmã. Eu explico: dormimos numa beliche, de modo que se alguém começa a se mexer demais, a cama também começa a se mexer. É, eu devia ter pensando nisso antes de começar com a idéia de economizar espaço. Mas acho que é um ótimo treinamento para quando eu tiver que dormir numa cama de casal. Enfim, depois de ouvir um “Para de se mexer, Amanda!” indignado dela, fiquei parada, mesmo que isso significasse que eu não ia dormir tão cedo. Tenho um lado meio canino na hora de dormir. Eu tenho que embolar a cama todinha – de preferência até desforrar toda a cama, o que não é difícil – até achar a posição perfeita para o corpo. Depois bato no travesseiro, viro várias vezes o pescoço para achar a posição perfeita para o mesmo. Depois estico uma perna, encolho a outra e desmaio num sono com excesso de sonhos.

Essa é a merda de ler até tarde. As idéias ficam pipocando na cabeça, então se eu não colocá-las no papel, elas não me deixam dormir. Devo dizer que isso não vinha acontecendo comigo há muito tempo. Claro que durante o meu primeiro período na faculdade não estava lendo tanto quanto estou na minhas férias, logo talvez não pudesse ter tantas idéias. Mas, não sei, tenho a impressão que a mudança de casa me fez mais bem do que eu imaginava. Então, lá estava eu, grudada no corazón – o coração de pelúcia que meu namorado me deu no dia dos namorados. eu sei, nome altamente criativo – sentindo falta do meu bofe e sem conseguir dormir, quando me bateu a idéia desse post. Eu sei que você estavam procurando até agora o assunto principal dessa postagem. E eu peço que perdoem minha enrolação, mas se vocês não estiverem acostumados com esse tipo de escrita, talvez seja melhor fecharem esta página, pois não vão encontrar nada muito diferente vindo de mim.

Sem mais embromações e retornando ao tema mais clichê do mundo ( e nem por isso menos verdadeiro ): as pessoas são mesmo como pedaços de nós. Não apelarei para o melodrama, mas é a pura verdade. Se não as pessoas, mas os nossos relacionamentos com as mesmas. Há pessoas que são como unhas: nós damos uma atenção extrema para elas ( falo por mim ), pintamos, polimos e coisa e tal ( as unhas, não as pessoas ). E um belo dia, quando pensávamos que ia tudo bem com elas, elas quebram. Nós vamos ao médico e relatamos o problema ao mesmo e ele diz, depois de alguns exames, faltava vitamina fulaninha e sicraninha e por isso as unhas eram frágeis. Assim são algumas pessoas. Nós estamos o tempo todo dando atenção e damos tanta importância a elas ( ok, eu sou uma unhólatra ) e depois percebemos que aquele relacionamento não tinha, como diria minha vó, sustância! Então cortamos todas as unhas e prometemos que nunca mais passaremos por aquilo de novo. Só unhas – e relacionamentos – vitaminados agora! E passamos por tudo de novo.

Outros relacionamentos são como o nosso fígado:  tão importante, com não-sei-quantas funções diferentes ( e vitais ) conhecidas e mais não-sei-quantas-outras ( nunca fui muito boa em biologia ) ainda não descobertas totalmente. O fígado faz tantas coisas por nós que nem notamos.  A não ser quando ele para de fazê-las, depois que o maltratamos até uma cirrose. Então nos deprimimos e reclamamos do porquê dessa nossa burrice insistente, de só notar que gostávamos de determinada coisa – ou pessoa – depois que a mesma não quer – ou não pode, em casos piores – estar mais conosco. E fazemos tudo de novo.

Há ainda os relacionamentos que são como o coração: nós os sentimos e vemos cada ponto do nosso corpo ser aquecido pelo sangue e nutrientes que ele nos traz.  Ele muda nossa vida, com aquele excesso de sangue nas bochechas ou quando lábios vermelhos super-vascularizados abrem um sorriso. Nós nos deixamos levar com as batidas compassadas – ou não – daquele coração e dançamos a sua música. Nós vivemos aquele coração.

A pergunta que não quer calar: depois de encontrar seu relacionamento coração, alguém consegue viver sem ele? Eu realmente não quero nem pensar em tentar.

Anúncios

5 thoughts on “Unhas, Fígados, Corações e Relacionamentos.

  1. Eu responderia que é possível sim viver sem esse relacionamento coração.
    Por mais que não seja fácil esquecer uma pessoa e desacostumar-se a tê-la na sua vida, devemos lembrar que ficamos vários anos sem viver com aquela pessoa, então, ela pode não ser tão essencial assim.
    Bjitos!

  2. Ai, Amandoca, mais um texto maravilhoso! Tenho minhas dúvidas se já topei por aí com esse relacionamento coração, mas entendo bem do que você está falando. Amei o relacionamento unha, quem nunca passou por uma situação assim?
    Beijos

  3. Quanto ao relacinamento coração, concordo com o que a Lusinha disse. Ninguém é insubstituível… exceto aqueles que são alvo do nosso amor incondicional. Aí fudeu. ha.
    Gostei do texto 😉 a relação dos relacionamentos (pleonasmo? oi) com as unhas ficou bem interessante!
    Beijo, amigue!

  4. Mandy, você anda inspirada, hein! Me conta quais são esses livros que tu anda lendo que eu quero ter ideias boas também, compartilha! hahahaha.
    Acabar com um relacionamento coração é realmente difícil e estou passando por isso nesse momento, a gente tem que tirar força que a gente nem acha que existe dentro da gente.
    Beijo!:*

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s