Sobre egos inflados e falsos cults.

Eu sei que eu já devia estar acostumada com os cults de egos inflados. Deveria sim, uma vez que na minha sala é simplesmente o que não falta. Pessoas que lêem Dostoiévski e Kafka como se fossem Meg Cabot ou Cecily Von Ziegesar e se empolgam discutindo-os como tais livros fossem tão interessantes quanto Harry Potter. Qualquer pessoa normal diria que é um saco conviver com pessoas tão ‘cheias de cultura’ e tal e coisa, mas eu digo que não. Não é, claro, a coisa mais fácil do mundo, mas também não nenhum motivo para suícidio. Em parte por que se aprende muito com eles e por que, também, eles não tentam subjugar ninguém, mesmo no auge do egocentrismo deles. Afinal, ninguém naquela sala tem razão de se achar mais inteligente que ninguém da mesma, uma vez que todos entraram por mérito. Tudo bem, talvez tenham. Mas isso não vem ao caso. É claro que é difícil você falar de Britney Spears sem ninguém olhar torto para você, o que é muito chato para alguém porco capitalista mimimi (por Mariana) como eu. Mas eu sobrevivo com a ajuda de outros capitalistas malignos que por acaso dividem a mesma sala, sob os olhares indignados dos marxistas.

A verdade é que, mesmo que as pessoas daquela sala discordem loucamente do que você diz, elas o deixarão dizê-lo sem xingar você depois. E isso é extremamente positivo. Ou pelo menos era, enquanto acontecia. Quem estuda numa universidade sabe como é: de vez em quando aparecem umas alminhas penadas de outros cursos para pagar cadeiras junto com você – ou você é a alma penada assombrando as cadeiras alheias. Geralmente os intrusos não fazem qualquer mal. Eles assistem aulas – ou não, fazem trabalhos com você, dão boa tarde quando cruzam com você no corredor e ponto. Coisas simples e talz. Geralmente se comportam como o resto da sua sala, seguindo aquela velha e super correta máxima: Em Roma como os romanos.

Acontece que, nesse período chegaram umas pessoinhas que aparentemente não gostam muito de respeitar as regras. O cara já é tipo formado em outro curso qualquer e está pagando umas cadeiras com nossa turma (porquê? porquê?) e temos que aturar os discursos altamente complicados dele em todas as aulas que assistimos com ele (ou melhor, que ele assiste conosco, irc). Bem, esse ainda é bom. Por que, apesar de ser um amostrado duma figa e eu querer esganá-lo toda vez que abre a boca para dizer uma palavra como dicotômica, ele não quer ser o dono da verdade. Ou talvez até queira, mas tenha juízo suficiente para saber que ninguém jamais conseguirá esse feito. O que é mais do que eu posso dizer da intrusa #2, que realmente se acha a total proprietária dela. A verdade, quero dizer. Vou te contar, menina estranha viu? Nunca mais sento inocentemente ao lado do meu amigo sem olhar o que me espera do outro lado. Isso que dá ser curiosa. Eu estava tão concentrada em tentar arrancar dele uma fofoca quentíssima sobre uma pessoa de lá da sala que nem me liguei onde estava me sentando. Só caí em mim quando ouvi uma voz trovejante do meu lado falando de algum autor de nome complicado (por que é que nenhum deles tem um nome simples? já dão medo pelo nome, fala sério!). Ela estava toda: “Cara, como é mesmo o nome daquele livro de *nomecomplicado ? Sériio. É algo como ‘Como vencer um debate sem ter razão?’, não é?”. Obviamente que ela não estava falando comigo, graças a Deus. A única pessoa que ela fala assim, dessa forma até de-igual-para-igual é com os professores, claro. Se ela por acaso falasse comigo, creio que seria daquela forma você-sabe-que-está-errado-então-porque-não-cala-a-boca, que ela utiliza com todos nós que somos tão alunos quanto ela. Eu juro que derrubei o estojo três vezes do nervoso que fiquei com ela trovejando do meu lado (a voz dela é super grossa e alta, mesmo sem ela gritar nem nada. é agoniante e irritante, ao mesmo tempo). O pior é que ela pegou o estojo para mim em duas das três vezes, o que me fez guardá-lo para evitar maiores contatos com a mesma. É totalmente o tipo de pessoa que eu gostaria de dar um pontapé dos bem dados e expulsar da minha modesta sala de aula. Se eu tivesse coragem para isso, é claro. Não creio que possa competir com todo o conhecimento de nomes complicados que ela tem. Perderia a discussão calmamente, para tristeza da minha turma, que aparentemente espera por um super herói (quem sabe o Chapolin?) que nos salve das garras repressoras da Srta. Dona da Verdade.

Não sei por que as pessoas continuam achando que o tipo revoltadinha/nossa vida é uma mentira completa continua na moda. Por que visivelmente é só pose. Só para que todos nós olhemos com deferência para o ser em questão. O que não faz muito sentido, por que tudo o que acontece é eu ter medo de que ela grite no meu ouvido, visto a potência da voz da mesma. Estou pensando em abrir uma nova cadeira lá na faculdade: Seja um  demente verdadeiro e não um falso cult. Tudo para ajudar meus pobres coleguinhas defensores da verdade! Que tal, fofinhos, começarem por vocês mesmos?

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6 thoughts on “Sobre egos inflados e falsos cults.

  1. Nesse aspecto tive um pouco mais de sorte, as pessoas de outros cursos que pegam algumas disciplinas do meu são super na deles.
    Agora, tem alguns professores que vc não pode fazer uma pergunta, que eles te respondem com aquele tom de voz ogro e ainda termina com um “entendeu?” que é impossível dizer que não, com medo do que pode acontecer. Desses eu tenho medo hahah
    Preciso atualizar seu link no meu blog ur-gen-te xD

    ;***

  2. Gente, q texto! Li tudin tudin, I swear! Mas n entendi mto bem… mas entendi o q importa: tem uma “aluna com sindrome de professora” na sua sala, com voz d auto-falante (vai v ela usou akele feitiço do Dumbledor para ampliar a voz! haha) q ta t tirando do serio com a mania dela d competir nivel intelectual com o professor, oprimindo os demais alunos, correto? Ahh minha querida, eu passo por isso td santo dia na minha sala tb! C bem q esse periodo eu q so ua intrusa, mas eu sou legal! ^^ Heheh.. mas tem uns seres q c acham superiores aos demais soh pq estam estagiando em prefeitura ou na propria facudlade, ou pq conseguiram desconto por boas notas.. enfim, esse tipinho d gente sabe? No fundo eu acho q eles soh querem mostrar serviço pros professores, sabe? Essa eh uma tese do meu pai. Ele sempre falou q na faculdade tds querem mostrar serviço pros professores “falando dificil”, sendo os gênios da turma e, obviamente, puxando saco, pra conseguir estagios/empregos por indicaçao dos professores. Sme duvida alguma essa sua coleguinha ai c encaixa nesse perfil, assim como mtas outras pessoas.
    Bom, minha dica: mostre serviço tb, mas n sendo a chatona-pé-no-saco, mas sim a colega simpática e divertida q sabe hora d falar e ouvir e n atrapalha a aula por qq coisa nem c juga melhor q os outros (mas tb n deixe q pensei q vc eh ifnerior!) e curta mtoooooooooo essa época da vida pq eh mto bom!! Serio! E aproveite pra fazer amizades duradoras e q t façam crescer tanto como pessoa quanto como profissional.
    Sucesso aí! 😉
    Beijosss

    P.S.: Desculpe o coment mega-gigante, mas eu gosto d escrever mesmo.. =]
    P.S.2: Qd der, pase n omeu blog! ^^

  3. É amigue, as pessoas têm seus egos tão inflados que esquecem que existem outras pessoas no mundo que sabem menos do que elas, nem sempre por vontade própria, mas sim por falta de oportunidade. E um dos tipos de pessoa que mais me causam ojeriza são os tais falsos cults. Que mania é essa de querer estar sempre certo? E querer saber de tudo sem na verdade saber nada? Que morram.
    Beijão

  4. Acredite, entendo sua situação. Faço pesquisa na área de Antropologia da Alimentação, então é Durkhein, Weber, Marx, Malinowski, Garfinkel, pra tudo que é lado (e eu no meio, sem entender nada!). Também peguei sociologia com um pessoal de artes, onde tinha um cara que há anos não concluia o curso, e se achava o rei da cocada preta (minha vizinha, que formou há 5 anos, foi colega dele, e ele já era insuportável). Mas tudo tem sua hora. Mesmo achando que tava arrasando, o professor colocou ele pra ir pra final.
    Até no ensino médio eu já me deparei com esses falsos cults, e apesar de serem falsos nesse sentido, pra mim, são verdadeiros idiotas.
    Bjinhos!

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