Impossibilidade do diálogo = Surdez Auto-Induzida*.

Eu, como estudante de comunicação social que sou, já estou de testículos inexistentes bem cheios de ouvir falar em diálogo. Já sei como a teoria da comunicação não é vigente – aquela que trata o interlocutor como mero recipiente de idéias alheias. Muito embora alguns colegas meus continuem na época das cavernas, achando que realmente os meios de comunicação levam ao emburrecimento da população e ao empobrecimento cultural, continuo discordante e Gossip Girl addicted, como sempre. Mas vou poupá-los da minha recorrente defesa do Capitalismo e também da minha eterna pergunta ‘se os odeiam, por que querem se juntar a eles?’ e ir ao que interessa: a incapacidade do diálogo.

Esse foi um dos textos totalmente pé-no-saco que o professor de filosofia nos mandou ler (Por que, POR QUE as pessoas têm que usar palavras com práxis?! Que coisa mais imbecil de se fazer, quando existe uma palavra chamada PRÁTICA que se adequa perfeitamente no contexto!), de um autor extremamente problemático, como quase todos que nos mandam ler na faculdade, que escreve super difícil e cita autores *sobrenomescomplicados. Claro que dormi psicologicamente toda a aula pós-texto, que se propunha a ser um debate acalorado sobre o tema, mas que no final terminou sendo uma disputinha ‘eu sou mais inteligente’ entre algumas almas superdotadas (e übber chatas) que se encontravam no recinto. Você sabe como é dormir psicologicamente: quando você está de olhos abertos e tudo, mas está totalmente organizando sua agenda mentalmente, pensando no fim de semana passado, idealizando o próximo. Eu totalmente durmo psicologicamente em 5 de 6 aulas desse semestre. Na aula de Teoria da Comunicação eu até olho com atenção para a professora, mas é só para ver se aquela cara esticada dela é botox mesmo (E o pior que é mesmo. Prova número 1: a cara é lisa, o pescoço é engilhado. Prova número 2: a minha testa enruga mais quando eu levanto as sobrancelhas do que a dela quando faz o mesmo). Enfim, a questão é que eu acordei totalmente numa parte que falavam – na verdade aquele ser ególatra já mencionado – que o autor não deixava espaço para um debate não convergente, que é um que as pessoas não concordam, mas conversam mesmo assim. Claro que, lendo o texto como li, discordei. Como não tive cara para defender o que queria naquele momento (E graças aos céus que não fiz isso. Sou péssima falando. Eu engasgo, gaguejo, faltam as palavras etc. Preciso de um curso de oratória pra ontem!), queria mostrar o que penso aqui, onde é relativamente mais seguro e não vai me formar um ethos (basicamente, a imagem do que as pessoas pensam sobre você #amandatambémécultura) de travada social.

Pois bem,  a incapacidade do diálogo habita não na diferença, qualquer que seja ela (de ideais, de nacionalidades, de raças etc), mas apenas na sua incapacidade ou na do interlocutor de verdadeiramente escutar o que você tem a dizer. E quando digo isso não é concordar com o que seu interlocutor diz, mas simplesmente deixá-lo falar, prestando atenção no que ele diz e contestando-o, se você discordar, ou concordando com ele, se você, bem, obviamente, concordar. Eis uma coisa que pouca gente consegue fazer. Eu não me excluo do contigente. Mesmo achando muito chato essa falta de diálogo entre pessoas que pensam diferente (Burrice demais, visto que de uma síntese de ideias bem contrárias – antíteses – pode sair uma mistureba bem legal – síntese. Viva a dialética!), eu não faço nada mesmo para mudar isso. Até por que, convenhamos, é um saco conversar com alguém que NUNCA concorda com você. Eu devo saber, pois eu tenho um amigo assim e é extremamente cansativo falar com ele. Algo do gênero:

– Oi, quanto tempo!
– Oi. Mas o que você quis dizer com quanto tempo?
– Ué, faz mais de um mês que a gente não se fala! É tempo!
– Não, não é. Uma era é tempo!
– Claro que não posso tomar uma era como medida para aplicar na minha VIDA que provavelmente não vai além de uma centena de anos..!
– Claro que pode e mais, deveria, porque…
– Escuta, cê não tem mais o que fazer não? Uma boyzinha para pegar, um desses teus joguinhos acerebrados para jogar ou coisa assim? Vê se me erra!

Claro que o oposto também é verdade.  Eu tive um ou dois encontros com seres dessa magnitude e devo dizer que  e, sinceramente, devo admitir que tive que me segurar para não pegar uma marreta e quebrar a cabeça deles para ver se havia um cérebro dentro daquela maldita ou apenas uma fotocopiadora de ideias alheias que não são guardadas na memória. Something like:

Pessoa 1: Hitler foi um nojento, seboso, filho de chocadeira.
Pessoa 2: Ah, era mesmo. Horrível!
Pessoa 3: Ah, ele era um cara legal, que queria tirar a Alemanha do buraco e levantar a moral alemã.
Pessoa 2: Total, o cara era demais. Um Gandhi, praticamente!

Mas eu estou divagando. No fim, eu só queria deixar bem claro que a impossibilidade do diálogo habita naquela sala de aula, quando seres super-todas-as-coisas te intimidam a um ponto de que você corre mesmo o risco de travar e deixa passar coisas que realmente poderiam fazer a diferença. Ou não. Mas, se é um diálogo, a interlocução é o que vale.

* Auto-Induzida é com hífen?! #reformaortográficahater

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5 thoughts on “Impossibilidade do diálogo = Surdez Auto-Induzida*.

  1. Hey ^_^

    G-esus… mato um por um quando vem falar comigo desta forma… na verdade vivo com pessoas ao meu redor assim trabalho num orgão público… e há uma quantia bem considerável pelo local.

    Bjs ótimo find

    :: Loma

  2. Nossa, disse tudo. Se puder simplificar, simplifique, porra. Não entendo a maldita mania que muitas pessoas tem de complicar td, achar picuinhas onde não tem…
    Adorei o que tu escreveu!
    Beijo!

  3. Ninguém hoje em dia tem a humildade de escutar o outro… todo mundo quer colocar sua opinião pra fora… O que eu mais odeio é gente assim que não te deixa terminar de falar ou não dá espaço… e eu muitas vezes me calo…
    Huahuahua eu durmo psicologicamente, nas aulas, no trânsito e em qualquer outro lugar! Mundo da Lua é onde eu moro! hahaha
    bjos.

  4. Acho que sempre há a batalha de egos dentro de uma sala na faculdade… o que, quase sempre, ferra com o diálogo. Eu que costumo ser super extrovertida e aberta às discussões (E opiniões) acabo me calando pra não ter que ouvir certos tipos de coisa.
    Dormir psicologicamente já faz totlamente parte da minha vida acadêmica… rs
    Beijos!

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