Nada se perde.

E o foda é ter que passar por isso sem nem ao menos ser uma dessas boêmias da vida, ela pensou, enquanto vomitava provavelmente o seu fígado na porcaria da pia do banheiro. É, lugar errado. Mas era isso ou vomitar durante o caminho para o vaso. Se bem que, pensando friamente, provavelmente teria sido melhor vomitar os tapetes do banheiro mesmo. Até por que ela achou difícil decodificar qual teria sido a pior tarefa: lavar os tapetes vomitados ou limpar a pia quase cheia de vômito. O pai levantou assustado e foi ao banheiro onde ela se encontrava. Mas o que foi que você comeu?, ele perguntava sem parar, enquanto ela mal conseguia respirar com as ondas de enjôo que subiam(seguidas do seu jantar, que não deveria estar indo a lugar nenhum acima do umbigo) e a faziam desejar pelo menos ter merecido tamanho sofrimento. Sem comer nem beber é lasca. Se bem que, pensando bem, ela tinha metido o pé na jaca nas frituras durante o dia. Foi um tal de coxão com catupiry, um tal de comer metade da porção de bolinhos de bacalhau que, certamente, bem não deve ter feito. Bem, se eu morrer, eu não engordo. Tudo tem um lado positivo, não? Ela pegou o pano de chão e começou a limpar a pia cheia de vômito. Seu estômago se embrulhava de forma desconfortável cada vez que ela mergulhava o pano no que, em algum momento da noite, tinha sido seu jantar. Bem, realmente olhar seu próprio vômito é uma ótima forma de combater a náusea. Bem feito. Quem manda ser burra e vomitar na pia? Todo castigo para gente demente é pouco. Terminou de limpar a pia, botou o pano de chão no molho e saiu correndo para botar os bofes para fora novamente. Dessa vez no lugar certo. Levantou a cabeça, exausta, e se olhou no espelho. Gente, como eu estou pálida.

Eu não quero nem comentar a quantidade de vezes que pessoas passaram como um elefante descuidado em cima do meu pobre coração sonhador.

Uma enchente de pensamentos loucos me invadiu. Não é como se eu quisesse pensá-los. Não é como se eu pudesse, de qualquer forma, fazer algo para impedí-los de ir em frente. Eles simplesmente tomaram forma e me torturaram por dias que pareceram anos. E não tem como negá-los, por que esses descontrolados pensamentos sem sentido são o que eu sou no mais profundo do meu ser.  De alguma forma eu sei disso. Que eu sou um ser pensativo no fim das contas. Eu não gosto de sê-lo, mas não tem modo de acabar com isso, a não ser acabando comigo também. E, obviamente, eu não quero acabar comigo.  É apenas que isso é tão doentio. Simplesmente tão ridiculamente sem sentido e sem necessidade. Sério, apenas algumas vezes eu queria não ter uma divisão tão forte entre bem e mal, certo e errado. Ou não pensar tanto nessa divisão. Masoquismo não é bem a minha praia, não gosto de sofrer. E ainda mais um sofrimento sem causa decente.

Por mais que eu tente, eu não consigo ser alguém ruim ou errado de verdade. Dependendo do dia, eu até consigo ignorar uma velhinha de pé, mas fora isso não há nada de tão ruim assim que eu consiga fazer e não ficar me matando de culpa depois.

Uma coisa que ela nunca entendeu verdadeiramente foi esse negócio de competição. Ela sempre se achou uma retardada boba e romântica por que não conseguia competir. Não no amor. Nunca achou que fosse uma guerra válida. Para ela sempre foi tão simples: é só amar e ser amado. Sem querer estar por cima, apenas estando no mesmo nível: o infinito. Por que, sim, amor bom é aquele amor que não tem tamanho. Querer medir o amor é uma tarefa inútil. Como enxugar gelo. Sendo que o gelo um dia vai acabar. O amor não. Não o amor de verdade, o amor vindo das profundezas mais enlouquecidamente longíquas do nosso coração.

A competição nunca coube e nem caberá, ela pensa. Por que para ela o amor não deve ser complicado e dolorido. Ele deve ser o melhor. A beleza. Não o medo. O enviar uma SMS só para lembrar ao seu amor que, sim, o ama. Sem a problematização. Sem sequer esperar uma de volta. A mensagem tem unicamente a função de estravazar algo que toma o seu peito e a enche de tanta alegria pura e ilumiante que é impossível ficar calada sobre isso com o ser amado. Sem medo de amar demais. E qual seria o problema, se a outra pessoa também te ama nessa mesma proporção: o demais?

PS: Se não faz nexo, entendam o por que: esse post é uma mistura de todos os posts inacabados que eu tinha aqui. Queria limpar, mas não queria jogá-los no limbo internético.

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6 thoughts on “Nada se perde.

  1. Começou com vomitos, terminou falando do amor. Nossa, que confusão! Só lendo o ps que eu entendi ! rs
    Adorei, não entendo porque você não conseguiu acabar com esses textos, eles são ótimos!

    Beeeijos!

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