Quem vê cara, não vê psicose.

Das séries O que eu fiz para merecer isso?, Saindo no meio da aula e Enganado-se geometricamente.

O que eu não consigo entender é por que ele defende tanto esse ponto de vista radical e até, eu diria, hipócrita. Sim, hipócrita. E eu não sei como pude me enganar tanto com um professor na minha vida. É muitissimamente difícil eu me enganar com professores, juro. Geralmente os professores que eu gosto podem ser divididos em duas classes: os fofos, que dão aula e não pegam muito no pé do aluno ou os durões, que dão aula, puxam muito do aluno e fazem você sentir que está aprendendo alguma coisa. Eu jurei, na primeira vez que sentei na cadeira para assistir uma aula dele, que ele seria do gênero fofinho. Sério. Ele lembra muito a minha avó. Não que ela seja do gênero frágil e tal, mas ela é vó e sabe como é cara de vó. Não é como se alguém conseguisse resistir. Mas enfim, a questão é me enganei redonda, quadrada e – por quê não? – triangularmente. O professor não só não é do gênero fofinho como não se aplica a nenhum dos gêneros que por ventura eu goste ou ature. Claro que isso é apenas culpa da falta de justiça desse mundo cão que, vez ou outra, tende a tirar um sarro com minha bela face. Ele é simplesmente do Gênero que não falta uma aula, faz chamada e, para acabar de lascar, não dá o assunto que deve ser visto na cadeira.

Para deixar bem claro, o professor praticamente trocou a nossa cadeira de Sociologia da Comunicação por MST, Ditadura Militar, O capitalismo é uma merda e afins. Quero admitir para vocês que, a esse ponto da narrativa eu já não sou tão wild capitalist como eu era antes. Continuo na minha mesma boa e velha linha adoro hamburgers, Coke e músicas em inglês. Agora, porém, abro a possibilidade de conhecer alguma coisa mais cult sem achar que estou querendo aparecer, igual a uns e outros que já tive o desprazer de conhecer e decidi que, provavelmente, sou um ser a favor da paz e do não-radicalismo de qualquer forma. Então, de fato, eu não ligaria se ele estivesse dando, sei lá, Teoria Marxista. Não, juro que não ligaria. Por que estaria aprendendo alguma coisa interessante, que eu ainda não entrei em contato em profundidade, embora não concorde e não vá aderir a esse tipo de pensamento. Mas, como dizem por aí, você deve conhecer os dois lados da moeda. Certo, ninguém diz isso assim, mas enfim. A questão é que é praticamente, sei lá, uma aula-desabafo: “Não, por que eu fui torturado e por que os camponeses no MST isso e por que os jornais aquilo“. Sem querer desmerecer quem lutou e foi torturado na ditadura de modo algum, mas venhamos e convenhamos: Os companheiros estavam lutando para impor um regime tão brutal quando o vigente. Creio que o dito professor deveria olhar para o AGORA e ter vergonha de defender algo assim. Talvez ele devesse olhar até para o passado e ter BASTANTE vergonha de defender algo do gênero. Por que, sinceramente, é só observar: países  de cunho esquerdista como China, Cuba e, digamos, Venezuela não são países nos quais a democracia é ativa. E não precisa ser nenhum gênio para notar isso. As pessoas não têm LIBERDADE e a imprensa é censurada o tempo todo. Na China, se você pesquisar algo que porventura tenha Tibet no meio, no outro dia tem alguém lá na sua casa lhe perguntando por que você pesquisou aquilo. Então, resumidamente, ditaduras de direita e de esquerda são UMA MERDA e a maioria dos marxistas roxos como o professor, que lutou na ditadura militar contra a opressão da mesma, defende a luta armada, SO: HIPOCRISIA TOTALLY MODE ON.

Por isso que eu achei foi pouco quando William Bonner, que veio fazer uma palestra aqui em Recife, na UNICAP – infelizmente eu não pude ir, mas sabe como é, eu tinha olhos e ouvidos por lá – fechou com a cara de um professor de Sociologia da Comunicação de lá da UNICAP e, thanks God, foi devidamente aplaudido pelos espectadores do barraco. Qual é? Um dia desses veio o professor, cheio de lenga-lenga, querendo saber se a gente achava certo ter que seguir uma determinada linha editorial num jornal. Eu, cínica como sou, respondi numa das poucas vezes que tive coragem de ir de contra às suas ideias (ele é velho, já sofreu muito e não quero parti seu coração cansado): “Não vejo nenhum problema. Sinceramente, em todos os empregos você realmente tem que obedecer ao seu patrão. Por que no jornalismo tem de ser um problema? Ele paga seu salário, você escreve pra ele, logo você escreve o que ele quer…” Claro que meu professor ficou que dentadura arriada com isso, por isso decidi não ter mais rompantes na aula dele. Não sei o que ele queria. Queria que o jornalismo fosse um mar de OPINIÕES e não de INFORMAÇÕES? Ninguém saberia em que confiar, assim. Quer dar OPINIÃO? Abre um blog, que nem eu, e põe a boca no trombone. Agora, sinceramente, é muita cara de pau esculhambar o cara e ainda querer que ele te pague por isso. Vamos combinar né?

Nessa ondinha aí, Paradigmas e visões sobre a Sociologia da Comunicação necas de catibiribas.  Mas provavelmente já conheci oitocentas técnicas diferentes de torturar alguém. Aquela sala de aula é a primeira delas.

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5 thoughts on “Quem vê cara, não vê psicose.

  1. Gente hipócrita é o fim! Professor então, nem se fala. Tenho alguns, talvez tão “bons” quanto os seus =P
    Quem sabe um dia eu escreva sobre eles também…
    Adorei o texto! 😉
    Bjinhos!

  2. Realmente, faculdade é uma coisa. A cada semestre conhecemos professores cada vez mais “figura”.
    Sinceramente, não gosto de me meter em assuntos de ciências políticas ou sociais, porque além de serem polêmicos, não entendo muita coisa sobre. Professores dessas áreas tendem a ser parciais, até porque acho meio que impossível ser imparcial o tempo todo.

    ;**

  3. Cara eu concordo com algumas coisas que disseste. Esses sociólogos pensam que imprensa não é uma empresa. E é! Me tiram do sério isso também. Ainda nos culpam por alienação, isso não existe ¬¬’
    Parecem frankfurtianos que viviam em outro século. ACORDA! Século XXI . É pra modernizar alguma coisa né ?

  4. O melhor professor de História que já tive na vida era um desses protótip anti-sistema, mas preciso dizer que ele era incrível, pois falava (muito) de suas ideologias, mas ensinava sua matéria como ninguém. Os professores tem que ser cuidados e tolerantes e verem que são realmente formadores de opinião, e influenciar seus alunos é saudável até certo ponto. Na faculdade, é necessário ser mais atento ainda, já que as coisas ditas não são engolidas tão facilmente como acontece no ensino médio, um exemplo disso é esse seu texto, ótimo, preciso dizer. Bem com esse professor, tire um proveito único: se aproprie de certos discursos inflamados comunistas dele para aplicar em toda e qualquer prova de História, Sociologia, etc, etc que tenha que fazer, sempre que me dá branco começo a meter o pau no CAPETALISMO e tiro notão, haha
    beijos

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