17.17 – A vitamina de banana.

A merda toda é a porcaria da vitamina de banana. Sim, dentre de todas as comidas existentes nesse mundão de Deus, ela tinha que cismar justo com a danada da vitamina de banana.  Com tanta comida chique pra ter como comida predileta, tanta comida legal e de gosto geral – algumas vezes gostar da mesma comida, assim como das mesmas bandas e do mesmo perfume ajuda na hora de se dar bem com as pessoas. Ou não, enfim. – ela tinha que escolher vitamina. E de banana, ainda mais. Não é uma exótica como, sei lá, mamão ou abacate. Ou maçã. Ou algo ainda mais esquisito e que faça o meu estômago dar mais voltas, enojado, ainda. Mas não. Ela era na dela. Uma garota relativamente fácil de agradar. Para quê complicar as coisas? Era só ter a vitaminazinha bananal dela e tudo ficava bem. Nada de peixe cru esquisito e venenoso. Não, não. Era uma garota realmente de gostos simples.

Mas aí, o que foi que ocorreu? Claro que ela chegou naquela idadezinha porre. A adolescência. E sobreviveu às turras com seus pais. Gentinha psicótica essa. Não entendiam aquela mudança de comportamento. Achavam que a filha podia estar envolvida com drogas. Que nada. Ela continuava vidrada na bendita vitamina de banana. Ela só tinha se apaixonado. E, claro, queria ser feliz com o seu amado. A sua banana ambulante. Queria comê-la. Sozinha. E não queria ninguém metido nisso. Nem atrapalhando aquela que seria, na sua opinião, a refeição mais gostosa da sua vida. Claro que seus pais insistiam em meter leite e água na sua banana – eles ignoravam que essa banana fosse diferente das outras. Ela não queria mais ajuda. Não com essa banana. O banana, na verdade. Não que ele fosse bobo. Só era, para ela, apetitoso como uma banana. Dava realmente vontade de comê-lo, algumas vezes. Mentira. Ela tinha vontade de comê-lo o tempo todo. E foi o que aconteceu, claro, visto que o banana dela também tinha meio que vontade de ser comido. A vontade dele não era tão grande como a dela, mas ele deixou ela tirar um naco dele. Não matou a fome. Apenas fez seus sentidos clamarem por mais.

E foi por isso que ela abandonou seus pais, sua casa. Trocou-os pelo banana. Claro que deu certo. O banana não sabia fazer vitamina. A bendita vitamina de banana. Ela pensou, certa vez: como pode alguém não saber fazer algo tão simples? E foi lá tentar fazer. Não conseguiu. Então lembrou. Lembrou que quem sempre bateu a banana com leite e açúcar fora sua mãe. Aquele serzinho loucamente irritante. Mas ela sabia fazer vitamina de banana. O bananão levou um pé. Claro. Que chance ele tinha contra isso? Ele não era qualificado para o cargo. Ela voltou com o rabo entre as pernas, sedenta. Os pais não estavam à vista, quando olhou suspeitamente para os lados. Abriu a geladeira.A sua caneca lhe esperava, cheia. De vitamina. De banana. Tomou um longo gole, feliz da vida, as lágrimas rolando. Não há lugar como a nossa casa.

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16 thoughts on “17.17 – A vitamina de banana.

  1. Eu ri alto com a história de “apetitoso como uma banana” e “vontade de ser comido” (6) AHHAHAH eu não tenho jeito mesmo! rs
    Já disse que sou fã do seu jeito de escrever? Pois é… eu sou! ADORO!
    Beijão!

  2. SHAUSHAUS, morri de rir com o final ;DDD Nossa, adoro seu estilo de texto! Já dá pra roubar o lugar da Lili Prata no Desneurando da Capricho! Rs.

    Ai, e as dicas sobre mudar de domínio pra .com? #helpmegirl :/

    Um beijo ;* Você é mara *–* E esse ano, pode crer que a gente vai ser colega de TDB ;D

  3. ADOREI o texto. Não vou dizer que me identifiquei, mas adorei, fui fuxicar o seu perfil depois e eh claro: faculdade de jornalismo. Você escreve super bem, eu adorei a história, bem inspirada, e desenrolada a partir de uma coisa tão simples como vitamina de banana rsrs. Tah, a parte do cara foi super engraçada, mas eu entendi o lado filosófico do texto. Beijoks

  4. Muito divertido o seu texto. Acho que nunca vi algo tão humorístico assim em blogs. As imagens que você criou são simplesmente hilárias.

    E partindo pro pessoal, eu não como frutas. Mas às vezes desce uma vitamina de banana. Vai entender.

    Beijo.

  5. Morri de tanto rir com o texto, Hahaha! De verdade, adorei. Principalmente o final meio Dorothy de O Mágico de Oz. Acho que nenhum churrasco no mundo ganha o do meu pai, nenhuma lasanha bate a da minha mãe e ninguém faz panqueca como vovó.
    Não há lugar como o lar. SHGAHSUAHSUHAUS
    Beijoooos!

  6. olha, eu tentei, mas esse papo de comer banana é inteiramente suspeito, hahaha
    Espero que esteja tudo bem com sua vida, e principalmente com voce.

    beijo, VISITA MEU BLOG NOVO!

  7. É, esse final me surpreendeu, amigue. E sabe, enquanto lia o texto, o tempo inteiro fiquei pensando naquela família de bananas na propaganda da Kibon .D “mas eu não quero ser uma banana” ahaha
    Adorei o texto!
    Um beijo

  8. Muito, muito, muiiiito foda! Vitamina de banana + o banana…no final eu já estava achando que vc largou td pra viver com o namorado e depois ia voltar hauauah custei a entenderr!
    Obrigada pelo elogio ao meu blog no formspring…me emocionei!
    bjs

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