I’ll never lie to you again

Não gosto de mentir. De verdade. Tem gente que não mente por razões éticas e sociais, por que acham errado e toda a sorte de motivos variadamente legais e bonitos pelos quais as pessoas defendem a sinceridade. Eu, sinceramente (ha!), não sou tão altruísta. Eu não gosto de mentir pela simples razão de que, uma hora, eu terei de contar a verdade. E vai ser tão mais difícil contar a verdade quando eu já tiver contado a mentira. Uma verdade que possivelmente não machucaria se contada na hora devida machuca, quando desmente algo que já contamos antes. Por que algumas vezes não é bem a verdade que machuca, e sim nossa atitude. A nossa decisão de mentir.

O coração dela batia desabalado ante a sua decisão repentina de admitir seu erro. Ela não queria. Ela não queria admitir. Não por que ela não tivesse errada. Mas por que ela sabia que iria machucá-la. Iria machucá-la e ela não saberia o que fazer com aquela sensação absurda de culpa por ter feito algo que, realmente, não fora de má fé: estava tentando protegê-la. Mas quem era ela, não é mesmo? Quem ela pensava que era na vida para decidir o que alguém devia saber ou não? Ainda assim, o protecionismo inflado pelo amor levara-a a mentir. Por que, afinal?  – pensara. Por que hei eu de complicar as coisas com esses detalhes mínimos? Mas agora os detalhes mínimos cresceram enlouquecidos e a sufocavam, de modo que ela não podia aguentar mais. Ela teria de contar e ela teria de entender. Ela teria de entender que ela fizera isso na melhor da intenções – é, de boas intenções o inferno está cheio. Mas a situação não estava para ditados malignos. Era uma situação extremamente desregular. Ela lhe ofereceria sua mentira. E esperaria o perdão – rezaria por ele.

Para mim, só o perdão do outro não adianta, embora seja imprenscindível. Não. Eu preciso, antes de tudo, perdoar a mim mesma. Assim como sou um ser problemático para perdoar os outros, também tenho grande dificuldade em perdoar a mim mesma. Por ter feito alguém querido sofrer por causa de uma escolha burra. Por ter sido uma pessoa fraca, desacreditada na capacidade do outro de lidar com alguma situação. Na maior parte das vezes, meu medo de magoar, de ferir sem necessidade, na minha opinião. Por medo do que possa acontecer, eu suprimo aquilo. Faço com que desapareça. Mas a verdade sempre voltar. Para atormentar. Ou não. Para insistir que seja dita. Que seja socializada. As pessoas tem direito de saber o que tem a ver com elas. Não temos nenhum direito sobre isso. Se o mundo fosse perfeito, ainda seria assim. Elas teriam esse direito.

Quando minto, sinto uma dor tão grande no coração. Não estou falando de mentir pra amiga dizendo que ela está ótima, por que isso, por inverdade que seja, ainda é considerado por mim uma boa ação. Certamente: das mentiras, a menor. Me sinto uma traidora. Mesmo que tenha feito aquilo pensando no melhor para a pessoa, eu não consigo evitar essa sensação de estar fazendo algo ruim.

Menti. Minhas razões são altruístas. Na verdade, menti pra mim mesma todo esse tempo. Eu posso ser altruísta, sim. Eu só não sei ser isso com todo mundo.

PS: Não se importe se não tiver entendido. Me esforcei ao máximo para que assim fosse.

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3 thoughts on “I’ll never lie to you again

  1. Ei Amanda.
    Em relação ao começo do seu post, minhas razões para não mentir são exatamente as mesmas. Sempre penso que uma hora a verdade tem que aparecer, que seja logo então, pq depois, com certeza o embaraço é beeeem maior.
    =X
    Beijoss

  2. Sabe, Amanda, eu também só acho que tudo está resolvido quando me sinto bem comigo mesmo. Quando minha consciência fica livre.

    Nem sempre a solução está nos outros. Perdoarmos a nós mesmo é o primeiro passo. E devo te parabenizar, porque sei que isso não é nada fácil – e que deixar de ter orgulho é um dos maiores sinais de maturidade.

    Beijo!

  3. Também não gosto de mentir. Pelo simples fato de que não gosto que mintam para mim. Aquela máxima de “não fazer aos outros o que não gostaria que fizessem comigo”. Só que tem horas que é inevitável. Eu fico com a mentira para não magoar. E nem me sinto tão culpada assim, porque procuro mentir nas vezes em que nunca precisarei revelar a verdade…
    Bjitos!

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