Sobre se sentir criança

Engraçado como, mesmo eu tendo feito 20 anos em maio desse ano, eu não consigo me sentir adulta. Não importa se eu converso sobre sexo e métodos contraceptivos, se eu me estresso sobre algum problema na faculdade ou no estágio ou se estou ligando, agora mesmo, para uma auto-escola ( que é os olhos da cara, 650 reais! ) com a intenção de finalmente aprender a dirigir e acabar com essa história de que mulher e volante não combinam – sem piadinhas, cavalheiros. Eu era realmente MUITO BOA em Top Gear e Mario Kart. Então vocês não vão querer brincar comigo, vão? Ainda mais se forem informados que eu também dava uma surra com a Chun Li no Street Fighter. Humpft.

Mas, enfim, eu não me sinto adulta. Não consigo me sentir, mesmo quando eu e Weslley estamos falando do nosso futuro iminente, de contas, de trabalho, de comprar um apartamento, coisas que –  indubtavelmente – pertencem à vida que chamamos de adulta. Não entendam como se eu estivesse fugindo da vida adulta. Não estou. Eu trabalho, estudo, junto dinheiro pra casar e sou bem feliz assim. A adultice chegou em mim, mas é como se apenas nos aspectos práticos. Por dentro, não consigo abrir mão de assistir Sakura Card Captors nem de ler histórias de finais felizes bobas, que geralmente não fazem muito sentido, mas deixam aquela sensação boa ao seu término. Isso é normal?

Quero dizer, isso de se sentir criança. Não deve ser normal.

Ou talvez seja. Quero dizer, não vou mentir. Adquiri um pouco de adultice, sim, ao passar dos tempos. E não vejo NADA de bom nisso. Certo, talvez eu tenha me tornado um pouco mais responsável do que era – mas como nunca fui irresponsável, não faz diferença. Mas, fora isso, o que me veio foi um abuso dos infernos com bobagens alheias. O que antes podia ser motivo para gozar a cara alheia hoje é motivo para ficar irritada e perguntar “Por que você é tão idiota?”, acompanhando a pergunta, claro, com um olhar de desprezo. Não digo nada além da verdade aqui, e a verdade é que eu era tão mais inocente e maleável quando era mais nova e, apesar de me sentir criança ainda, gostaria que essas características bonitas não tivessem me deixado no meu processo de crescimento. Sinto falta de olhar alguma coisa/pessoa e não julgá-la de imediato. E sinto falta de coisas mais palpáveis, como do tempo em que eu dispunha de tempo para tudo que eu quisesse fazer. Eu lia livros grossos como Harry Potter em dias, por que tudo o que eu tinha que fazer era meu dever de casa e pronto, estava livre.

Eu tinha a chamada Síndrome de Peter Pan, quando eu era menor. Não queria ficar adulta. Queria ser criança para sempre. Provavelmente isso foi causado por algum disturbio psicológico leve, desses que abrangem as crianças que eram filhas únicas e terminam ganhando uma irmã(o). Enfim, não sei bem explicar e também nem precisei de tratamento por que, no fim, a gente termina chegando à conclusão que NÃO TEM JEITO, você tem que crescer. Mas talvez isso explique muito sobre essa criança interior psico minha, que não quer ir embora e que eu não quero que vá, também.

Eu gostaria de manter essa minha criança interior viva para sempre. Só ela consegue ver a importância de pequenas coisas no nosso cotidiano. Só ela pode me salvar de cair na merda total que é esse dia-a-dia no qual as pessoas passam por cima das outras como se elas (as outras) fizessem parte da paisagem. Eu não quero ser assim.

O post não faz sentindo, mas eu queria postar sobre isso.

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12 thoughts on “Sobre se sentir criança

  1. Ah, Mandy, mas acho que todo mundo, no fundo, tem esse quê de criança escondido. Eu, ao contrário de você, era daquelas crianças que queria crescer logo. Pra mim, ser adolescente era a glória! Ah, como eu estava enganada! Aí eu dou risada porque parece que hoje, com 16 anos na cara e um vestibular pra passar, eu vivo momentos infantis com meus amigos, até mesmo em sala de aula quando eu deveria estar prestando atenção.
    O importante é saber que essas duas Amandas convivem bem, não dá pra ser 100% adulta (imagina que inferno!) e também deixar a criança tomar conta de tudo, né?
    Beijos

  2. QUANTA FOFURA NESSA FOTO, MELDELS **-**
    Também tenho essa sensação, não sei se é culpa da minha idade ainda começar com 1, mas ainda acho que o futuro está tão longe, sabe?
    Nunca tive essa síndrome de Peter Pan, sempre quis ser grande. E como o karma adora esculhambar a vida, fiquei presa na adolescência! Sem pensar, respondo fácil que tenho 16 anos, e sou tão apegada às coisas entre meus 13 e 16 anos que ainda acho que estou perdida nesse intervalo, só algumas circunstâncias que mudaram.
    Sei lá, acho que é que nem no De Repente 30: um dia a gente acorda e percebe que já cresceu.
    Feliz dia das crianças :****

  3. Ah, eu “adulteci” também, mas sem deixar de gostar de algumas coisas de criança. Cadernos e folhas de fichário tem que ter um bonequinho fofo, o estojo que eu usava na faculdade (e só não uso hoje em dia, porque uso o note na pós) tinha um ursinho de pelúcia e ele era de pelúcia rosa. Amo alguns desenhos da época da minha infância que assisto até hoje…
    Bjitos!

  4. vixe… eu sou criança até hoje, e nao abro mão.
    paaaara de me imitar rapaz! sempre fui A fera em MK e Top Gear, meu irmao ate tinha raiva de jogar cmg.. eauhseoahe
    e SF, sempre de chun li *-*

    ser criança é mt bom, e é normal sim. anormal é o que esse sistema de adulticie faz com nossa cabeça, fazendo a gente esquecer o que é realmente importante: uma comida muito gostosa, um abraço que tem o tamanho do mundo inteiro, um sorriso pra algo que a gente fez.

    por isso que o pequeno principe sempre vai ser um dos meus livros prefs. 😉

    feliz dia das crianças!

  5. Eu era o mestre da rua no Top Gear, hahaha!
    Talvez você ganhasse o Mario Kart, mas tudo bem… Top Gear é Top Gear, hahahaha.

    Me diverti muito com sua postagem. É tão bom ler coisas assim 😀

    Feliz dia das crianças!

    P.S.: quanta fofura você!

  6. Enquanto vc não consegue se sentir adulta, eu acho que eu nunca consegui me sentir criança. Não sinto nenhum pouco de saudades dessa época sem responsabilidades, contas e o digno cartão de crédito.
    Acho que abri mão cedo demais. Ou nunca fui.
    beijos!

  7. Eu acho que faz muito sentido sim. E eu sei como é isso: eu não consigo me enxergar adulta. Talvez também não me veja mais como criança, justamente por todos os poréns que você falou, mas talvez uma adolescente eterna. O que, com certeza, é reafirmado pelo fato de que eu TENHO cara de nova e ninguém me enxerga como adulta, mesmo aos 22 anos.
    Mas também… não tenho pressa… (:

  8. Ah, eu tenho meu lado criança, não tenho vergonha e nem me incomodo.
    Estou assistindo InuYasha no meu computador, para depois ir assistir Full Metal Alchemist e Hunter x Hunter, e quem sabe, ceder ao Naruto tão idolatrado pelo meu namorado de 19 anos! rs
    Sou viciada em joguinhos, seja os de orkut ou aqueles que você leva pelo menos seis meses para chegar no lvl máximo. E não me incomodo.
    Escrevo fanfics, contos bobinhos, histórias sérias. Isso não tem nada a ver com ser criança, é apenas a vida de quem gosta de se divertir com meios considerados infantis, mas que não são.
    Tudo bem, tenho 16 anos, mas não era para mim estar preocupada com essas frufruzices de adolescente e ser uma superhiperultramega fã de Justin Bieber e morrer querendo que um vampiro me morda?
    Esse é o lado que eu abdiquei e agradeço aos céus por ter pulado essa parte, sempre fui bem diferente, nunca me incomodei com as minhas criancices porque elas botam cor nessa vida cinza de adulto. Tenho meu lado adulto também, cuido dos meus irmãos quando meus pais não estão, ajudo nas atividades domésticas, estudo, trabalho, junto dinheiro e penso no futuro, como um apartamento, um carro ou uma moto.
    Mas isso faz parte, acho até que o meu comentário ficou meio nada a ver com o seu texto, desculpa, me empolguei! rs
    Quanto ao conto, que bom que gostou dele, espero que termine o seu!

    Beeijos!

  9. Eu acho que isso é normal, as coisas mudam por fora, mas por dentro nem tanto. Acho que, de pouquinho em pouquinho, a gente perde tudo isso. E quando menos esperamos, viramos aqueles velhinhos rabugentos. Por isso é bom aproveitar enquanto nos sentimos crianças, mesmo não sendo realmente isso.

    Estou tão tchutchuquinha nessa foto, own.

  10. Olá!
    Eu admiro as pessoas que se sentem crianças ainda. Porque, na verdade, eu me sinto uma velha ranzinza em excesso. Tenho inveja de gente que sabe amenizar as coisas, tratar com humor ou com uma ingenuidade certamente infantil. Ser criança é tão bom!
    Tenho saudades, entretanto, do tempo em que era criança. Mas acredito que sábio é aquele que vive na idade que tem. E poucas pessoas sabem viver assim. Eu, pelo menos, tento.
    Um abraço!

  11. Gosto do teu jeito de escrever.

    Mas admiro mais ainda como tu sutenta tuas escolhas. Elas não são aleatórias, para todas há justificativas. Tu joga limpo.

    E isso é massa.

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