Temamos todos

Por que eu sou a mais nova habilitada desse BRASIL.

(Essa é a parte que vocês correm para se abrigar dentro de suas casas, gente)

Entonces. Consegui. C-O-N-S-E-G-U-I! Quem me segue no Twitter já deve saber que eu passei, linda, na prova prática do Detran – a última e mais aterrorizante barreira que me separava da minha habilitação de categoria B (não fiz questão de me habilitar na A, por que DETESTO andar de moto e né? Pra quê aprender a dirigir em algo que eu NÃO VOU DIRIGIR? Makes no sense)! Mas achei válido deixar aqui um relato detalhado de todo o processo por que, com alguma sorte, essa vai ser a única vez que eu vou passar por esse teste. E, de qualquer forma, foi a primeira prova para a primeira habilitação. Merece um Antes – Durante – Depois né?

Antes

Pois bem. A aquisição da minha habilitação estava nos meus planos desde sempre e eu disse a mim mesma que seria algo que eu faria assim que arranjasse um estágio decente. E daqui a pouco completararia um ano de estágio e necas d’eu tirar minha carteira. Daí, no final de dezembro de 2010, saí à caça de boas baratas auto-escolas. Terminei escolhendo a SAEPE que dividia os R$500 cobrados em duas vezes e se encaixava decentemente no minha situação bancária. E também por que se encontrava à uma distância andável do escritório onde Weslley trabalha, então eu podia voltar das aulas com ele, todos os dias. Mas eu não deveria ter feito isso. Isso de escolher a mais barata, dar um tiro no escuro. Por que o que essa auto-escola me proporcionou de dor de cabeça NÃO tá no gibi. Não tanto pelos seus instrutores, que eram até bons – principalmente Luciano, que me deu aulas práticas de carro -, mas pelas recepcionistas, que foram desatenciosas e não explicavam nada para mim – nem para ninguém  – até que eu quebrasse a cara. Gente! I mean, se eu já soubesse como funciona todo o sistema, EU NÃO ESTARIA TIRANDO A PRIMEIRA HABILITAÇÃO, né?! Pois é, mas essa lógica BÁSICA não estava nem um pouco clara para aquelas bitches da SAEPE. Primeiro, elas me mandaram fazer o exame, MAS NÃO AVISARAM QUE TINHA QUE LEVAR O COMPROVANTE DE PAGAMENTO. Eu, na minha inocência, achando que era tudo automatizado e que o pessoal dos consultórios já tinham meio que uma lista de quem iria fazer exame lá e talz, dei com a cara na porta quando, DEPOIS DE DESCER NA PARADA ERRADA E ANDAR INCONTÁVEIS QUARTEIRÕES, a recepcionista do local perguntou, calmamente, pelo comprovante. Meu único pensamento foi: F U D E U. Por que o consultório ficava MUITO longe da minha casa e se eu tivesse que pegar um ônibus para voltar pra casa, pegar o papel e voltar, já teria terminado o horário de consulta e eu teria que pagar outra taxa para fazer um exame pelo qual eu já havia pago. O jeito era partir para tecnologia. Ligar pra casa, pedir pro meu pai escanear o documento e enviar anexo via e-mail. Essa era a ideia e daria certíssimo, SE O CONSULTÓRIO TIVESSE E-MAIL. Ou até internet. Sim, não tinha internet nem nada do gênero. Quer dizer, COMOFAS quando se é tão azarada assim? Já estava quase chorando quando meu pai teve a ideia de passar um fax. Lá tinha fax, YAY! Mas havia algum tipo de incompatibilidade da nossa placa fax/modem com o fax de lá, POR QUE O PAPEL SIMPLESMENTE SAÍA EM BRANCO. Vocês podem imaginar que nesse momento eu já estava num estado de revolta que só Murphy entenderia. E eu ainda tinha um teste psicológico depois disso.

A saída encontrada foi: meu pai anexar as imagens e enviar para Weslley > Weslley imprimir as imagens > Weslley enviar um fax pelo aparelho do trabalho dele. O que, GRAÇAS A DEUS, deu certo. Vocês não têm noção da quantidade de ódio que havia no meu coração unica e exclusivamente dedicado aquelas malditas recepcionistas da SAEPE. Elas não podiam ter, SIMPLESMENTE, avisado para levar o maldito comprovante? Pode parecer óbvio para vocês, mas para mim não pareceu – e para outras pessoas também não, pelo o que eu soube. Mas ok, fiz os exames, passei e começamos as aulas teóricas.

Sobre isso é bom também notar outra pisada de bola delas. Elas avisaram para a galera que precisava chegar às 13h, mas não explicaram por que. Como no Brasil ninguém tem aquela chamada pontualidade inglesa, terminou que várias pessoas chegaram uns 15, 20 minutos depois as 13h. E aí, né? TENSO. Por que elas não podiam mais colocar as digitais no trequinho lá e perderiam aquela aula. Não só teriam que esperar essa turma terminar para assistir a próxima primeira aula, como também teriam que pagar por aquela aula. Quer dizer, acho sacanagem. Creio que já fizeram de má fé para angariar fundos extras, se me entendem.  Eu não me ferrei, por que a minha amiga tinha me avisado desse sistema e eu já fui preparada, mas né? Palhaçada.

Durante

As aulas teóricas, apesar de serem NO HORÁRIO da preguiça – o pós-almoço – foram legais. Claro que eu saía de casa totalmente sem vontade e coragem, mas ao chegar lá, me animava. Sei lá, foram aulas legais, o instrutor era divertido e dava pra entender a maior parte das coisas. O ruim foi só aprender a ENORME quantidade de infrações que existem e, ainda mais, a gravidade de cada uma. Quer dizer, algumas eram óbvias, mas  já outras… como decidir se era média ou grave? Grave ou gravíssima? Só decorando mesmo e GOD KNOWS que eu não sou boa nisso. Mas né, fui com a cara, a coragem, as aulas assistidas e os testes feitos fazer minha prova teórica. Fiz 27 pontos (tive que procurar na minhas fotos do Flickr para saber se eu tinha anotado algo sobre a quantidade de pontos feitos, POR QUE EU NÃO LEMBRAVA! D:) e tenho quase certeza que as que errei foram relacionadas às fucking infrações. Esperei uma semana, paguei o outro pedaço do money da auto-escola e marquei as aulas práticas.

O instrutor que eu peguei não poderia ter sido melhor. Luciano é calmo e me ensinou tudo direitinho! Ele não era dos mais falantes, no começo, mas depois ficou tão “íntimo” que até bronqueou por que eu tinha pego muito sol num fim de semana. Como sempre, a minha vontade de ser a melhor aluna falou mais alto e eu tinha que ahazar. Sim, tenho essa síndrome em quase tudo que eu goste. E eu gosto de dirigir, apesar de ainda estar começando e ter MUITOS estresses com os quais lidar. Então, aprendi rápido a fazer rampa e garagem. Mas, claro, a baliza deu bem mais dor de cabeça do que deveria. Principalmente por que no dia que eu ia aprender baliza, me trocaram de instrutor SÓ DE SACANADJI e eu, taurina ferrenha que sou, detesto mudanças. O tal do instrutor parecia que estava com sono e/ou desinteressado enquanto me ensinava a fazer a fucking baliza (vire tudo pra direita, para um palmo depois de ver os dois faróis, vire tudo pra esquerda …) e, claro, não aprendi. Pelo menos, não nesse dia. Até bati no protótipo e tudo. UÓ. Entretanto, nos outros dias, foi Luciano mesmo que me ensinou e eu terminei pegando tudo, graças a Deus. Também teve uma BOA ajuda de Weslley, meu menino de ouro, que me levou para treinar baliza umas duas vezes lá na Lagoa do Araçá e que, definitivamente, me deu umas dicas valiosíssimas para me dar bem nessa parte do teste.

Depois

Então. A verdade é que minhas aulas práticas terminaram dia 17/02. Sim. E eu fiz a prova dia 04/03. Daí vocês fazem as contas e chegam à conclusão que eu estava há umas duas semanas sem treinar a temida baliza. O menos ruim é que na véspera da prova teve uma revisão – que consistia basicamente em fazer uma baliza, uma rampa e uma garagem – e aí deu pr’eu ver que eu não estava mal, por que as duas balizas que eu fiz, fiz com perfeição e dentro do tempo certo. Saí bem mais calma da revisão. Weslley, meu namorado (pra você que caiu de paráquedas no meu blog e tá mais perdido que pirraio em Hiperbompreço), já havia me dito que eu estava boa na baliza. E bem, eu não estava preocupada com o resto. Afinal, garagem é simples e rampa também. Né? NÉ?

Cheguei às 6:40 na auto-escola e, ADIVINHA!? Não tinha ninguém além dos alunos do LADO DE FORA dela. Vale acrescentar que eles tinham marcado com todo mundo para se encontrar lá nesse horário, para sairmos às 7h. Claro que NÃO rolou. A peste da recepcionista veio chegar eram umas 7h10 e minha paciência já estava bem pequenininha. Entramos, ela distribuiu nossas requisições – um papel necessário para fazer a prova – e todos foram para uma sala para receber as últimas instruções. Até o presente momento eu estava bem calma. Sério. Eu havia feito a baliza direitinho no dia anterior e, para mim, isso que importava. Não havia qualquer ansiedade/nervosismo dando as caras até aquele momento. Pois é. Até aquele momento. Quando o instrutor começou a falar do percurso que teríamos que passar, fiquei tensa. Quando ele nos mostrou um vídeo, feito há bastante tempo, de pessoas fazendo a prova do Detran – e, algumas, se ferrando – a tensão virou um iceberg que se depositou desconfortavelmente na minha barriga. Entramos no micro-ônibus da auto-escola. E se, né? Eu teria que fazer aulas de novo. E fazer essa prova de novo. Eu não teria tempo. As aulas da faculdade iam começar pra valer, eu estagio pela manhã. Impossível. Não, melhor não pensar nisso. Esses pensamentos me passavam pela cabeça enquanto uma mulher, que aparentemente também estava nervosa, falava sobre o cachorro, papagaio e os periquitos da vida dela. Eu meio que tive pena, por que é quase assim que eu fico quando estou muito nervosa e tem alguém bobo o suficiente para sentar ao meu lado e puxar papo. Termino jogando a minha vida em cima da pessoa sem a menor cerimônia e depois fico com vontade de morrer, POR QUE NÉ? Ou fazia, por que dessa vez eu fiquei mais calada que tudo nesse mundo. At least enquanto estávamos no ônibus. A mulher não parava de falar NUNCA e, quando eu pensava em falar, ela me atropelava de forma abrupta. Só me restava observar, longiquamente, aquele pedação de coisa gelada no qual se transformara meu estômago vazio e sorrir educadamente enquanto a mulher me contava sobre a sua separação e seu recente noivado.

Finalmente chegamos e o Detran tava daquele jeito né? 800 filas e QUAL ERA A CERTA? Terminamos achando a fila certa e a peste da Nice – acho que era esse o nome dela – NÃO PARAVA de falar nunca. A ponto que fui obrigada a puxar papo com outras pessoas só para mudar a trilha sonora. Horas da voz dela É MAIS do que eu podia aguentar. Pra tudo tem limite! Comecei a conversar com um cara que tinha feito aulas teóricas comigo e ele estava super nervoso. Se juntou à conversação um cara que estava conversando com esse cara antes de mim e ficamos todos alegremente falando sobre graus de miopia – sim! Saí para lanchar, voltei e a fila não havia se mexido um milímetro. Continuamos conversando, dessa vez sobre cartões de crédito. Algums faturas e cartões cancelados depois, a fila andou e finalmente fomos para a sala de espera 1. Lá tinha janelões de vidro e dava para ver o pessoal subindo a rampa. E aí começou a tensão for true. Detestei ficar assistindo o pessoal subir a maldita rampa. Toda vez que o carro da galera morria, me dava aquela dor. O pensamento generalizado era “podia ser eu”. Fui chamada – minha senha era a 337 – e me mandaram ir para a sala de espera número 2, com uma planilha que já era a que marcaria se eu fui aprovada ou nao no teste que se aproximava.

Mas se aproximava LENTO como uma lesma em estado choque. Entrei na sala de espera 2 – que é a REAL sala de espera, por que é de lá que chamam você pra fazer a prova – às 10h e pouca da manhã e vim fazer minha prova eram umas 15h e pouca. OU SEJA. A SAEPE só tinha mandado DOIS carros para lá e como, GRAÇAS A DEUS, quase todo mundo estava completando o percurso, o tempo entre um e outro era longo. Eu era o número 22 e quando eu cheguei na sala 22 estava no número 12. Daí vocês fazem as contas de quanto tempo foi para esses 10 que me antecederam.

Tudo o que eu sei que foram 5 horas – na sala de espera 2 – de tensão, emoção e MUITA TORCIDA por pessoas que só vi naquele dia e que, provavelmente, nunca mais veria novamente. É impressionante o sentimento de solidariedade que nos assola quando estamos todos nós, sentados naquelas cadeiras desconfortáveis, de estômago roncando e esperando com vontade e medo, que chamem nosso número. Cada estanco do carro alheio dói em nós como se fosse conosco mesmo. É um tipo de sentimento estranhíssimo. Acho que uma hora antes d’eu fazer a prova uma menina foi reprovada depois de estancar MAIS DE 10 VEZES na rampa. Quer dizer, o cara foi praticamente obrigado a reprová-la, por que né? Ela não conseguia sair do lugar. Complicado.

Fiquei nervosa com a maldita rampa. Vi tanta gente estancando nela que não pude evitar. O cara que foi antes de mim – o número 21 – estancou três vezes na bendita, antes de cair um monte e sair cantando pneus (ainda não sei COMO ele não foi reprovado!). Eu estava com o coração saindo pela boca e não pude pensar em ideia pior do que começar com a rampa. A baliza, o bicho-de-7-cabeças da prova, nem me assustava mais, para vocês terem uma noção. Tudo o que eu queria era NÃO ESTANCAR na bendita rampa.

A mulher chama meu número. 22. Fiquei lá, do lado de fora, junto com um garoto que estava sentado próximo à mim na sala de espera. Ele era de outra auto-escola e começamos a trocar ideia sobre os nossos icebergs estomacais. O carro que eu iria pegar vinha aí. O cara ia fazer a baliza, sair e então seria a minha vez de fazer a prova. Uma mulher, ao terminar a prova, bateu num carro que estava estacionado. Tenso. A mulher do detran me chama. “Número 22? Pode ir!”.

Vou andando pro carro. Não quero olhar para as minhas mãos, mas sinto um moleza nas pernas. Sei que elas já tiveram dias melhores e o nervoso já estava dando nos nervos delas. Mas não podia fazer nada. Entrei no carro, ajustei os retrovisores, o banco. Coloquei o cinto, respirei fundo e dei a volta para ir para a rampa. Não tinha mais fila, por que né? Jajá dariam 16h. A maioria das pessoas já tinham feito a prova. Fui só na primeira, acelerando devagarinho. Não seria a pressa a me ferrar, definitivamente. Olhei meu novo bicho-papão. A rampa. Subi um pouco e parei. O examinador me mandou seguir. Tirei o pé da embreagem. Rápido demais. O carro morreu.

PUTA QUE PARIU E AGORA EU VOU MORRER 10  VEZES QUE NEM AQUELA MENINA E AÍ EU VOU SER REPROVADA E QUE HUMILHAÇÃO SER REPROVADA NA RAMPA PUTA QUE PARIU NÃO ACREDITO NISSO E CALMA AMANDA CALMA RESPIRA FUNDO QUE VAI DAR TUDO CERTO

Respirei fundo. Liguei o carro de novo. As luzinhas dele acenderam e eu fui tirando o pé da embreagem de novo. O carro tremeu. Tremeu muito. Pisei mais um pouco. A tremedeira diminuiu; Tirei o pé do freio e o carro, milagrosamente, seguiu. Aliviada, soltei a respiração e tratei de pegar a fila do meio para a garagem. A fila do meio saí na frente da garagem, alinhadinha, e todo mundo quer pegar essa fila. Era, de fato, a maior fila. Mas nem liguei. Não tinha pressa. Não importava de que horas eu saísse dali, desde que eu saísse habilitada. Chegou a minha vez. Fiz tudo com calma, com a teoria e técnica que eu já dominava. O cara me mandou sair assim que entrei. Fui pro teste de rua. O sinal estava verde. Segui. O outro estava vermelho. Parei. Quando fui sair, o carro estancou. WTF. Liguei de novo e saí normalmente. Isso é culpa dessas minhas pernas molengas que não aguentam um nervoso sequer. Entrei na fila da baliza. Ah, gente, eu ia fazer baliza na frente da galera. Que tenso. Mas né? Vamos lá. Traseira alinhada com o banco traseiro, tudo para a direita, ré, tudo para a esquerda, ré. tudo para direita, primeira, tudo para a esquerda, ré. O examinador pediu minha planilha com o documento. Devolveu minha carteira de identidade e disse: “Saia sem bater”. Opa! Acho que fui aprovada. Aprumei o carro, fui pra frente. Depois toda pra direita, ré e então primeira. Opa, ainda não dá pra sair. Ré de novo e então primeira. Saí. Estacionei. Fui aprovada!

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4 thoughts on “Temamos todos

  1. GENTE, QUANTA COISA! Ainda bem que você aguentou! Porque olha, deve ser a coisa mais complicada do mundo aprender a dirigir, ainda mais quando a sua autoescola não ajuda tanto assim. Mas enfim, no final deu tudo certo, ainda bem! ARRASA, MANDY! SUA HABILITADA! hahahaha

    Um beijo :*

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