Somos todos um, gentchi!

Hoje larguei cedo de uma das minhas aulas prediletas – ok, a única aula que gosto (Planejamento Gráfico) – e, como ia na Conde da Boa Vista, carregar meu VEM, terminei pegando um Cidade Universitária/TRT, que estava inexplicavelmente cheio. Inexplicavelmente por que cheisse é coisa do CDU/Várzea e o ônibus do Cidade Universitária/TRT sempre passam vazios por mim, quando não vou pegá-los. Cheguei à conclusão que tenho mais que aceitar o meu destino de atrai-ônibus-cheio e atrai-mendigo. Além de tudo, também atraio gente falante.

Não me levem a mal: sou muito falante. Sou daquelas que falam até a boca secar. Então param pra hidratar e voltam a falar pelos cotovelos, rs. Mas eu simplesmente detesto quando estou no meu momento mais antissocial – que é o busão – e vem gente puxar conversa comigo. Thanks God ninguém puxou conversa comigo, mas chegou uma senhora reclamando da demora do ônibus e rapidamente angariou membros para o seu clube de reclamação Essa-Recife-Não-Presta-Mesmo.

Elas reclamaram sobre tudo: trânsito, violência, má-educação, sujeira, mau cheiro. Eu já estava ficando emputecida. Qual é a dessa galera? Por que mora aqui se detesta tanto a cidade? Eu já estava me preparando para soltar um suspiro profundo e fazer um muxoxo de desprezo, quando a senhora que começou a discussão falou: “Ah, mas os paulistas são muito mais mal-educados!”. Daí todas começaram a meter o pau não apenas nos paulistas, mas em cariocas e no que elas denominaram “Sul” – o que visivelmente era qualquer estado que não fosse da região norte ou nordeste (com possível exceção para a Bahia).

E  eu, que esperava me sentir melhor – agora que as metedoras-de-pau-SA  estavam reclamando de outra coisa que não era a minha cidade natal -, continuei irritada com a situação. A verdade é que eu odeio qualquer tipo, mesmo que longíquo, de xenofobia. E xenofobia dentro do seu país, com seu conterrâneos, é um absurdo.

Eu sinto, na pele, muitas vezes, o peso da ignorância e preconceito alheio com os nordestinos. Principalmente na internet. É bem comum ver coisas como aquele grupo que queria expulsar os nordestinos de São Paulo – intitulados “paraíbas” – ou até comentários feitos por blogueiros que eu esperava que fossem mais inteligentes e não se empolgassem com uma coisa tão ruim quanto preconceito. Comigo. Por que eu sou nordestina e me sinto mortalmente ferida por qualquer comentário negativo feito à minha região. Os nordestinos são tão capazes quanto qualquer um de crescer intelecto e financeiramente e, ao contrário do que se possa pensar, não andam todos de pau-de-arara ou têm suas geladeiras vazias. A geladeira lá de casa vai muito bem, obrigada. O que não vai bem é esse preconceitozinho entranhado na gente, essa nossa mania de querer menosprezar tudo o que é, apenas, diferente de nós.

Apesar do que eu comentei acima, continuo achando absurdo ficar xingando assim a galera de outras cidades ao redor do país. Há pessoas mal-educadas em Recife? SIM! Em São Paulo? Com certeza! No Rio? Sem dúvidas! Então isso não se deve bem às suas cidades natais e sim à educação que foi passada aos mesmos. Devolver o preconceito na mesma moeda, apesar de compreensível, é MUITA burrice. Por que as pessoas estão sempre tentando subtrair e dividir, ao invés de somar tudo isso que nós, brasileiros, temos juntos? Por que as pessoas estão sempre se achando melhores do que outras? Nós somos diferentes, sim. Somos um dos países mais miscigenados do mundo e MUITO rico em cultura. Culturas BEM diferentes, mas não necessariamente excludentes.

Tá na hora de procurar aprender com o outro e deixar esse preconceito de lado, não tá não? Prest’enção, minino!

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3 thoughts on “Somos todos um, gentchi!

  1. A gente é mt parecida mesmo,tb ODEIO gente falante nos ônibus,ainda mais velhos ¬¬’

    Mas eles me amam,lógico.

    Sempre que ouço esse mimimi de ‘ah,em SP é melhor’ ou alguém esculhambando o povo daqui,fico puta.Pq concordo com vc,educação vem de berço,não de estado,cidade ou país natal 😉

    Ahazando como sempre,gatan

    ;*

  2. Ah, confesso. Paulista chama todo mundo de baiano, e eu sempre achei um sarro. Mas não levava pelo pessoal não. Ria da piada. Imagine que eu tinha como ter preconceito com alguma parte do país. Tenho família em tudo quanto é canto, e adoro meus primos baianos! *_* E agora ainda tenho uma amiga recifense tagarela que só! *_*
    Adoro sotaques, acho a coisa mais linda esse Brasil gigante cheio de gente diferente, amo as nossas conversas no skype, meio paulistas, meio pernambucanas, meio mineiras.. e meio eu, que carrego um pouco de capixaba, de mineiro, de paulista e até de curitibano na fala. Deus o livre, sou uma bagunça!

  3. Ultimamente tenho reclamado muito, mas da falta de educação e respeito em geral… Trabalho em escolas e poxa! Está tão difícil ver perspectivas de melhora nisso tudo. É falta de educação no trânsito, no bus, na rua, na escola… em tudo! Eu nem quero pensar onde tudo isso vai parar. Isso, o preconceito e as injustiças me indignam muito. Já com as crianças já percebo o preconceito existente. Têm crianças que acham que chamar o colega de negro, é ofensa, e os que o são, ficam ofendidos. Ser negro não é ruim, mas não é isso que se sente.
    Educação e respeito depende de um ambiente familiar bom e isso pode existir em qualquer canto, assim como o contrário.

    Gostei do post 😉
    beijinhos :*

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