Não esperem sentados

Uma tentativa idiota de me fazer sorrir.

Deus sabe que eu tenho tentado ardorosamente não explodir com todas as provocações que você me faz.  Hoje, infelizmente, você conseguiu. Ou pelo menos é o que as lágrimas escorrendo pela minha face mostram. E conseguiu com tão pouco: um simples desligar-o-telefone-na-cara. Por uma razão boba, mas talvez importante pra você: não estava afim de falar comigo. Não é? Eu também não estava. Eu só queria saber onde estava o fucking veneno para matar as formigas que ficam querendo me levar carregada. Mas não. Você não acha que eu sou digna sequer de saber a localização do veneno de formigas. E desligou na minha cara. Grossa.

Fiquei me perguntando, agora, por que gastei meu dinheiro comprando um presente pr’uma pessoa que nunca vai mudar sua perspectiva diante de mim. Não sei sequer por que perdi meu TEMPO pensando em qual presente comprar. Pra falar a verdade, você nem agradeceu muito, não foi? Se fosse meu pai, teria me dado um abraço e dito um “legal, baleia”. Mas você apenas deu um sorrisinho e falou um “legal”.  Sem graça, mas eu procurei ignorar. Afinal, eu não sou sua filha predileta nem nunca serei. E eu consigo lidar com o seu legal sem-graça.

O que eu não consigo é lidar com o seu horror a tudo o que eu faço e quero. O que eu não consigo lidar é com a inveja que eu sinto de todos os meus amigos e até do meu namorado, que tem uma mãe tão linda e fofa, que está sempre ao lado dele.  Mal posso escutar minhas amigas comentando coisas banais no twitter, como que a mãe trouxe um bombom pra elas da rua, por que quis mesmo. Por que lembrou dela e achou legal fazer um agrado. A pergunta que mais se debate dentro da minha caixa craniana é o maldito POR QUE? O que eu fiz?! Estou sendo castigada pela vida anterior, por que só pode. Eu não quero dizer que eu seja santa, não. Mas tem um monte de gente que também não é e não tem uma mãe que a odeia tanto. Sério.

Minha mãe reclama do meu namoro, que é admirado por todo mundo que eu conheço. “Pra quê passar tanto tempo namorando?”, é o que ela diz. Ela ignora meus argumentos de que eu ainda não terminei a faculdade, nem tenho um emprego decente e muito menos uma casa pra morar. O foco dela é “quando essa menina vai sair da minha casa e me deixar em paz, PELAMOR?!”. Minha mãe não é muito fã da minha escolha de profissão – ela preferia que eu fizesse faculdade de administração, o curso – me desculpem a franqueza – mais NÃO SEI O QUE FAZER DA VIDA que eu conheço. Minha mãe reclama se eu como muito. Minha mãe reclama se eu faço dieta. Minha mãe reclama se eu sou sedentária e até se eu faço ginástica. Minha mãe grita comigo se meu quarto está desorganizado, mas se minha irmã faz a mesma coisa é ignorada. Observação que eu faço faculdade e trabalho e minha irmã tem 17 anos e está na rotina de pré-vestibulanda. Não tiro a razão dela da bagunçar o quarto, mas acho que, na situação em que me encontro, também tenho esse direito. Eu lavo os pratos e minha mãe reclama se eu não os enxugo. Ela sequer manda Carol lavar prato algum. E se manda, ela mesma os enxuga. Minha mãe jamais fica remotamente interessada em qualquer coisa que me empolgue. Ao contrário, ela tenta arranjar um defeito o mais rápido possível, para acabar com a minha alegria.

Ela ainda não reclamou da minha respiração. A não ser quando eu estou gripada. Ela não se preocupa com meu bem-estar e teve um dia que passei praticamente a noite sem dormir, com o nariz entupido, para descobrir no outro dia que tinha Vick no quarto dela. Ela não deseja bom dia pela manhã e não é raro acordar com ela reclamando de alguma coisa. De fato, uma vez, ela me acordou às 6h30 da manhã num sábado para LAVAR PRATOS. I’m not kidding. Ela me odeia desde sempre. E eu não sei mais o que fazer com isso.

Deve ser vergonhoso o modo como olho pra D. Dila – minha sogrinha. Ela beijando os filhos, brincando, até puxando a orelha de vez em quando. É tão diferente. TÃO. O modo como ela se preocupa, até mesmo comigo que não sou sua filha. Ela foi comigo e Weslley ver os apartamentos e nos ofereceu ajuda e conselho. Minha mãe sequer sabia do que estava acontecendo.

Só queria dizer que se alguém aqui está esperando um post fofo no dia 08 sobre o dia das mães, podem esquecer. Mentir não é a minha cara.

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12 thoughts on “Não esperem sentados

  1. Poxa, Mandy! 😦

    Fiquei até sem saber o que escrever… Isso é um tanto quanto delicado. Mas acho que você deve ter um pai que vale por Mãe e Pai. E se não tiver, tem sua sogra. Que com certeza te quer como uma filha.

    As pessoas são estranhas. Convivência é um negócio complicado… Então acho que o problema é a sua mãe e não com algo que você tenha feito pra ela… E acho que nem tem nada que você tenha feito.

    Vai entender… Só não deixe isso te abalar, amiga. De verdade…

    Um beijo!

  2. Ler esse texto foi como se eu tivesse lendo algo que escrevi falando sobre a minha mãe.

    As situações são extremamente parecidas,pra não dizer iguais.Eu simplesmente odeio dia das mães,pq sou obrigada pela minha família a comprar presente e a dar ‘feliz dia das mães’ e fingir que estou feliz,quando eu nem mesmo sinto que tenho uma mãe.

    Também tenho inveja dos meus amigos que têm mães legais,que se importam,que tratam bem,que cuidam,que torcem,que não criticam tanto.

    Mas tem uma frase de um filme,que não me lembro bem qual é,que diz “Às vezes pessoas legais têm pais ou mães ruins.E você não tem culpa nenhuma de onde veio.”

    Pois é.Um dia a gente sai de casa e aí isso tudo vai ficar pra trás.

    Post incrível,como sempre.

    ;*

  3. Mandy, eu sei que o que eu falar pode e deve ser menosprezado porque “Alô, conselhos nessas horas, ninguém merece!”, mas quem sabe futuramente essa relação entre vocês melhore. Te dou toda a razão de se revoltar, porque já aconteceu coisa parecida comigo com a minha avó.
    Força, amiga!
    Beijos

  4. Eu reclamo da minha mãe, que grita por tudo e me culpa por tudo. Mas era assim com a minha irmã, e agora que minha irmã saiu de casa ela sente falta. Agora ela até me trata melhor, mas está longe de ser a melhor mãe do mundo. Eu tinha vergonha de reconhecer isso, mas hoje assumo sem medo, que não me orgulho tanto assim dela e que nem toda mãe é sagrado, como dizem… Cada um sabe da mãe que tem, e ninguém deve julgar ninguém.
    A mãe do meu namorado também é uma foca com os filhos… é.
    Te entendo perfeitamente, mas ainda assim minha situação é melhor, ainda tenho a mãe que faz a comida e limpa tudo sem me mandar fazer nada, mas ela ainda tem os dias de revolta, rs

  5. Fui lendo cada parágrafo com nós na garganta, Mandy. Confesso pra você que estou surpreso que sua relação com a sua mãe seja assim, você me parece o tipo de filha que toda mãe gostaria de ter! Eu queria que a minha filha tivesse o mesmo dom de escrever, a mesma vontade de cursar jornalismo, a mesma sorte de encontrar um príncipe encantado e a mesma responsabilidade que você tem, querida. Não se sinta tão pra baixo assim porque pode apostar, tem gente aqui que super curte você. E que não liga pra o que você faz ou deixa de fazer. Sua mãe um dia precisará mais do que ninguém da sua ajuda e, espero, se arrependa de verdade de estar agindo dessa maneira tão triste com você.

    Tô torcendo pra que sua mãe pare e pense no quão boba está sendo com você, Mandy! E escrever aqui com certeza já de deixou mais aliviada, não é?

  6. Nossa, nossa, nossa… Foi de engasgar a garganta aqui. #fato.
    Sabe, a Babizinha Farias que me mostrou o teu link e eu fiquei absurdamente chocada.
    Mas, espere! Não pelo que você disse, mas pela tamanha compatibilidade que nós temos neste aspecto. E, acredite… Eu não tenho irmãs, o negócio pesa muito mais.
    Eu sinto dor na alegria ou na tristeza.
    Sou sacolejada, jogada na sarjeta se faço algo bom, ótimo ou péssimo. Isso é indiferente.
    E, o que é pior, eu ainda não estou fazendo faculdade, estou prestando… Mas minha mãe cai matando e fala assim: “Você vai ficar nesse quarto, enfiada, estudando pra quê?”.
    Estudo não vai encher barriga não, você tem que trabalhar.

    Meu, isso me corta o coração. Eu só queria estudar, poxa.. Estudar pra poder passar na faculdade. É crime?
    Eu sou a única na minha turma que estuda escondido. Sim, estudo escondido pra não ter que ouvir isso dela.

    Espero que você chegue a ler isso aqui rsrsrs.
    Beijos e espero que contando um pouco da minha pesada vida, a sua torne-se mais leve.

  7. Amiga, não sei o que dizer. Até porque não estive nessa situação em que vc está. Eu amo minha mãe, mas sempre teremos nossos mal entendimentos, aliás, que é uma coisa normal. Briga, grita, chateia e depois melhora. O motivo das brigas quase sempre por causa da minha “ausência”, e ela também, que às vezes, extrapola. Umas coisitas aqui e ali, mas sempre nós damos bem.
    Fico muito triste só de pensar que vc não tem essa relação maravilhosa com sua mãe, pois penso sempre que a mãe sempre deve ajudar/amar/tudo os filhos.
    Espero mesmo que UM DIA sua mãe acorde pra jesus e te recompense. Porque vc é ótima pessoa, tem namorado – já vai casar, gosta do seu curso, é satifeista com o que tem. Também gostaria de ter uma filha como vc, bem nerd e (espero) cult. ❤

    Beijos, amiga.

  8. Eu mais uma vez fico sem saber o que dizer e o que comentar. Mas toda vez que vejo que vocês brigaram ou você continua tentando motivos para não se fã dela dói, de verdade, um pouquinho dentro de mim. Porque realmente acho que todos são merecedores de amor de mãe.
    Bjitos!

  9. Não vou te dar nenhum conselho porque nem acho que você quer, nem eu saberia, porque senão teria que dar para mim mesma… Minha mãe é SUPER fria. Não reclama tanto quanto a sua, mas tão pouco demonstra qualquer sentimento bom. Ah como eu sei a quê você se refere…

  10. Pingback: Love Hurts « Cala a boca,Gabi.

  11. Vim procurar algo no google pra ver se eu achava algo que me identificasse… Eu também não estou mais aguentando ultimamente as reações da minha mãe, ela sempre grita, berra, se coloco 1cm errado alguma coisa ela já tem um ataque porque não ficou com ela imaginava. Por ela eu ficaria em casa 24 horas por dia de toda a minah vida, estudando, trabalhando, limpando a casa, e acho que ela nunca quer que eu case, ela odeia qndo eu saio de casa, ela ‘so me chinga todos os dias. Se eu saio de casa em festa e chego mais tarde é porque eu to dando pra alguém, ela acha até que eu uso drogas, na cabeça dela acho que ela pensa que sou uma puta. Mas nada ver, sou meia cdf, aproveitei as ferias pra sair semrpe que dava com as minhas amigas porque depois elas vão pras cidades que elas estudam e eu fico aqui sozinha nessa bosta de cidade sem ter ocm quem sair, sem ter namorado. Acho que pra minha mãe ela prefere pensar que eu usei drogas do que eu der pra alguém. Ela naoquer nem que eu tome anti pra diminuir minhas espinhas. Eu faço a faculdade que ela sempre quis fazer mas nunca pode, ela vive pra essa casa, ela nao ve outras pessoas, ela me irrita o tempo todo! Eu quero me forma e sair daqui, mas como sempre tudo depende de dinheiro,eu dependo dos pais, nao posso fazer nada,e detalhe… eu nunca briguei com eles, nunca chinguei meus pais, sempre respeito. Nao to mais aguentando, acho que minha mae tem ciumes de mim, ela quer que eu seja como ela foi, uma pessoa que nunca ia a festas q nao tinha amigos, q nao fazia porra nenhuma. AFFEEEEEEEEEEE

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