Falo mesmo, porra.

Estava vendo um vídeo do reclamão do Felipe Neto sobre dublagem, ainda há pouco. Ele xingava, emputecido, a mania da galera dos estúdios (que fazem a dublagem dos filmes americanos) de suprimir todo e qualquer palavrão da fala dos atores. E me vi concordando com ele, coisa que acontece com bastante frequência (Joguem pedras em mim, mas gosto dos vídeos dele. Sim, sei que ele é uma das celebridades das quais ele ADORA falar mal. Mas continuo gostando dos vídeos dele #entãomeprocessem).

Não é uma palhaçada que não se possa falar a PORRA de um palavrão sem que tenha alguém para apontar o dedo na sua cara e falar ‘ai-meu-Deus-cê-precisa-parar-de-falar-palavrão’? Pior do que isso:  não é um saco que as pessoas fiquem observando cada detalhe da sua fala, para avaliar e depois jogar na sua cara depois? Minha mãe, claro, é a principal habitante da categoria irritantemente enlouquecedora de pessoas que avaliam o bendito do meu PORTUGUÊS FALADO: “Ah, você não devia falar ‘mermão,vei'”, “Para de falar ‘tipo'”, “Você é uma jornalista, você NÃO PODE FALAR ASSIM” são exemplos de frases que tenho que aguentar e escutar com um sorriso na face. Sim, por que já DESISTI de dizer que, MÃE, MINHA LINDA, PORTUGUÊS FALADO É DIFERENTE DE PORTUGUÊS ESCRITO. Sério, tá?

Não se faz análise de português falado, gente! A língua falada caracteriza o lugar e a classe social na qual a pessoa se encontra. E GÍRIA E PALAVRÃO nunca foram indicadores de burrice. Ninguém, cacete, é obrigado a perguntar “Como vais?” quando encontra alguém, quando se pode falar simplesmente um ‘E aí, vei? Beleza?’. Já pensaram, que tosco? Você chega pra falar com uma amiga (“OIIIIIIIIII, QUEEEEEEEEEEENGA!!!!”) e ela te responde “Olá, Amanda! Que prazer em vê-la! Como vais?”. TENHA DÓ. Se acontecesse comigo, eu ia pensar que a pessoa tava com raiva de mim, por que né? Só isso explicaria tamanha formalidade.

Não tô dizendo, aqui, que a formalidade na língua não é importante. Claro que é. É preciso se manter um padrão. É preciso ter uma norma culta. Mas a formalidade já tem seu lugar nos livros, jornais e demais montes-de-papéis-escritos. E a norma culta é apenas e tão-somente para ambientes nos quais VOCÊ PRECISE SER CULTO, oras! A sua forma de se expressar deve mudar de acordo com o seu papel social. E ninguém, MAS NINGUÉM MESMO, vai me obrigar a pisar em ovos na fala dentro da minha própria casa ou entre os meus amigos.

Ou até mesmo no meu blog.

Sério. Vocês já me lêem há tempo suficiente para saber que, sincerely, I don’t give a fuck para o que vão pensar do que eu escrevo aqui. Primeiro por que esse é um blog pessoal. P E S S O A L, galera. Eu não ganho dinheiro com ele e nem pretendo ganhar. Eu sequer sei por que ele ainda consta no meu currículo – ah, é pra provar que sei mexer com WordPress! Ninguém está proibido de lê-lo, mas se quiser lê-lo é por sua conta e risco. Eu mesma não me responsabilizo pelo que escrevo aqui, por que nunca se sabe com que humor vai me dar vontade de escrever um post. E vocês sabem, post é a coisa mais fácil de escrever. Cê vai lá, clica no ‘new post’ e depois clica no ‘publish’ e pronto, a merda tá feita.

O que eu tô achando um saco é essa mania, agora, de não apenas querer que todo mundo seja ecológico (com essa mania eu até concordo), mas que seja também abstinente de sexo, de palavrão e de vida social. GENTE? VAMOS COMBINAR? Vocês vieram para a vida pra viver ou para ficar observando os outros viverem? POR QUE PUTA QUE PARIU, hein?

Da minha parte, acho que palavrão é uma coisa extremamente necessária. Tem coisas, como eu costumava teorizar com minha amiga Carol durante os intervalos das sacais aulas do nosso terceiro ano, que apenas um puta-que-pariu bem articulado resolve. E as gírias mantêm a língua viva. Por que quem faz a língua somos nós, gente. E, não é por nada não, mas não vi ninguém criar uma extremóclise nova, viu. Agora os tipos, mô-veis e mermãos da vida continuam firmes e fortes. And coming.

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25 thoughts on “Falo mesmo, porra.

  1. ri muito com esse post! também acho que não dá pra ficar analisando tudo que se fala, e blogs pessoais são escritos como se fala, então…
    sem falar que tem horas que NADA substitui um palavrão. tem uma amiga minha que não fala merda, fala “cocô”; e troca “puta que pariu” por “fruta que caiu”. ok, é engraçado… mas na hora que tudo fode (ou, como ela diria, “pega fogo”), a gente extravasa mesmo é com o original, e que se danem os que tiver perto, né?
    e tb adoro os vídeos do Felipe Neto. #confesso
    beijo!

  2. Eu não costuma falar palavrão, sem motivo nenhum. Não gosto muito daqueles que ofendem (óbvio!), mas numa conversa empolgada entre amigos, não vejo nada demais em quem xinga… apesar de não sentir muita necessidade… acho normal. Gírias e vícios, sim, muitos. O que torna ainda mais evidente pelo fato de ser carioca e morar em SP, então você imagina… haha.
    Bem, o que importa é que para bom entendendo, frases com palavrões ou não… tanto faz.

  3. Eu detesto palavrão. Me incomoda um monte. Claro que eu falo merda para situações que isso exige e que eu possa falar. Acho que o português falado deve ser diferente do escrito, mas admito que dói ouvir: “ganhemo”, “nóis”, entre outros. Não sou expert em português, mas algumas coisas são cruéis.

    Porém, não é por causa dos palavrões que deixo de ler seus posts. Questão de escolha. Só não curto. Se eu ver um super gato falando milhares de palavrão a cada minuto, Eca! Longe de mim! :/

    beijinhos, boa sexta! :*

  4. Baixou o espírito do Sr. Felipe Neto aí em vc, heim xD Senti o drama.

    Bem, pais são pais e não conseguem admitir imperfeições nos filhos e falar palavrão é “feio”. Concordo com você que a língua falada tem suas peculiaridades e todas essas gírias e trejeitos transformam as conversas mais naturais e agradáveis. Como você disse, já imaginou conversar com alguém que fala perfeitamente ao estilo Machado de Assis? Estamos vivendo o nosso tempo e a nossa geração é assim mesmo, criando cada dia novos jeitos de manifestar-se verbalmente.

    O problema mesmo é como isso é empregado e em que situações. Também falo palavrão, afinal de contas sou bem humana xD Aposto que até o santos soltavam um palavrãozinho quando tacavam o dedo mindinho na ponta da mesa. Porém, penso que nem todo palavrão é uma coisa boa. Se você está acostumado a usá-los entre os amigos, ok. É um jeito daquele seu tribo se comunicar, mas isso não caberá por exemplo, usado com seus pais, avós – que Deus me livre, mais querem cortar sua língua – e outras pessoas “de respeito” ou que não estão acostumadas. Mas isso não é pq “vc está deixando de ser vc”, mas pq provavelmente desejará mostrar seu respeito por essas pessoas.

    Eu por exemplo fui criada com uma mãe que brigava comigo quando eu falava palavrão e um pai que fala TODO-O-TEMPO alguma “palavra feia”. Agora imagina o nó que deu na minha cabeça hehehe

    A minha opinião sobre palavrões é: use em momentos oportunos e com moderação. Pessoalmente, não gosto quando falo exageradamente, porque não acho que fique bem tanto pela minha personalidade, quanto o modo como quero que os outros me tratem. E sinceramente, quem se comunica usando palavrões exageradamente demonstra que tem um vocabulário muito pobre e de baixo calão. Isso também está intimamente ligado à educação e o fato de você querer ser tratada como você trata os outros. Comunicação é um reflexo do que a gente escuta e diz =S Agora, se isso me faz ser chata, quero mais que TODO MUNDO DÁ PRA PUTA QUE PARIUUUUU.

    obrigada xD hahaha

  5. Realmente, Amandinha. Eu odeio quando vêm me enxer (lê-se, minha mãe) falando que eu falo palavrão demais. Sou super do time que acredita que poucas coisas são tão boas como um PUTA QUE PARIU articulado! Beijos

  6. Cadê a merda do botão ”curtir”?! Hahaha
    Sério! Senti falta do botão.

    “GENTE? VAMOS COMBINAR? Vocês vieram para a vida pra viver ou para ficar observando os outros viverem? POR QUE PUTA QUE PARIU, hein?”

    Isso serviu pra mim em vários sentidos!

    E eu concordo contigo em número, genero e grau. Muito bem escrito!

    Besooo Mandy!!

    Ps: AMEI o novo lay. Mesmo! Não tinha visto ainda… Ficou lindíssimo!!

  7. Não posso falar nada porque eu costumava ser assim… Mas sabe que mais uma vez você tem super razão? Minha mãe reclama que eu falo palavrão, mas ela bem que solta um “filho-da-puta!” pro motorista bração que cortou ela bem no meio do cruzamento.

    Um amém bem grande pra tudo isso o que você falou (:
    xx

  8. Eu não falo palavrão. Hehe! Eu até escrevo palavrão, mas não falo. Não por medo do que a sociedade vai pensar de mim, mas por falta de costume mesmo. Todo mundo fala e eu não vejo problema nenhum nisso. E o que adianta não dublar palavrão, se os filmes brasileiros estão recheados deles? Eu, hein…

    🙂

  9. Eu adoro falar palavrão, sabia? Não tem coisa melhor quando estamos irritados, ou quando estamos qualquer coisa. Falar palavrão virou um hábito pra mim. Claro que muito mal visto pela família e alguns amigos também.
    Óbvio que se estou em um lugar onde o palavrão não fica bem, eu não falo. Fico bem na minha. Mas quando estou entre amigos, ou escrevendo no blog.. TO NEM AÍ. Falo “mermo”. (:
    Beeijo.

  10. Adoro falar palavrão, e tipo, meus pais falam e ficam dizendo pra eu não falar, que é errado e tal, mas véi é tipo impossível, tá naquele ponto que já é normal falar, o problema é que meus pais não entendem que eu entendo a hora que pode e não pode falar, tipo se eu tiver na frente da porra dum diretor na escola claro que eu falarei tudo certo, mas minha mãe é mt teimosa, e ela adora esse provérbio:”Os costumes da casa um dia vão à praça.” Ennnnfim, é foda viu ter que aturar toda falação, reclamação sobre minhas gírias e pá, pqp viu.

  11. Eu xingo muito. :< Às vezes sim, mas em uma conversa normalmente falo algum palavrão, e quem me conhece sabe que eu falo mesmo e não tem jeito. Lógico que há situações e situações, mas quando não vejo problema falo, e olha, se tô estressada SAI DE BAIXO, SAI DE CIMA, SAI DE LADO, falo e cuspo marimbondo! D8''
    Mas acho um saco pessoas da mina família mandando eu parar de falar, e às vezes meu namorado também. UGH!

  12. Minha mãe já desistiu de me fazer falar certo. Confesso que tinha uma época em que quando eu abria a boca pra falar, só saia palavrão. Aí ela e meu pai me deram um break. Mas eu cresci com o meu irmão falando gíria, falando palavrão, então o vocabulário aqui em casa é bem diversificado.
    Concordo contigo: tem coisas que só um palavrão consegue expressar, haha.
    Beijos!

  13. hahahaha, rolou identificação! Meu pai também é assim de dizer que não posso falar gíria porque vou ser jornalista!
    Concordo que palavrão expresse algumas coisas de forma que nenhuma palavra conseguiria, mas às vezes eu queria falar bem menos do que falo :S
    Beijos!

  14. Não sou de falar palavrão e nem tenho um motivo concreto. Acho que nunca me acostumei mesmo. Pra eu soltar certas pérolas eu tenho que estar muito fora de mim, e quando eu falo parece que foi outra pessoa que disse aquilo, sabe? Chega a ser engraçado.
    Meus pais ODEIAM que eu diga “tipo”, que é uma coisa que, de fato, eu tenho mania de dizer. Toda vez que eu falo “tipo isso”, “tipo assim”, dentre outros, meus pais, meu pai, principalmente, fala que isso não é coisa de futura jornalista dizer, HAHAHA
    beijos

  15. Ai, eu concordo plenamente. Eu sou a rainha da boca suja, mas quem mais ouve minhas cobras e lagartos é Maurinho, na frente de outras pessoas eu meio que tenho vergonha. kkkkkk Mas quando bate vontade, falo mermo, tô nem aí. u_u

    Beijos

  16. Concordo! E muito.
    Meu maior problema são os palavrões. SEMPRE me olham feio. Minha mãe adora dizer que eu sou uma ‘mocinha’ – hahahaha, ainda! – e não deveria falar essas coisas. E minha família de maioria evangélica vê nos meus palavrões apenas uma mostra de como eu sou subversiva, louca e vou para o inferno. E quer saber? FODA-SE.

  17. Vc disse tudo. Eu falo palavrão moderadamente, minha mãe fala, minha irmã.. etc. Mas aprendi que com certas pessoas não da pra ficar falando “caralho” o tempo todo.
    Eu vi esse vídeo do Felipe Neto, gosto dos vídeos dele, só acho que ele exagera demais as vezes.

  18. Hahahah. Eu no inicio fingia que não sabia quem era Felipe Neto… Depois eu assumi. Ai ousei mais, e fui além da atuação do Felipe e o PC Siqueira surge assumindo que é assim mesmo e foda-se. Haha 🙂
    Eu não seguro mais minhas papas, falo mesmo, e pra cada “Nossa, olha que jeito vc fala, palavrão, coisa feia, vc não vai na igreja sua infiel, vc faz sexo, sua piranha” eu falo FODA-SE.

    Obvio que eu não vou mandar meu chefe se fuder, pq eu preciso de emprego. Mas eu não nego minha vida, minhas escolhas e minha personalidade. E sou totalmente contra essa platicidade bonitinha que parece estar em moda agora, com todo mundo pagando de boa pessoa e na verdade ganhando troféu de quem é o maior hipocrita!!

    Adorei o seu post, e ja tava a dias querendo comentar, mas o tempo me faltava, haha 🙂

  19. Declaração polêmica: eu não sei que é Felipe Neto >_<
    Segunda declaração (agora não polêmica): eu não sou muito fã de palavrão não, sabe… Detesto, na verdade. Me incomoda que algumas pessoas digam uma frase de 10 palvras e nove sejam palavrões. Mas aqui, falando das dublagens, realmente é uma sacanagem retirarem porque, claro, em situações mais tensas é impossível não soltar nenhum =P Vendo um filme dublado e depois no idioma original você meio que perde o ânimo até. Vai no que você disse mesmo: momentos oportunos e com moderação. 🙂

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