Sangue de barata: não trabalhamos.

Eu sou estourada. É a verdade, e eu nunca menti pra ninguém dizendo o contrário. E a minha falta de paciência beira à sociopatia. Eu já sei que eu não quero ouvir uma coisa antes mesmo da pessoa abrir a boca para dizer. Ou pelo menos, acho que sei. Don’t matter, a questão é que NÃO CONSIGO aguentar certos tipos de pessoas e certas atitudes. Fica entalado e eu tenho que falar alguma coisa. Até mesmo quando não é comigo.

Sim, minha gente. Eu sou dessas. E eu gostaria mesmo de estar brincando e tal, mas não estou. A raiva injetava nas minhas veias quando alguém faz uma merda com um amigo meu é praticamente a mesma de quando fazem a merda comigo – se não for maior. E vou te contar que NÃO ajuda ter uns amigos lesados, com jeito pra Madre Teresa. Na moral.

Insiro aqui a história da Eufrasina (nome obviamente fictício, tá?). Eufrasina sempre foi lesada, desde que se entende por gente. Do nosso grupo, sempre foi a que pegava o menor sorvete, sem muita reclamação. Sempre a que ficava com o namorado da Barbie mais feio – geralmente era um daqueles bebezões esquisitos. Sempre a que aguentava o bullying amigo sem muito stress. Isso era uma qualidade, entre os amigos, pois ela nunca era aquela que estilava. Sempre deixava pra lá e tal, não era de levar as coisas muito a sério. Mas daí Eufrasina resolve arranjar um namorado. 5 anos mais novo.  O pirralho ainda estava pipocando de espinhas. Eu pensei: “Tá, né, se ela quer, que eu posso fazer?”. Tudo bem, tudo ok.  Uma espiã próxima me contava alguns detalhes estarrecedores do lance deles, mas eu não queria me meter por que a) Eufrasina não chegou pra me contar nada e b) Essa espiã próxima é muito pior do que eu no nível sociopatia, então né? Não dava pra confiar 100%. Uns dois meses depois, chega a época do aniversário de Eufrasina. Ela organiza um jantar, para todo mundo conhecer o bunda-m… ops, namorado dela. Tá, eu tinha que ir, por que eu sabia que para Eufrasina era muito importante a minha aprovação do namoro dela, visto que Eu e Weslley também somos tomados como exemplo de perfeição amorosa entre os amigos íntimos (get a life, people, rs). Ok, tô lá e o cara demora séculos pra chegar. Ninguém mais aguentava esperar para comer o bacalhau. Quer dizer, deixou a galero com fome já perdeu ponto né. Mas nem falei nada, por que Weslley também é EXPERT em chegar atrasado quando não deve. Aí, quando o cara finalmente chega e eu penso que ele vai dar um abraço apertado em Eufrasina e coisa e tal ~~~~ necas.

Acreditem em mim quando eu digo que a forma como um cara trata sua namorada diz tudo. E se, na festa do SEU ANIVERSÁRIO, ele fala mais com a sua prima do que com você, tem algo errado. Tem algo muito errado nisso. Se ele não quer que você futrique o celular dele, também tem alguma coisa que não está certa. Se você está QUERENDO FUTRICAR O CELULAR DELE POR ALGUMA RAZÃO QUE NÃO SEJA VER OS JOGUINHOS QUE ELE TEM OU VER SE A CÂMERA DELE É BOA, também tem algo que num tá encaixando. Onde está a confiança? E por que ela não está aí?  Just saying.

E eu sabia de tudo disso. Sabia e fiquei calada, por que não quis me prender à uma primeira impressão. Vai ver o guri tava tímido, eu pensei. Sempre pode acontecer, né? Pois é, mas eu estava certa. Por que mesmo o mais grosso dos caras dá um abraço na namorada no dia da festa de aniversário dela, por livre e espontânea vontade. E esse não deu. E, por coincidência do destino (not really), esse pirralho partiu o coração de Eufrasina.

A época da highschool é a pior da vida de todo mundo, e vocês todos sabem disso. Tudo o que acontece, acontece com o dobro de drama e o dobro de impacto. Se namorar um cara 5 anos mais novo já não era essas brastemps, que que dirá ser TRAÍDA por um cara 5 anos mais novo com a ex dele, quando eles, ainda mais, estudam no mesmo colégio que você?

Eufrasina ficou em estado de choque. Eu fiquei PUTA de raiva e com vontade de dizer umas boas verdades na cara do bunda-mole (sem OPS agora) que fez isso com ela. Ela gostava dele de verdade. E o mínimo que ele podia fazer era acabar com ela, se não estava mais interessado. Não trair. Porra. Trair é…trair. É cruel, é nojento, é indigno.

E enquanto a minha mente arquitetava planos cruéis que incluíam arrancar as unhas do condenado uma por uma e fazer bullying virtual com o FDP, minha amiga tabacuda conversava EDUCADAMENTE com o nojento que se agarrara com a ex numa sala de aula qualquer, sem qualquer constrangimento ou consideração. Fiquei sem entender. Achei absurdo eu ter ensaiado tantos discursos esculhambatórios com ela e ela sequer ter se dado ao trabalho de usar um. Aquele que eu falava “VOCÊ É UM BOSTA, ME ESQUEÇA!” era maravilhoso e certamente seria indicado ao Oscar de melhor esculhambação pós-gaia já feita. Mas tudo por nada. Todo o meu ódio e a peste da menina resolve que NÃO VAI SE REBAIXAR. FGS!

Provavelmente Eufrasina é uma dessas pessoas que vieram pro mundo pra sofrer, por que né? Vai gostar assim de fazer a santa na China! Eu já vi que vim mesmo pra causar confusão e TO NEI AI. Então aqui adiciono o adendo a Eufrasina Cristina dos Santos: Já resolvemos o problema (eu e minha espiã próxima), com direito à unhas arrancadas, contato deletado do msn (e bloqueado com louvor) e ameaças de morte. Por que se fosse depender de você, né?

E esse post todo foi só pra dizer que tenho a síndrome de Márcia Goldschmidt. Não mexa com quem eu amo. Don’t you dare.

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9 thoughts on “Sangue de barata: não trabalhamos.

  1. “Eu já sei que eu não quero ouvir uma coisa antes mesmo da pessoa abrir a boca para dizer.” – hahahaha isso é tão eu! As pessoas se irritam extreeeemamente com isso, mas não consigo parar. Tem certos tipos que, só de abrirem a boca, já me tiraram do sério pronto virei a macaca desceu o santo, sai de mim!

    Mas sua amiga, hein? Jesus tome conta. Se bem que eu fui assim, e até entendo por um lado. A pessoa tem a autoestima tão baixa que não se importa com defesa e self respect. Fazer o que? O que não dá mesmo é ter que defender o tempo inteiro sem a pessoa nunca acordar pra vida, né! Se coça, minha gente, a vida começou.

  2. Ah, eu também fico puta quando mexem com amigos meus. Principalmente quando são esses mais “inofensivos”. Eu fui, por muito tempo, das bobinhas. Aquela que saia chorando da sala de aula porque era zoada, e foi assim até o meio do terceiro (!) ano. Não sei se foi o povo que arranjou outra coisa pra fazer ou se fui eu que mudei sem perceber, mas enfim. Sendo dessa forma, meus amigos é que muitas vezes ficavam putos por coisas que os outros faziam comigo. Mas como eu tenho amigos mais novos que eu, e eles as vezes parecem nenéns, eu aprendi a querer socar a cara de quem mexa com eles.. That’s life.
    E sim, traição é o fim da picada.. =S
    Beijos!

  3. Amands, você é das minhas. Cara, se uma dessas acontecesse com alguém que eu conheço eu faria de tudo para a criatura se revoltasse contra o babaca que traiu ela. Porque né?

    Detesto essa de pagar de civilizada quando a situação requer mesmo é um barraco daqueles. Affs, isso é muita falta de noção. Já fiz isso, já jurei gente de morte e já juraram gente de morte por mim… mas em todo caso, é revoltante.

    Beijo e sinta-se no direito de quase morrer de raiva! kkk

  4. Nossa, sou igual, is true. ODEIO que mecham com meus amigos, dá vontade de rasgar a cara da pessoa no asfalto! kk E também é bem pior do que mexer comigo, as consequências são outras colega, são outras…
    Enfim, seu post ficou ótimo, estava sentindo falta disso na blogosfera.

    Beijos, Livros e Coisas Menos Incríveis.

  5. “Eu sou estourada. É a verdade, e eu nunca menti pra ninguém dizendo o contrário. E a minha falta de paciência beira à sociopatia. Eu já sei que eu não quero ouvir uma coisa antes mesmo da pessoa abrir a boca para dizer. ” SUPER ME IDENTIFIQUEI!

    Trair é sacanagem e é uma coisa que eu não entendo >..< Eu já fiz isso q a sua amiga fez, mas se tudo der certo ela vai começar a sentir raiva de si mesmo por ser uma tonta, depois do cara e finalmente conseguir dar a volta por cima. hahah pow e o meu era mais novo tb! Ninguém merece!!!!

    bjitos

  6. Confesso que nesses momentos, quando mexem com que eu amo e me importo, é fácil eu sair como a Marcia Goldsmith da história. E o pior é que tenho uma amiga que se encaixa super bem no perfil da Eufrasina, nasceu pra levar bordoada e ficar de boa. XD

    Enfim, adorei o texto e adorei seu blog!
    Beijo!

  7. Se eu ainda tivesse meu blog, acho que iria agora para ele escrever um pouco sobre as Eufrasinas da vidas…
    Eu entendo bem ela, já fui assim um dia. E não é porque gostamos de sofrer, é porque realmente não queremos confusão e brigas. Cada um a seu modo, certo?
    Certo! Até que uma dor e muitas outras coisas levam isso da gente… Deixei de ser Eufrasina… Mas ainda tô tentando não bater em todo mundo que me faz mal ou incomoda que me aparece pela frente… hihihi
    Eu sei que o foco do seu pensamento foi outro, do quanto nos importamos com quem gostamos. Também me importo e muito. Às vezes, acho que até demais.
    Mas não pude deixar de me ver como a Eufrasina… E hoje o que eu penso: “que deveria ter deixado de ser uma há muito mais tempo!”
    Bjitos!

  8. trair é indigno, ponto.

    mas sabe que tem pessoas que gostam MESMO de sofrer. uma das meninas que moram comigo é dessas, gosta de sofrer, de contar pra todo mundo o quanto sofre – e fazer encenações mega dramáticas. eu que sou um pouco insensível corto ela direto, mas a galera morre de dó, e ela fica toda contente! vai entender!

  9. kkkkkkkkkk

    Adorei o texto, vc é das minhas…mas confesso que sou um pouco diferente, sou muito vingativa e não gosto de “armar o barraco” logo de cara.

    Gosto de fazer com que pense que sou tonta e depois quando a pessoa menos espera eu me vingo e saí com direito a barraco e tudo mais…kkkk

    Beijão

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