Cadê meu remédio pra artrite?

Eu me sinto meio perdida nesse mundo. Ótimo, já comecei o texto com um clichê. Mas, como eu costumo dizer quando quero enrolar os leitores, os clichês could suck, mas pelo menos são verdadeiros. E, também, se vocês me deixarem explicar – através da merda que esse texto parece ser (e é) -, eu posso mostrar qual é o sentimento que me torna tão diferente, tão perdida.

Dias desses – mentira, há alguns meses atrás – abriu a seleção para estágio na Globo Nordeste. Essa seleção é esperada o ano inteiro pelos foquinhas de todas as faculdades de jornalismo do Recife, por razões óbvias: todos querem ser famosos, todos querem aparecer na TV, todos querem ganhar direitinho em algum momento da vida –  apesar de todos crucificarem a Globo por ela ser o demônio, amém amém. Por que o estágio lá não paga essas coisas todas, mas né? Se você for contratado, o negócio pode ficar bom. Ou não. E é por esse ‘ou não’ que eu sou quem eu sou. E é por esse ou não que eu faltei a seleção da globo.

Não me levem a mal. Vocês me conhecem, não sou dessas chatas esquerdistas e psicóticas. Não foi por causa disso que deixei de participar das entrevistas. Essa escolha foi muito maior do que isso. Eu escolhi um estilo de vida – e trabalhar em jornais, em geral, doesn’t fit in it. E, por isso, faz com que eu não me encaixe no bolo geral. O bolo geral que escolhe a vida profissional em detrimento da vida pessoal.

Não quero correr loucamente de um lado pro outro, que nem barata tonta. Não gosto da ideia de não ter meus fins de semana livres. Não gosto de trabalhar à noite. Eu gosto das coisas simples. E isso não tornaria nada mais simples.

Isso pode parecer estranho, por eu ser quem eu sou. Afinal de contas, não sou nenhuma festeira, am I? Eu não vivo saindo. Sou uma garota caseira, que gosta de cozinhar, ler feeds legais e passar um tempo assistindo besteiras com o namorado. Então pra quê eu quero tanto tempo livre, FGS? Eu respondo: para continuar fazendo o que eu estou fazendo agora. Por que eu tenho DIREITO a um tempo livre, para passar fazendo nada. Mantendo minha sanidade. Integridade. Amizades – poucas, mas existentes.

É gente. Eu já estou preparada para os zilhões de pedras que serão atiradas em mim, mas né? É a vida. E eu não mudaria a minha por um $$$$$ a mais. É claro que eu gosto de dinheiro. Mas se, para ter dinheiro, eu tiver que passar pouco/nenhum tempo com meu namorado, minha família, meus amigos + perder qualquer qualidade de vida que eu possa ter, eu prefiro continuar pobre. Pra quer ter dinheiro e não ter tempo pra gastá-lo, não é mesmo?

Houve um tempo em que eu pensaria que essa era eu, com medo do que pudesse vir de uma entrevista de emprego. Com medo de ter esperanças e falhar num teste. Com medo de dar adeus a uma coisa que, para ser sincera, já foi um sonho quando eu era mais jovem e, obviamente, mais boba. Mas hoje em dia, não. Não vejo medo. Vejo determinação. Vejo um objetivo e um patamar de vida que eu eu quero alcançar. E são minhas escolhas que vão determinar se eu o conseguirei ou não.

Eu quero casar. Quero ter filhos. Ter alguma tranquilidade, com uma marido amoroso ao meu lado e amigos e família ao meu redor. Fama não é mais importante. Alcançar o topo não é relevante, se não me fará feliz.

Leio minhas próprias palavras e me sinto meio velhinha. Talvez eu tenha o espírito do século passado. A gente vai descobrindo, aos poucos, que as melhores coisas são feitas com mais vagar – com mais tempo, tranquilidade e atenção.

É isso. Atingi os 80 aos 21. And I don’t really care.

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21 thoughts on “Cadê meu remédio pra artrite?

  1. awn! que lindo o seu texto, me identifiquei em partes com ele… já passei tanto tempo achando que deveria correr e ter pressa com as coisas, que tinha que fazer tudo, sendo que o mais importante mesmo é você terminar o dia (a semana, o mês, o ano…) satisfeito com quem voce é e onde está. Não adianta se quebrar toda e perder toda a energia com algumas coisas tão cedo, até porque o $$ que vem do trabalho vai todinho para remédios para artrite mesmo (I should know that).
    Sanidade é tudo! Falando assim parece loucura, mas é a puríssima verdade. E a gente bem sabe que dinheiro nenhum compra isso 🙂
    bjos gmls :**

  2. Às vezes eu me surpreendo como essa coisa toda de signo faz sentido. Você é taurina, eu sou taurina e eu jurei pra mim mesma que esse era um texto meu. Porque de verdade, esse é um texto que eu escreveria , assim, da mesma forma, de cabo à rabo, sem medo de ser feliz.
    Faço Relações Internacionais e quando me perguntam que carreira quero seguir, logo respondo que diplomacia é a última opção e todos me crucificam. E essa é minha escolha por todos os motivos que você citou. Eu quero uma casa, quatro filhos, três cachorros e dois gatos. Quero ver minha família todos os dias, assistir filmes, passear com meus pais, meus amigos, criar meus filhos. E tudo isso seria impossível de conciliar com as viagens de um diplomata por aí.
    Muitos tem a ousadia de dizer que não tenho determinação pra seguir meus sonhos. Só que os meus sonhos são diferentes. Quero sim trabalhar com o que gosto, quero sim poder fazer isso ganhando um bom dinheiro pra dar tudo que meus filhos precisarem. Mas se eu não tiver tempo, não existirão filhos, tampouco família e aí o sonho vai estar incompleto. Saber conciliar sonhos e objetivos é difícil e nem todos conseguem com essa tranquilidade que vi em você e que começo a ver em mim.
    E isso é muito bom! Bom final de semana, Amanda! 😀
    Beijoca!

  3. E me senti uma velhinha ao constatar que também penso assim, mesmo o mundo pedindo que eu pense de forma contrária a isso.
    Tu está certa pensando dessa forma. Acho até que é um pensamento maduro, pois você já está pensando nas consequências disso para o futuro, coisa que a maioria não pensa com calma.

    Enfim… sou uma daquelas que não vai atirar pedras em você.

    Beijo!

  4. Achei muito bacana seu texto e sua atitude. A gente precisa aprender a assumir o que quer pra si e ter essa tranquilidade que você fala. O dinheiro tem se colocado como a prioridade máxima para a maioria das pessoas que conheço também, e isso vem embrulhado com um papel de estabilidade. Eu também me sinto um peixe fora d’água e vejo como ser assim traz um saber lidar diário com as expectativas alheias. Mas que bom que você tá bem, que sabe o seu caminho, afinal, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.

  5. Não te atacaria pedras, eu entendo você. E é bem lógico seu raciocínio. Pessoas que querem trabalhar loucamente normalmente não tem nada a perder, seu caso é diferente. É um belo inevstimento de tempo para o futuro.

  6. Finalmente alguém que me entende. Eu não consigo imaginar minha vida num trabalho que não me dê descanso. Eu quero viver, Amanda. Hoje minha mãe me saiu com uma de que vai abrir Concurso da Caixa, falando que eu tinha que prestar, chegou a me dar dor de cabeça! Eu não quero pra minha vida trabalhar das 8h às 20h. Eu quero ser feliz. Eu quero ter meu teatro, paixão da minha vida. Quero me jogar no sofá pra assistir novela. Enfim, tudo o que você diz aí!

  7. Muito bom o texto e a maturidade. Não é qualquer um que pensaria e agiria dessa forma. Não sou hipócrita, não perderia uma entrevista dessa de jeito nenhum, porque pra mim seria importante. Mas se pra você não é lá a coroa da rainha, ok, quem somos nós pra te atacar pedras? Cada um vive feliz do jeito que acha melhor. Ótimo texto!

  8. Toda a nossa geração tem esse sonho mais realista da felicidade, e eu realmente acho isso um máximo! As pessoas estão compreendendo que dinheiro e status não são o foco da humanidade. Há muito mais pra gente conquistar por aí, e necessitamos cada vez mais de tempo pra (re)descobrir o mundo e os outros. Acho que você tá certíssima na escolha (saudável) que fez! Tô indo pelo mesmo caminho e não me arrependo de ter escolhido a paz de espírito ao invés da conta bancária.

  9. Sério, estou pensando nisso há um tempinho… as vezes trabalho que nem uma doida, me encho de freelas e me pego infeliz, sem poder aproveitar nada.
    É claro que o melhor é ter tempo e dinheiro, os dois juntos. Mas iremos entrar aí vários outros cliches tipo, quanto mais se tem mais gasta e etc, etc…

    Eu ainda estou perdida neste mundo também, e ainda tb não decidi nada que quero rs

  10. Fia, seu texto foi pra mim um bálsamo (nao usaria outra palavra senão esta). Eu, que tenho 18 anos, passei num concurso do estado da Bahia pra ser professora de química (sendo que ja ensino há 1 ano a EJA – matemática). Aceitar a proposta significa ganhar mais e ter um plano de saúde digno, ao mesmo tempo que perco meu tempo livre, minha sanidade (sim, pq eu tô no 7o semestre de um bacharelado e às portas do estágio) e meu contato com meu namorido (moro numa cidade, trabalho em outra e estudo em outra)…

    Enfim, vc foi o voto de desempate. Prefiro ficar onde estou, pobre, porém feliz e junto de quem eu amo e fazendo o que eu gosto. Obrigada! 😉

  11. Achamos mais uma coisa em comum na vida. Eu sempre quis ter um bom emprego. Mas não necessariamente pra ganhar bem. Claro, de dinheiro todo mundo gosta, mas bom emprego pra mim é aquele que me da todos os direitos. Férias. Decimo terceiro. Folgas. Vales. Aquele que não me faz trabalhar à noite, nem aos finais de semana, nem em feriados nem me obriga a fazer hora extra. Dinheiro é bom sim. Mas qualidade de vida e tempo pra gente continuar fazendo o que gosta é fundamental. Beijo!

  12. Faz tempo que leio seu blog, mas acho que essa é a primeira vez que comento. Eu PRECISAVA comentar e dizer que na minha opinião (humilde) você está muito certa. Já tem um tempo que comecei a me sentir ‘deslocada’ por não ter esse desejo profissional insano, por querer ficar com meu filho e com meu marido, e cozinhar para eles e talz. Essas pequenas delícias da vida.
    Depois que eu sai do emprego (trabalhava de madrugada, por escala, pegou a situação?) e vim morar em uma cidade pequena do RS vi que é esse o estilo de vida que eu quero. Vou trabalhar sim, mas quero algo ‘leve’, horario comercial, segunda a sexta… =) Quero trabalhar para viver e não viver para trabalhar ^^

    Beijocas ❤

  13. Nossa, isso me fez lembrar de um post que eu escrevi mês passado, falando ATÉ da Mari Moon.

    Acho que as escolhas somos nós que devemos fazer. Mesmo que as consequencias sejam ruins, teremos força para superar. Afinal já tivemos que superar tanta coisa: colégio, vestibular, faculdade. Superar as escolhas que vêm depois dessas fases é só mais um desafio.

    Boa sorte, xará!! :’D

  14. Amanda, me identifiquei demais com seu texto!
    E simplesmente não tenho palavras pra dizer como me sinto bem ao lê-lo, pois convivo com mta gente que diz que tem esses objetivos de vida, mas só vão com a maré dos workaholics, dos sem tempo para nada, etc etc.
    É triste, às vezes, ter que fazer as pessoas entenderem que a vida é só uma e que ninguém vai recompensar todo o tempo perdido, as pessoas perdidas, os sentimentos perdidos… ainda mais porque, por não entenderem, recriminam e tentam impor um certo tipo de vida ideal, o que não existe!
    Mas é bom ver que pessoas como você existem! Que valorizam as coisas simples e não as complexas, em que uma coisa embola a outra…!
    Beijo enorme!

  15. Amandinha amada, eu sei bem do que você fala. Meus pais sempre trabalharam muito, principalmente durante a minha infância, e eu sempre senti uma falta enorme deles. Sabe aquela coisa de besta de ficar triste porque eles não me buscavam na escola? Então, eu ficava. Eu sei que eles estavam trabalhando pra eu poder ter a vida confortável que eu tenho, mas ainda assim fico pensando se eu não seria igualmente feliz sem certos luxos e com eles mais perto de mim. E é por isso que eu sempre disse que quero criar meus filhos. Não quero deixar de trabalhar pra ser mãe, respeito quem o faça mas acho que não é pra mim, mas queria estar mais presente pros meus filhos quando pequenos.
    A única coisa que eu tenho que melhorar é a logística disso, porque eu escolhi uma profissão meio maluca e sem rotina, e ao contrário de você, eu SONHO com redações. Me resta achar um marido rico, né? Vai que eu encontro!
    hahahaha
    beijo!

  16. Oi 🙂
    Lendo seus desejos para o futuro me sinto uma E.T pois sei que é o da maioria total das mulheres. Companheiro ao lado para mim fica em segundo plano. Me dou bem com a solidão, sabe? Claro que um dia quando tiver velha queria ter alguém para sofrer ao lado (os sintomas da velhice) ashasuashasuh mas não é prioridade.
    Sobre o estágio, você poderia ter ido para ver no que dava… vai ver você nem ia passar. Você perdeu a chance de saber como funciona o processo e tal, quem sabe no futuro?
    Eu quando estava na facul tentei 2 vezes passar na primeira fase da internet e nem nisso consegui! Lógica me mata….!

    Sinceramente espero que você consiga realizar seus sonhos e planos 🙂
    Beijos

  17. Amanda, é natural pensar dessa forma. Ninguém vai jogar pedras em você por conta disso (até porque, ninguém tem nada a ver com isso). O caso que você tentou explicar de maneira pessoal é que: a profissão pode reter o nosso tempo.Daí entra aquela questão das horas trabalhadas x salário. Alguns, lógico, aceitariam qualquer emprego [sem ligar para isso]. Você fez uma escolha. Apenas.

  18. Super concordo. Eu trabalhava em uma empresa onde o salário era ótimo, tinha vários benefícios mas eu não tinha vida: trabalhava quase todo dia até 8, 9 da noite e no dia seguinte tinha que estar lá as 8 da manhã em ponto. Fiquei doente até…. Até que criei coragem e me mandei de lá! Hoje trabalho numa empresa bacana, com salário razoável e com horário: das 8:00 as 17:00! Qualidade de vida é muito importante, e neste ponto acho que você está certíssima! Adorei o texto! beijos

  19. Vou te contar que sou exatamente assim e estou muito cansada das pessoas me julgando o tempo todo. 😦
    Eu não posso estar tão errada sobre como eu quero viver minha vida.
    O bom é ter certeza que da minha vida eu faço o que EU quiser.
    Me tranquiliza saber que não estou sozinha.
    Beijo. ❤

  20. O mundo precisa de mais gente como você, Amanda. Gente que acredita e segue os próprios ideais e não se vende à toa por um plano de vida que nos foi mastigado por todos ao redor. Te admiro, e esse texto foi lindo.

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