Só pra vocês saberem o que tem rolado

Mesmo que eu quisesse, eu não conseguiria fazer um post sobre tudo o que está acontecendo atualmente na minha vida – ou sobre tudo o que tem passado na minha cabecinha ultimamente. It’s just too much. Tenho estado mais atolada em trabalho do que já estive em toda a minha vida e, apesar disso ser estressante e um pouco frustrante algumas vezes – especialmente quando não posso passar todo o tempo desse mundo mimando e sendo mimada por Weslley -, parece certo e bom, na maior parte do tempo.

Estou envolvida com um projeto na faculdade o qual só posso adiantar que vai ser MUITO LEGAL e que vocês poderão ver em breve – e é ele mesmo que está sugando cada tempinho livre que eu tenho, me colocando para escrever, entrevistar, apurar, tirar fotos e gravar vídeos como se não houvesse amanhã. Mas não estou realmente ligando, por que é uma das poucas coisas que eu gostei de fazer naquele curso. Depois de um milhão de cadeiras pé-no-ovo que paguei e ainda pago, é um respiro descobrir algo na área do jornalismo que me interesse.

Além disso, também meio que fiz uma amiga nova, que nem é tão nova, por que já a conheço há um tempinho. É. Engraçado isso, né? Quando você convive com pessoas superlegais e nem sabe disso? Essa amiga em questão estuda na mesma sala que eu, mas por pertencemos a grupinhos diferentes, não nos falávamos muito. Não que fôssemos brigadas  ou coisa assim. Simplesmente não tínhamos muito contato, mesmo. Por que eu sempre fazia trabalhos com o meu grupinho específico e ela sempre com o dela e ficou difícil parar, conversar e se conhecer nesse meio-tempo. Mas eis que surgiu, nesse semestre, a oportunidade de trabalharmos juntas. E, né? Foi uma ótima descoberta. Sair da nossa zona de conforto pode ser bem válido e cheio de recompensas de vez em quando.

Mas não quero que vocês pensem que tudo são flores. Estou tendo aulas de disciplinas que não me interessam, com professores – na verdade, um professor – que tenho abuso.  Antes de ontem estive puxando os cabelos para conseguir um personagem para uma reportagem especial que vamos precisar fazer – depois de uma fonte farrapar lindamente comigo. Sexta-feira passada eu estava tentando me fazer entender por um professor que deveria estar aposentado e que não conseguia responder uma simples perguntas sim-ou-não sem fazer um grande  discurso antes. Também estou atolada de coisas pra fazer no trabalho, embora tenha gente em muito pior situação do que eu.

Não estou conseguindo fazer dieta ou economizar dinheiro, embora tenha planos pra isso – que talvez divida aqui mais tarde. Estou muito ocupada em viver o presente e preparar o futuro. E um chocolatinho não vai fazer mal, agora.

Sobre urubuzar

Não gosto desse tipo de gente. E nesse post não pretendo MESMO usar meias palavras ou meios termos. Não gosto mesmo. Nunca gostei e nunca fui esse tipo de gente. Claro que todos nós entendemos e relevamos uma gongaçãozinha de vez em quando – quem nunca abusou uma amiga/irmã/alguém-aleatório atire a primeira pedra. Mas o que eu não consigo entender é como alguém pode fazer do bullying algo tão popular.

Claro que todos vocês sabem que eu estou falando do Shame On You, Blogueira, um blog que se dedica única e exclusivamente a coletar o que sua dona considera ‘pérolas’ do mundo blogueiro e as postar no seu endereço, devidamente acompanhadas de comentários que pode ser leves ou realmente maldosos, depende da falta de sorte da pessoa do dia.  Isso em si já é idiota, mas não é o pior. O pior é a quantidade de gente que a lê os posts desse blog. E comenta. E participa. E dá força para que esse tipo de coisa ridícula continue acontecendo.

Até agora eu tinha observado calada esse tipo de absurdo, apesar de ter percebido uma irritação cada vez maior por parte de várias integrantes do mundo blogueiro em relação à essa atitude impensada e infantil. Mas a gota d’água foi saber que Melina Souza, dona de um dos blogs mais fofos que eu conheço, foi gongada no Shame On You. GENTE? Desde quando postar sobre coisas fofinhas e companhia limitada virou razão para sofrer bullying na internet? E por que eu não fui avisada disso?

Eu tenho uma teoria bem prática: quem sabe, faz –  quem não sabe, critica. That simple. Para esse tipo de blogueiro é tão mais fácil sair apontando o erro dos outros, tirando onda, humilhando e machucando os sentimentos de pessoas das quais da vida ele não sabe um terço.  Vou dizer aqui uma coisa que a Victoria vive dizendo e eu assino embaixo: tá achando ruim? O povo está fazendo caca na internet? FAÇA MELHOR, CACETE! Seja a mudança que você quer ver. Rir dos outros não vai tornar nada melhor –  ou talvez torne, momentaneamente. Mas depois – e não se iluda, isso vai acontecer – você terá que lidar com as consequências dos seus atos. Com as consequências dos seus posts EXTREMAMENTE relevantes. E aí é que a porca torce o rabo, né?

As consequências que virão não são só para a  dona desse blog. Apesar dela ser responsável pelo conteúdo que ela libera na internet, ela não a única culpada por esse tipo de coisa que anda acontecendo por aqui. A internet não é TV aberta, na qual você tem poucas opções de entretenimento.  A internet é ampla demais e todo dia eu descubro coisas novas e maravilhosas feitas por gente como a gente (que acha que criar algum tipo de conteúdo é melhor que ficar apontando o dedo verruguento para os deslizes alheios). Então não creio que haja desculpa suficiente nesse mundo para diminuir a culpa de quem gasta o seu tempo lendo esse tipo de porcaria. Por que, olha, você TEM opções. E você está lá, rindo dos outros. E, com isso, ajudando a disseminar e dar público a um tipo de atitude que não é certa, não faz bem e não adiciona porra nenhuma na sua vida.

E o melhor:  todos sabem que tudo está tão errado que não mostram sua cara (ou os seus nomes). A maioria comenta anonimamente e DEUS SABE o nome da própria blogueira, que assina com o genérico ‘blogueira shame’. Por que intolerância é algo que não é bonito. Hitler que o diga.

Como já disse no começo do post: não estou aqui dizendo que nunca zonei com ninguém na minha vida. Claro que sim, eu me considero uma pessoa normal – apesar dos pesares – e tenho amigos e né? Comum. O que não se admite é alguém fazer disso um meio de vida. E pessoas ajudarem isso a persistir.

Gente assim é que nem urubu: se alimenta do que há de pior nessa vida. Não sejamos assim.

Cadê meu remédio pra artrite?

Eu me sinto meio perdida nesse mundo. Ótimo, já comecei o texto com um clichê. Mas, como eu costumo dizer quando quero enrolar os leitores, os clichês could suck, mas pelo menos são verdadeiros. E, também, se vocês me deixarem explicar – através da merda que esse texto parece ser (e é) -, eu posso mostrar qual é o sentimento que me torna tão diferente, tão perdida.

Dias desses – mentira, há alguns meses atrás – abriu a seleção para estágio na Globo Nordeste. Essa seleção é esperada o ano inteiro pelos foquinhas de todas as faculdades de jornalismo do Recife, por razões óbvias: todos querem ser famosos, todos querem aparecer na TV, todos querem ganhar direitinho em algum momento da vida –  apesar de todos crucificarem a Globo por ela ser o demônio, amém amém. Por que o estágio lá não paga essas coisas todas, mas né? Se você for contratado, o negócio pode ficar bom. Ou não. E é por esse ‘ou não’ que eu sou quem eu sou. E é por esse ou não que eu faltei a seleção da globo.

Não me levem a mal. Vocês me conhecem, não sou dessas chatas esquerdistas e psicóticas. Não foi por causa disso que deixei de participar das entrevistas. Essa escolha foi muito maior do que isso. Eu escolhi um estilo de vida – e trabalhar em jornais, em geral, doesn’t fit in it. E, por isso, faz com que eu não me encaixe no bolo geral. O bolo geral que escolhe a vida profissional em detrimento da vida pessoal.

Não quero correr loucamente de um lado pro outro, que nem barata tonta. Não gosto da ideia de não ter meus fins de semana livres. Não gosto de trabalhar à noite. Eu gosto das coisas simples. E isso não tornaria nada mais simples.

Isso pode parecer estranho, por eu ser quem eu sou. Afinal de contas, não sou nenhuma festeira, am I? Eu não vivo saindo. Sou uma garota caseira, que gosta de cozinhar, ler feeds legais e passar um tempo assistindo besteiras com o namorado. Então pra quê eu quero tanto tempo livre, FGS? Eu respondo: para continuar fazendo o que eu estou fazendo agora. Por que eu tenho DIREITO a um tempo livre, para passar fazendo nada. Mantendo minha sanidade. Integridade. Amizades – poucas, mas existentes.

É gente. Eu já estou preparada para os zilhões de pedras que serão atiradas em mim, mas né? É a vida. E eu não mudaria a minha por um $$$$$ a mais. É claro que eu gosto de dinheiro. Mas se, para ter dinheiro, eu tiver que passar pouco/nenhum tempo com meu namorado, minha família, meus amigos + perder qualquer qualidade de vida que eu possa ter, eu prefiro continuar pobre. Pra quer ter dinheiro e não ter tempo pra gastá-lo, não é mesmo?

Houve um tempo em que eu pensaria que essa era eu, com medo do que pudesse vir de uma entrevista de emprego. Com medo de ter esperanças e falhar num teste. Com medo de dar adeus a uma coisa que, para ser sincera, já foi um sonho quando eu era mais jovem e, obviamente, mais boba. Mas hoje em dia, não. Não vejo medo. Vejo determinação. Vejo um objetivo e um patamar de vida que eu eu quero alcançar. E são minhas escolhas que vão determinar se eu o conseguirei ou não.

Eu quero casar. Quero ter filhos. Ter alguma tranquilidade, com uma marido amoroso ao meu lado e amigos e família ao meu redor. Fama não é mais importante. Alcançar o topo não é relevante, se não me fará feliz.

Leio minhas próprias palavras e me sinto meio velhinha. Talvez eu tenha o espírito do século passado. A gente vai descobrindo, aos poucos, que as melhores coisas são feitas com mais vagar – com mais tempo, tranquilidade e atenção.

É isso. Atingi os 80 aos 21. And I don’t really care.

É comigo?

Hoje vivi um momento tão fofo-risível que assim que ele aconteceu eu sabia que teria de vir aqui, dividir com vocês. Eu estava sentada na mesa da cozinha, tomando café. Na verdade, não tomando café, por que não curto tomar café no café da manhã – vejam que coisa! Estava com uma velha e boa tigela de sucrilhos com leite e dando continuidade à leitura de Um Dia, quando minha mãe adentra o recinto, começando a dobrar as roupas que estavam em cima da mesa.

– Essas tuas calcinhas que não pode passar, vou colocar na tua cama, tá? – falou minha mãe, levantando umas calcinhas com apliques de renda.

– Tá. Na verdade, não precisa botar nenhuma dessas pra passar não, nem precisa – comentei, enquanto terminava a tigela de sucrilhos.

– Ok, então – e recomeçou a dobrar as roupas, tentando deixar a casa em perfeito estado para viajar para Maragogi essa semana. Toda a minha família vai, menos eu que, agora, faço parte da classe trabalhadora que não conhece férias, i.e, estagiária. But I was ok with that.

– Minha gengiva está voltando a doer – falei, apontando para o lugar onde, através a bochecha, deve se localizar a gengiva dolorenta – Aquela, do dente siso. Espero que não volte a doer nesse fim de semana.

– Eita. Tu usa fio dental? – perguntou minha mãe, em tom inquisidor – Tem que passar. Tem que escovar os dentes direito também!

– Mas essa gengiva não tem como limpar não, mãe. Ela é mole, fica em cima do dente. Toda vez que eu vou limpar, ela sangra – falei.

E se seguiu esse diálogo matinal, com a minha pessoa pegando os remédios que tinham restado da última crise de gengiva inflamada e minha mãe falando sobre a inabilidade do meu plano de saúde em ajudar os seus segurados. Daí meu pai chega na cozinha, me chamando para ir embora e eu me levanto, colocando a tigela na pia e marcando a página do livro. A gente está a caminho da porta – discutindo a minha gengiva – quando minha mãe fala: “Cuidado por aí, viu? Qualquer coisa, ligue pra gente”.

O meu instinto natural foi dizer ’tá bem’, mas aí depois eu observei minha boca abrindo e perguntando – como se tivesse vida própria – idiotamente: “A senhora falou isso comigo ou com painho?”. Claro que no exato momento eu estava me dando um pedala imaginário POR QUE CLARO QUE FOI COMIGO. PRA QUÊ ELA IA DIZER ‘LIGUE PRA GENTE’ se fosse com meu pai? Burra! Meu pai fez coro a meu superego e falou: “Claro que foi com você, né?!”. Minha mãe disse, de um jeito que dizia ‘what the hell are you thinking’, que foi comigo, CLARO. Então eu só fiz falar ’tá bom’ de novo e rir da minha tabaquice e falta de jeito.

E de repente me deu uma vontade de me despedir. Decentemente. Então corri de volta pra porta da cozinha, onde minha mãe estava, e dei um abraço apertado, desejando boa viagem. “Boa viagem, mamis”. Ela riu e agradeceu, me pedindo para que eu, pelo amor de Deus, não tocasse fogo na cozinha enquanto ela estivesse fora. Sorri e fui embora, sentindo um sentimentozinho bom crescendo dentro de mim.

Não sei o que é. Mas certamente nasceu com aquele ‘cuidado por aí’. (:

Tive que colocar fotos de Gilmore Girls, por que elas são o par mãe-filha mais lindo de todo o universo.

Não tem título que resuma isso aqui

A quem quiser ter um bom dia eu não aconselho a leitura do texto abaixo. É triste, é raivoso, é rancoroso. Mas era tudo o que tinha dentro de mim agora e eu precisava colocar pra fora.

O problema é que não são apenas mágoas antigas. Se fossem apenas estas, eu estaria bem. Sim, estaria. Eu meio que sou uma pessoa rancorosa – sou mesmo – mas eu consigo dar a volta por cima. Acredite, VOCÊ NÃO FOI A ÚNICA PESSOA QUE ME FEZ MAL NA VIDA. Embora, sem sombra de dúvida, tenha sido a que MAIS me fez mal.

Irônico, não é? Seria risível, se não fosse trágico. A pessoa que deveria estar sempre do meu lado, me apoiando, me fazendo feliz, é a pessoa que escolheu ser a crápula da minha vida. Difícil pensar numa ideia pior que essa. Se alguém tiver, por favor, não ponha em prática. Essa aqui já dói pra cacete.

Mas o problema, mesmo, não é APENAS o que você fez no passado. As feridas cicatrizariam se você NÃO FOSSE MAIS VOCÊ. Se você parasse de me tratar diferente da minha irmã, acho. Por que, sabe, eu e minha irmã somos MUITO parecidas. Sei que muito mais do que a senhora gostaria que fosse. As diferenças entre nós são causadas pela senhora mesma. Sabe, o fato dela não ser caseira não se deve apenas a ‘ela gostar de sair’ ou ‘ela ter amigos’. Eu também tenho amigos. Também tinha na idade dela. Eu não era nenhuma leprosa social. Damn, eu fazia TEATRO. Como alguém que faz teatro pode ser uma leprosa social? Mas a senhora e meu pai preferiram me trancar dentro de casa, como um monstro que deve ser escondido. A um certo ponto, eu desisti de pedir pra sair. Dava tanto trabalho conseguir um sim que eu preferia ficar em casa. É como eu disse outro dia no inglês: my parents killed the party person in me. Então se a minha irmã é uma ‘party person’ hoje em dia e eu não, é simplesmente por que aprendi que sair de casa DÁ MUITO TRABALHO.

E desde quando ser uma party person é positivo, afinal de contas? É só uma característica.

Eu acho HILÁRIO essas pessoas que fodem com o seu emocional e depois vem com a conversinha: “VAI PROCURAR UM TERAPEUTA, VOCÊ PRECISA CURAR ISSO”. OH REALLY? Mas me diz aí ALGUMA COISA QUE EU NÃO SAIBA. Eu tinha que curar feridas desde que eu era PEQUENA, sabe? Bem pequena, uns 6 anos, por aí. MAS SERÁ QUE A SENHORA ME DEIXOU CURAR ALGUMA COISA? Oh, not really, right? Me parece que por cima de uma facada a senhora aplicava um novo golpe. E agora as feridas antigas e novas se juntaram aqui e estão fazendo rebelião. Disseram que nem vão tentar se curar mais, por que não tem lógica, se você ainda estiver na minha vida. Eu nem tenho como discordar.

É muito triste tudo isso. Nesse exato momento estou me forçando a não chorar. Afinal, estou escrevendo da minha mesa do trabalho, não ia pegar bem. Eu nem queria escrever isso daqui, mas é algo que está me matando e tem que ser escrito o quanto antes. Essas porção de coisas ditas e não ditas – mais ditas, for sure. Outro dia eu estava na casa de amigos meus e de Weslley e um casal do grupo estava pra casar. A menina em particular falou que a mãe já estava triste por que ela ia embora. Daí a mãe de outra amiga, que estava presente na sala, disse que sentia falta da filha dela o tempo todo. E eu, revoltada com tudo aquilo, falei idiotamente: “Pois a minha tá louca que eu vá embora”. Pois é, que imbecilidade falar isso. Ninguém precisava saber, né? Por sorte, ninguém quis detalhes sórdidos do nosso relacionamento. Ia estragar a noite.

Mas, sabe, não consegui me segurar. Aquelas conversações NÃO FAZEM PARTE DE MIM. Não são parte do meu dia-a-dia. Eu não queria escutar aquilo. Doía demais. Saber que eu nunca vou ter aquilo. Tem como sentir falta de algo que nunca se teve? Parece que sim, no fim das contas. É muito injusto eu, de todas as pessoas do mundo, não ter direito a ter uma mãe. Cacete, WHAT THE HELL I DID TO DESERVE SUCH A HORRIBLE THING? Vai ver fui Hitler na outra vida. Isso explicaria, talvez.

Weslley me falou que eu deveria criar um filtro. Isso é muito ele, mas não parece comigo. Eu, criando um filtro? O QUE É FILTRO, MINHA GENTE? Mas ele insistiu, dizendo que discutir e brigar só piora. Fiquei calada, por que ele realmente parecia acreditar que aquilo daria certo, se eu me dispusesse a por em prática. Mas eu não acredito nem um pouco nesse método. Sabe, mesmo gritando com a minha mãe de duas em duas semanas, a minha garganta ainda está cheia de coisas não-ditas. E, olha, eu não consigo IGNORAR. Eu gostaria. Juro como eu gostaria. Mas dói demais pra ficar calada. É como não gritar enquanto alguém arranca suas tripas. Tem condições? É muita injustiça ter sido tratada do jeito que eu sou, como alguém inferior, sendo que eu NEM AO MENOS sei o que MERDA eu fiz para merecer essa porra de tratamento. Eu entendo muito que meu amor queira que eu ignore. E eu sei que, embora ele não fale, ele se revolta de me vez chegando chorosa no carro dele. Por que eu me revoltaria se fosse o contrário. Quando a gente ama de verdade, não quer que o outro se machuque.

E é por isso que eu digo BULLSHIT que a senhora me ama. Que porra de amor é esse? Talvez a senhora não me queira morta debaixo de um ônibus, mas amar? Vá contar essa história da carochinha pra outro, POR QUE A MIM A SENHORA NÃO ENGANA. Sim, eu sei que é sua tarefa impor limites. Mas, sabe que eu só não sou melhor hoje em dia POR SUA CULPA? Eu poderia ser mais calma. Ser menos rebelde. Mas eu sou nervosa, estressada e tenho problemas com autoridades. Isso não é culpa de quem me mimou, como a senhora vive dizendo. É SUA. Deal with it. Por que eu não sou muito mais mimada que minha irmã, sou?  Na verdade, minha irmã É UM ZILHÃO DE VEZES MAIS FRESCA QUE EU. Eu não sei de onde a senhora tirou que eu sou MIMADA. Eu estudo e trabalho, pago minhas contas e lido com meus problemas. Não tem mimo aqui, minha filha. As poucas pessoas que me mimavam a senhora afastou de mim e eu as deixei se afastar, de idiota que eu sou. Por que simplesmente dá trabalho demais explicar que eu não sou algo que a senhora já se esforçou tanto para fazer verdadeiro.

Eu não sou tão ruim assim. Como filha eu devo ser a merda, não discuto. Mas isso eu já deixei de lado, por que não tem como eu ser melhor tendo a senhora como mãe. Mas, apesar disso, eu sempre tiro notas boas, sou o mais responsável que meus 21 anos me permitem ser, não bebo, não fumo e só faço sexo com o cara que será meu marido e pai dos meus filhos. Não tem como eu ser uma decepção de filha. Ou pelo menos não tem como eu ser mais decepcionante que a minha irmã. Somos praticamente a mesma coisa. Só que a senhora trata ela diferente.

Pra vocês verem que não tô de balela. O meu ano de vestibular foi kind of a hell. E uma boa parte por causa da minha mãe que a) me humilhou por que eu não passei no vestibular de primeira mesmo eu tendo estudado num colégio de merda; b) jogou na minha cara que eu estava sugando o sangue do meu pai por que eu ia passar MAIS UM ANO só estudando quando eu deveria estar trabalhando; e c) fazia questão de deixar claro o tempo todo que se eu não passasse NÃO TINHA SEGUNDA CHANCE PRA MIM. Daí vocês tiram que, se eu passei na minha segunda tentativa, NÃO FOI POR CAUSA DO APOIO EMOCIONAL DELA. Daí minha irmã vem e me conta que esse ano ela vai ganhar mesada para não trabalhar. Mesada. Pra não trabalhar. No ano do SEGUNDO VESTIBULAR DELA. Olhei pra ela com cara de YOU’RE KIDDING, RIGHT? Mas não. Era tudo verdade, mesmo. E o pior é que eu nem estou chocada. Eu já esperava por isso, por que foi assim que ela agiu em várias situações comuns a mim e a minha irmã. Ela fode com a minha vida e quando é a vez da minha irmã de fazer o mesmo ELA SIMPLESMENTE AGE CERTO. O que eu sou, afinal de contas? A porra de um rascunho? A filha que deu errado? Vai se foder, você não é retardada. Você simplesmente não gosta de mim.

Eu vou fazer terapia, sim. Mas só quando eu sair da sua casa. Do contrário, é jogar dinheiro fora. E, ah, obrigada por foder com meu emocional. Sempre posso contar com você para isso.

O abraço.

Descobri. Descobri que quando a gente gosta de verdade de alguém a gente sofre a dor da pessoa. Eu preferia ter descoberto de outro jeito, mas eu descobri eu descobri naquele abraço. Aquele abraço dolorido, forte, que não quer soltar, por medo que o resto do mundo desmorone junto com o abraço. Aquele abraço soluçante, no qual chora quem está no abraço e quem está em volta também.

Aquele abraço me passou a sua dor. E eu não me neguei a aceitá-la. Abri meu coração e a deixei  entrar, como se ela fosse minha também. Por que, no fim, ela é. Por que não se pode conhecer alguém por tanto tempo e não sofrer com as mesmas dores.  Eu te abracei forte, querendo que você não estivesse sofrendo com aquele veneno, mas ao mesmo tempo sabendo que todos nós passaremos por isso, em algum momento da nossa vida, cedo ou tarde. Eu preferia tarde. Todos nós. Mas foi cedo e não há como lutar contra os desígnios de Deus.

No final das contas, tive que soltar. Tivemos que. Outras pessoas também queriam compartilhar a tua dor. Outros amigos. O abraço se foi, mas cada um ficou com um pedacinho dela no seu coração, para tornar a tua mais suportável.

O último gigapost do ano

Eu me debati. Sério, gente. Eu não pretendia mesmo fazer um post retrospectiva-2011 esse ano. Not at all. Por que 2011 me deixou um sentimento de trabalho mal-feito, sabe? De coisa inacabada, de planos que foram por água abaixo. Entretanto, cá estou eu. Por que certas tradições nunca morrem nem devem. Ter esperança num novo amanhã é uma delas. E, claro, a gente pode falar que essa esperança pode ser refeita a cada dia que nasce e essas coisas que as pessoas geralmente dizem para tirar a empolgação das outras MAS – e esse é um grande mas – não é bem assim que acontece, não é mesmo? Quando a gente briga com o namorado em um dia, no outro não decidimos, do nada, que nossa atitude não foi legal e que devemos mudar. Mudanças levam tempo por que, acima de tudo, precisamos de tempo para perceber que estamos errando e depois ONDE estamos errando. Por isso eu acho que o começo de um novo ano nos traz um gás maior. Mais esperança. Por que temos mais tempo para nos tornamos aquilo que queremos ser. E se não nos tornamos, já melhoramos na tentativa, certo?

Enfim, chega de enrolação e vamos à retrospectiva totalmente sincera da minha vida em 2011.

Relacionamentos

  • Meu relacionamento com a minha mãe continua na merda e o com meu pai tá indo junto, por que ele começa a achar que a minha mãe tem razão. Em contrapartida, o meu relacionamento com a minha irmã está cada vez mais profundo. Somos muito amigas e ela definitivamente está entre as pessoas que mais amo neste mundo.
  • Continuo meio ‘perdida’ na faculdade. Não sei bem dizer o porquê. Acho que sou meio fechada para amizades. E também sou um porre de chata. E não bebo. Acho que esses três fatores não contribuem em nada para a minha socialização. Anyway, ano que vem termino o curso – graças a Deus – e poderei me livrar desse sentimento incômodo de não pertencer a algum lugar.
  • Foi difícil manter contato com os amigos antigos. Em parte por preguiça minha, em parte por preguiça deles. A verdade é que eu  cansei, há um tempo atrás, de correr atrás das pessoas. Geralmente sempre sou eu, sabe? Conto nos dedos as vezes que alguém tem a ideia de me chamar pra algum lugar, só pra conversar e aproveitar minha companhia que – admito – não é essas coisas, mas também não é a coisa mais terrível do mundo. Assim sendo, como eu parei e ligar, cutucar e chamar, algumas amizades meio que foram para aquele limbo costumava-ser-amigo. Enfim, disso não me arrependo. É muito desgastante ter que ficar atrás das pessoas.
  • Conheci diversas pessoas lindas pela internet. Sim, sei que estou parecendo mais antissocial a cada palavra, mas o que posso fazer? Faço parte de um grupo lindo de amigas blogueiras que dão suporte umas às outras nos momentos mais tensos. E pude compartilhar com elas muito mais do que compartilhei com qualquer outro ‘amigo’ que não seja o meu namorado ou minha família. Just saying.
  • O meu namoro continuou firme e forte em 2011. Fizemos 5 anos agora em dezembro. Eu não posso pedir muito mais do que ele na minha vida. Sei que às vezes tudo o que eu faço é reclamar, mas isso é falha do ser humano, né? Weslley faz minha vida cada vez mais linda e eu sou muito grata a Deus por tê-lo colocado na minha vida.
  • Não sei se isso aqui deve ir no campo relacionamentos, mas a minha fé foi bem abalada esse ano. Não deixei de acreditar em Deus, claro. Mas, por um bom tempo, deixei de contar com ele. Eu não sei bem a razão. Talvez o fato da minha mãe começar a apontar ‘pecados’ em mim tenha contribuído violentamente para esse tipo de comportamento. Anyway, foi muito ruim, por que comecei a sentir um vazio muito grande dentro de mim. E voltei a procurá-lo. Ainda não estou 100% – minha mãe really don’t help – mas estou voltando. Deus é tudo, gente, e uma vida sem ele não é pra mim.
Trabalho/Carreira
  • Mudei de estágio. Saí de uma empresa de social media com a qual não me identificava mais – estava trabalhando pra caramba, mas sem entender bem o porquê daquilo –  e fui para a assessoria de uma escola de magistratura – escola para juízes, para quem viajou. Lá é ótimo, calmo, tenho uma chefe tranquila e as pessoas são gentis, no geral. Sofro pouca pressão e geralmente consigo fazer os meus trabalhos sem stress. Adoro trabalhar lá e estou aprendendo coisas de outra área pela qual me interesso bastante – design. Enfim, foi uma ótima troca. O único problema foi que fiquei sem férias ~~~ só ano que vem agora!
  • Desanimei com o jornalismo. Vocês já viram um post aqui sobre isso, então acho que isso dispensa maiores explicações. Estou trabalhando no próximo passo depois da faculdade – cursos aleatórios, uma graduação, uma pós

Dinheiro

  • Comecei o ano controlada e no meio dele me descontrolei de novo. Resultado é que acabo de dar de cara com uma fatura de nada mais, nada menos do que R$499. Sim, fiquei em pânico e agora estou indo cortar cada cartãozinho but o Hipercard. A ideia  é ficar com um cartão só para tudo. Mais simples, acredito. Enfim, foi muito frustrante ver todo o esforço que fiz para PARAR DE COMPRAR LOUCAMENTE ir por água abaixo. Mas é para isso que fresh starts servem, certo?
  • Não consegui juntar nada na poupança conjunta e nem na minha. E todos os bônus que eu ganhei esse ano foram gastos de forma totally impensada. Fuck.
  • Enchi um porquinho – quebrei e gastei todo o dinheiro.

Comportamento

  • Fiquei ainda mais ranzinza do que já era. Acho que é uma doença.
  • Desenvolvi ainda mais a preguiça enorme que tenho de me arrumar. ‘Largada’ está virando um estilo de vida.
  • Comi que nem uma glutona idiota e terminei o ano com 4 KG A MAIS do que eu tinha quando comecei 2011 – com a esperança de voltar aos 58kg. Alguém me explica que era pra PERDER 4, NÃO GANHAR 4!
  • Perdi muito tempo na internet e li muito pouco, apesar da quantidade cada vez maior de livros não-lidos na minha estante. Shame on me.

Melhores descobertas do ano

  • Na internet: Os blogs da Luana, Melina, Marianna, Vida Organizada, Zen Habits. O site Health Month.
  • Bebidas: Chá de hortelã, Chá de morango, Skinka Frutas Verdes, Skinka Frutas Vermelhas.
  • Comidas: O Royal Burguer – da Pin Up –  e o fondue – de La Maison.
  • Aplicativos: Scrabble e Words With Friends, no Facebook.
  • Livros: Organize-se, de Donna Smallin. Eu sou Alice, de Melanie Benjamin. It Girl 6, de Cecily Von Ziegesar.
  • Maquiagem:  O batom vermelho e o delineador da linha Extra Lasting, da Avon. O pó Dream Matte, da Maybelline.

Daí vocês percebem que 2011 foi um ano com mais baixos que altos – mas que pelo menos teve algum alto. So, essas são as minhas intenções para 2012.

things I want to keep this way
– eu e weslley
– meu interesse em culinária

things I want to keep with changes
– meu blog – preciso me decidir, de vez, sobre o caminho que ele vai trilhar [blog-diário ou literário]
– clube do livro [fazê-lo mais ativo]
– inglês [estudar mais a gramática e me dedicar mais ao curso]
– meu interesse por desenho [preciso praticar mais]
– meu interesse por craftwork [preciso praticar mais]
– meus amigos [focar nos verdadeiros e parar de correr feito uma idiota atrás de quem não quer minha amizade]
– meu apetite livresco [preciso dedicar mais tempo a ele]
– computador/internet [usá-la de forma útil e durante menos tempo]
– meu comportamento na faculdade [tudo bem eu estar cagando pro jornalismo, mas preciso ser uma boa aluna até o fim do curso]
– meu quarto

things I want to start
– minha monografia
– a arte da gentileza e da boa vontade
– poupar $$$$$
– bons hábitos alimentícios [beber água, comer frutas, fibras, peixe]
– uma atividade física qualquer que me mantenha funcionando [corrida/natação/yoga]
– sair um pouco da minha zona de conforto cultural e experimentar mais música/filmes/livros que eu não conheço
– journal [já tenho o caderno, falta a coragem]
– voltar a usar uma agenda

things I want to/ need to end up
– procrastinação
– preguiça
– fast-food
– falta de cuidado comigo mesma [preguiça de me cuidar, mesmo]
– mau-humor
– ansiedade e os gastos e quilos e doenças causados por ela
– bagunça e desorganização [no meu quarto, computador, vida]

É isso, gente. Você que se interessou em ler até aqui, obrigada pelo interesse na minha humilde e silly vidinha. Deixo aqui meus melhores votos para esse ano que está vindo. Que consigamos ser pessoas melhores para que esse ano seja melhor.

Lost

Todo mundo tem crises na vida. É verdade, todos nós temos. As crises nos fazem mudar algo que não está certo e nos aperfeiçoarmos como pessoas. Mas isso só vale, eu acho, pra quem sabe o que fazer em seguida. E eu não sei.

Uma parte de mim se debate em negação ao que eu estou escrevendo aqui, mas a verdade é que eu não quero mais jornalismo. Não quero. É chato admitir – na verdade, chato é até eufemismo -, mas é a pura verdade. Cada pedacinho de mim está emputecido por eu ter feito a escolha errada. Mas eu tinha tanta certeza. Tanta certeza. Brigava com quem me dizia que eu não ia arranjar emprego nessa área, ou quem dizia que eu não ia ganhar dinheiro – o que é verdade, mas né? Eu estava disposta a deixar dinheiro de lado para fazer o que eu REALMENTE gostava. E agora, que eu descobri que não guardo nenhum afeto por essa profissão, o que resta?

O jornalismo tirou minha empolgação por escrever, coisa que eu fazia antes com a felicidade e a facilidade de quem respira. Agora eu tenho que ter algo bem organizado na minha mente, para poder dar certo o bendito texto. Esse texto mesmo, apesar de toda a quantidade de sentimentos que sinto ao escrevê-lo, está sendo quase um parto, de tão difícil. E não era pra ser assim. Escrever, modéstia à parte, é um dos poucos talentos que eu tenho. Para onde foi essa minha naturalidade? Eu praticamente nem pensava para escrever. A minha escrita era praticamente o meu jeito de pensar. Daí veio o jornalismo e matou isso em mim. Agora eu penso tanto que a ideia vai embora. As palavras fogem. Eu não sei se tenho assunto pr’um próximo parágrafo.

Que tipo de idiota não tem um plano B, me digam? Ah, essa sou eu, a imbecil que achava que jornalismo iria ser a minha vida. “Ah, eu adoro ler, adoro escrever, adoro falar –  É A MINHA PROFISSÃO!”.  Por que ninguém deu um tapa na minha cara e me acordou?  Se bem que eu sei que não ia adiantar. Quando eu encasqueto com alguma coisa, eu vou até o fim. Eu aceito conselhos, mas gosto de seguir minha própria opinião. Errada, mas minha.

Não vou dizer que o jornalismo não me trouxe nada de bom. Trouxe sim. Além d’eu ter aguçado bem mais o meu senso crítico, também descobri a fotografia, que apesar de ter ficado como hobby bem eventual mesmo – por que eu não tenho uma câmera dslr para tirar fotos decentes -, adicionou muito à minha vida. Mas eu não me vejo fazendo isso cheia de felicidade o resto da minha vida. Ou posso até fazer, mas preciso de algo que me mova para a frente, que me faça acordar feliz e dormir com a segurança e o alívio do trabalho bem feito.

Enquanto escrevo esse poste, me vem um pensamento de que o design pode ser esse porto. É. É possível. Mas não tenho certeza. Tenho muito medo de quebrar a minha cara que nem aconteceu com jornalismo. De qualquer forma, tenho que descobrir onde mora o meu bem querer, não é mesmo? E se tem essa chance, preciso aprofundar meus conhecimentos. Fazer do jeito certo, pesquisar sobre o campo, testar as possibilidades.

Por enquanto, ainda estou perdida nelas. Mas depois desse post, tenho um pouquinho de esperança que talvez, apenas talvez, eu consiga encontrar uma torinha de madeira que me impeça de afogar.

Sobre essa vida loca

Já aviso que o post não faz muito sentido e foi escrito de uma vez só e postado sem edição. Por que eu tava afim ~ e não tava afim de reler ou editar. É isso mesmo.

Daí que ontem passei horas lendo esse blog e comecei a pensar que, bem, tá tudo errado no jeito que eu vivo a vida. Ok,  não tudo. Algumas coisas, de fato. Mas ainda assim são algumas coisas que fazem toda a diferença entre viver puxando os cabelos ou viver feliz como uma bolinha saltitante, seja lá o que isso possa significar.

Eu sou uma pessoa extremamente ansiosa. Sempre fui. Desde que me entendo por gente. Eu mal dormia na véspera do meu aniversário, ansiosa pelos presentes que eu ia ganhar, pela festa, pelo o que estava por vir. Também ficava dias e horas ensaiando para uma entrevista de emprego, não conseguia dormir direito no dia que precedia a bendita e, depois dela, ficava enlouquecida esperando uma ligação que, na maior parte das vezes, não vinha. É, essa sou eu. Chega a ser ridículo, mas eu sempre sou a que corre atrás de alguma coisa. Vocês podem pensar “Ora, mas é legal correr atrás do que você acredita, do que você quer e blá-blá-blá”. E é nessa hora que eu digo: “SÉRIO?”. I mean, É POR QUE NÃO É VOCÊS QUE ESTÃO CORRENDO NÉ? Minha gente, isso não é de Deus. É cansativo. É boring. É irritante, estressante e tantos outros adjetivos negativos que se possa adicionar.

Sempre pensei da seguinte forma: “Nada pra mim vem fácil. Se eu não correr atrás, nada acontece”. E, na maior parte das vezes, isso se mostrou verdadeiro. Mas, olha. Vejam mesmo o meu namoro. A gente vai fazer cinco anos, em dezembro. E, assim, eu não me esforcei para conquistar meu Weslley. Sério. Eu não fiz grandes coisas além de ser eu mesma. Eu também não acredito que ele tenha sido mais do que ele realmente é – até por que ele sendo ele já é mais do que suficiente. E mesmo assim nos apaixonamos e estamos juntos. No sacrifices required. Nenhum choro, nenhum ranger de dentes, nenhum correr atrás desabalada. Foi fácil – embora, CLARO, a minha ansiedade atacasse toda vez que eu sabia que ia vê-lo, mas né? Não dá pra pedir tanto. De qualquer forma, a forma como tudo se encaixou lindamente na minha vida amorosa sem que eu fizesse nada de esquizofrênico para que acontecesse totalmente desmente a minha teoria de que eu tinha que suar e feder a camisa para conseguir algo.

E daí meu mundo cai, que nem o da Maysa.

Por que, gente, eu passo minha fucking vida inteira pensando que, é, é isso mesmo, a gente tem que batalhar até morrer pra conseguir alguma coisa e daí vem esse cara e diz “pare de pensar no futuro e viva o presente, MEFELHE!”. Não que ninguém nunca me tenha dito isso antes mas de repente, no meio dessa loucura de meio/fim de período e inglês e vida social, isso fez mais sentido do que nunca. I mean, POR QUE TEM QUE SER EU? Na verdade, por que tem que ser alguém? Why somebody has to get crazy about the huge number of things to do? Always? Por que precisamos nos sentir mal por não querermos fazer alguma coisa? Por que precisamos ter esse número ilógico e mortal de atividades extras que nos tiram o tempo de fazer o que queremos ou de não fazer nada? Por que precisamos correr enlouquecidos de um local pra outro? Por que temos que perder o tempo que gastaríamos com quem amamos respondendo e-mails e telefonemas aleatórios?

Sim, gente. Suddenly I see que a minha vida é curta demais para espinhas pipocando na minha cara e raiva irracional de pessoas que, simplesmente, não querem se estressar tanto quanto eu. E é por causa disso que vou, aos poucos, cortar coisas as quais estão tomando muito tempo da minha vida e que não me trazem lá muito prazer. Eu quero, agora, me dedicar a ser. Ser mais, fazer/ter/estressar/xingar/reclamar menos.

Não sei ainda como isso vai ser. Certamente é um processo que requer algum tempo. Mas quem está com pressa?

Pareço legal, mas sou um porre

Outro dia estava lendo um dos meus blogs favoritos ever, o So Contagious, e a Annoca tava dizendo que sofria da Chronic Bitchface, aquela carinha abusada que faz com que as pessoas achem que você é daquelas que já acorda mandando a galera à merda, quando na verdade você dá bom dia até àquele besourinho que fez cocô no seu pão. E eu fiquei com inveja. Por que eu queria ser assim.

Sendo que eu sou o contrário.

Eu nunca encontrei ninguém na minha vida que dissesse que eu tenho cara de metida. Eu não tenho, gente. Não mesmo. Eu, geralmente, sou aquela pessoa de quem/com quem (sendo a primeira situação a mais comum) as pessoas riem. Eu causo identificação imediata. E eu não estou me gabando mas, quando eu quero (e a pessoa não é nenhum darth vader), eu faço amizade realmente muito rápido. Entretanto, já faz muito tempo que eu não quero. Ou que, pelo menos, me faço de difícil.

Vocês tem noção do QUÃO é irritante sempre ser a pessoa pra quem os outros perguntam as horas? Ou tentam conversar no msn? Ou no ônibus? Tudo por que você nasceu com essa maldita cara de simpática?!

Não é que eu também odeie todo mundo que vem falar comigo. Nem tanto nem tão pouco. Mas encontrar aquelas pessoas aleatórias, como Anna falou no seu post, é algo que realmente me tira do sério. E o que mais me irrita pior é que elas têm expectations que não chegam nem perto da realidade. POR EXEMPLO: Chega um pirralho FDP que não é pirralho, mas caiu no meu conceito para PIRRALHO por que ele estudou comigo e com a minha irmã. E nós temos 4 anos de diferença de uma para outra. VEJA BEM. Daí eu tô andando na rua, morrendo de calor, querendo chegar em casa logo para praguejar sobre o ônibus lotado quando um ser se posta na minha frente pra falar “ESTUDEI CONTIGO, VOCÊ LEMBRA?”.

A minha vontade é de responder “EU GOSTARIA DE NÃO LEMBRAR”, mas em respeito à minha própria reputação na vizinhança, eu respondo um “Aham” e continuo andando, de forma que o peste precisa quase correr para falar comigo. Em um certo momento da caminhada, ele desiste e vai embora.

Como eu já disse aqui, minha falta de paciência beira à sociopatia. Então, CARA, se eu nunca fui sua amiga – sequer sua colega, direito – POR QUE VOCÊ ATRAVESSA UMA RUA PARA FALAR COMIGO? Baseado em que estrutura? Admito que só pode ser culpa da minha maldita cara de simpática que, apesar de não ser das melhores (estou lutando para me desfazer desse problema), ainda engana alguns.

Acreditem em mim, é muito mais irritante ser julgada como simpática. Pelo menos no caso da Chronic Bitch Face a pessoa vai descobrir que você é super legal, depois de te dar alguma chance. No meu caso, a pessoa só vai se decepcionar.

Triste.