Só pra vocês saberem o que tem rolado

Mesmo que eu quisesse, eu não conseguiria fazer um post sobre tudo o que está acontecendo atualmente na minha vida – ou sobre tudo o que tem passado na minha cabecinha ultimamente. It’s just too much. Tenho estado mais atolada em trabalho do que já estive em toda a minha vida e, apesar disso ser estressante e um pouco frustrante algumas vezes – especialmente quando não posso passar todo o tempo desse mundo mimando e sendo mimada por Weslley -, parece certo e bom, na maior parte do tempo.

Estou envolvida com um projeto na faculdade o qual só posso adiantar que vai ser MUITO LEGAL e que vocês poderão ver em breve – e é ele mesmo que está sugando cada tempinho livre que eu tenho, me colocando para escrever, entrevistar, apurar, tirar fotos e gravar vídeos como se não houvesse amanhã. Mas não estou realmente ligando, por que é uma das poucas coisas que eu gostei de fazer naquele curso. Depois de um milhão de cadeiras pé-no-ovo que paguei e ainda pago, é um respiro descobrir algo na área do jornalismo que me interesse.

Além disso, também meio que fiz uma amiga nova, que nem é tão nova, por que já a conheço há um tempinho. É. Engraçado isso, né? Quando você convive com pessoas superlegais e nem sabe disso? Essa amiga em questão estuda na mesma sala que eu, mas por pertencemos a grupinhos diferentes, não nos falávamos muito. Não que fôssemos brigadas  ou coisa assim. Simplesmente não tínhamos muito contato, mesmo. Por que eu sempre fazia trabalhos com o meu grupinho específico e ela sempre com o dela e ficou difícil parar, conversar e se conhecer nesse meio-tempo. Mas eis que surgiu, nesse semestre, a oportunidade de trabalharmos juntas. E, né? Foi uma ótima descoberta. Sair da nossa zona de conforto pode ser bem válido e cheio de recompensas de vez em quando.

Mas não quero que vocês pensem que tudo são flores. Estou tendo aulas de disciplinas que não me interessam, com professores – na verdade, um professor – que tenho abuso.  Antes de ontem estive puxando os cabelos para conseguir um personagem para uma reportagem especial que vamos precisar fazer – depois de uma fonte farrapar lindamente comigo. Sexta-feira passada eu estava tentando me fazer entender por um professor que deveria estar aposentado e que não conseguia responder uma simples perguntas sim-ou-não sem fazer um grande  discurso antes. Também estou atolada de coisas pra fazer no trabalho, embora tenha gente em muito pior situação do que eu.

Não estou conseguindo fazer dieta ou economizar dinheiro, embora tenha planos pra isso – que talvez divida aqui mais tarde. Estou muito ocupada em viver o presente e preparar o futuro. E um chocolatinho não vai fazer mal, agora.

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Sobre urubuzar

Não gosto desse tipo de gente. E nesse post não pretendo MESMO usar meias palavras ou meios termos. Não gosto mesmo. Nunca gostei e nunca fui esse tipo de gente. Claro que todos nós entendemos e relevamos uma gongaçãozinha de vez em quando – quem nunca abusou uma amiga/irmã/alguém-aleatório atire a primeira pedra. Mas o que eu não consigo entender é como alguém pode fazer do bullying algo tão popular.

Claro que todos vocês sabem que eu estou falando do Shame On You, Blogueira, um blog que se dedica única e exclusivamente a coletar o que sua dona considera ‘pérolas’ do mundo blogueiro e as postar no seu endereço, devidamente acompanhadas de comentários que pode ser leves ou realmente maldosos, depende da falta de sorte da pessoa do dia.  Isso em si já é idiota, mas não é o pior. O pior é a quantidade de gente que a lê os posts desse blog. E comenta. E participa. E dá força para que esse tipo de coisa ridícula continue acontecendo.

Até agora eu tinha observado calada esse tipo de absurdo, apesar de ter percebido uma irritação cada vez maior por parte de várias integrantes do mundo blogueiro em relação à essa atitude impensada e infantil. Mas a gota d’água foi saber que Melina Souza, dona de um dos blogs mais fofos que eu conheço, foi gongada no Shame On You. GENTE? Desde quando postar sobre coisas fofinhas e companhia limitada virou razão para sofrer bullying na internet? E por que eu não fui avisada disso?

Eu tenho uma teoria bem prática: quem sabe, faz –  quem não sabe, critica. That simple. Para esse tipo de blogueiro é tão mais fácil sair apontando o erro dos outros, tirando onda, humilhando e machucando os sentimentos de pessoas das quais da vida ele não sabe um terço.  Vou dizer aqui uma coisa que a Victoria vive dizendo e eu assino embaixo: tá achando ruim? O povo está fazendo caca na internet? FAÇA MELHOR, CACETE! Seja a mudança que você quer ver. Rir dos outros não vai tornar nada melhor –  ou talvez torne, momentaneamente. Mas depois – e não se iluda, isso vai acontecer – você terá que lidar com as consequências dos seus atos. Com as consequências dos seus posts EXTREMAMENTE relevantes. E aí é que a porca torce o rabo, né?

As consequências que virão não são só para a  dona desse blog. Apesar dela ser responsável pelo conteúdo que ela libera na internet, ela não a única culpada por esse tipo de coisa que anda acontecendo por aqui. A internet não é TV aberta, na qual você tem poucas opções de entretenimento.  A internet é ampla demais e todo dia eu descubro coisas novas e maravilhosas feitas por gente como a gente (que acha que criar algum tipo de conteúdo é melhor que ficar apontando o dedo verruguento para os deslizes alheios). Então não creio que haja desculpa suficiente nesse mundo para diminuir a culpa de quem gasta o seu tempo lendo esse tipo de porcaria. Por que, olha, você TEM opções. E você está lá, rindo dos outros. E, com isso, ajudando a disseminar e dar público a um tipo de atitude que não é certa, não faz bem e não adiciona porra nenhuma na sua vida.

E o melhor:  todos sabem que tudo está tão errado que não mostram sua cara (ou os seus nomes). A maioria comenta anonimamente e DEUS SABE o nome da própria blogueira, que assina com o genérico ‘blogueira shame’. Por que intolerância é algo que não é bonito. Hitler que o diga.

Como já disse no começo do post: não estou aqui dizendo que nunca zonei com ninguém na minha vida. Claro que sim, eu me considero uma pessoa normal – apesar dos pesares – e tenho amigos e né? Comum. O que não se admite é alguém fazer disso um meio de vida. E pessoas ajudarem isso a persistir.

Gente assim é que nem urubu: se alimenta do que há de pior nessa vida. Não sejamos assim.

Cadê meu remédio pra artrite?

Eu me sinto meio perdida nesse mundo. Ótimo, já comecei o texto com um clichê. Mas, como eu costumo dizer quando quero enrolar os leitores, os clichês could suck, mas pelo menos são verdadeiros. E, também, se vocês me deixarem explicar – através da merda que esse texto parece ser (e é) -, eu posso mostrar qual é o sentimento que me torna tão diferente, tão perdida.

Dias desses – mentira, há alguns meses atrás – abriu a seleção para estágio na Globo Nordeste. Essa seleção é esperada o ano inteiro pelos foquinhas de todas as faculdades de jornalismo do Recife, por razões óbvias: todos querem ser famosos, todos querem aparecer na TV, todos querem ganhar direitinho em algum momento da vida –  apesar de todos crucificarem a Globo por ela ser o demônio, amém amém. Por que o estágio lá não paga essas coisas todas, mas né? Se você for contratado, o negócio pode ficar bom. Ou não. E é por esse ‘ou não’ que eu sou quem eu sou. E é por esse ou não que eu faltei a seleção da globo.

Não me levem a mal. Vocês me conhecem, não sou dessas chatas esquerdistas e psicóticas. Não foi por causa disso que deixei de participar das entrevistas. Essa escolha foi muito maior do que isso. Eu escolhi um estilo de vida – e trabalhar em jornais, em geral, doesn’t fit in it. E, por isso, faz com que eu não me encaixe no bolo geral. O bolo geral que escolhe a vida profissional em detrimento da vida pessoal.

Não quero correr loucamente de um lado pro outro, que nem barata tonta. Não gosto da ideia de não ter meus fins de semana livres. Não gosto de trabalhar à noite. Eu gosto das coisas simples. E isso não tornaria nada mais simples.

Isso pode parecer estranho, por eu ser quem eu sou. Afinal de contas, não sou nenhuma festeira, am I? Eu não vivo saindo. Sou uma garota caseira, que gosta de cozinhar, ler feeds legais e passar um tempo assistindo besteiras com o namorado. Então pra quê eu quero tanto tempo livre, FGS? Eu respondo: para continuar fazendo o que eu estou fazendo agora. Por que eu tenho DIREITO a um tempo livre, para passar fazendo nada. Mantendo minha sanidade. Integridade. Amizades – poucas, mas existentes.

É gente. Eu já estou preparada para os zilhões de pedras que serão atiradas em mim, mas né? É a vida. E eu não mudaria a minha por um $$$$$ a mais. É claro que eu gosto de dinheiro. Mas se, para ter dinheiro, eu tiver que passar pouco/nenhum tempo com meu namorado, minha família, meus amigos + perder qualquer qualidade de vida que eu possa ter, eu prefiro continuar pobre. Pra quer ter dinheiro e não ter tempo pra gastá-lo, não é mesmo?

Houve um tempo em que eu pensaria que essa era eu, com medo do que pudesse vir de uma entrevista de emprego. Com medo de ter esperanças e falhar num teste. Com medo de dar adeus a uma coisa que, para ser sincera, já foi um sonho quando eu era mais jovem e, obviamente, mais boba. Mas hoje em dia, não. Não vejo medo. Vejo determinação. Vejo um objetivo e um patamar de vida que eu eu quero alcançar. E são minhas escolhas que vão determinar se eu o conseguirei ou não.

Eu quero casar. Quero ter filhos. Ter alguma tranquilidade, com uma marido amoroso ao meu lado e amigos e família ao meu redor. Fama não é mais importante. Alcançar o topo não é relevante, se não me fará feliz.

Leio minhas próprias palavras e me sinto meio velhinha. Talvez eu tenha o espírito do século passado. A gente vai descobrindo, aos poucos, que as melhores coisas são feitas com mais vagar – com mais tempo, tranquilidade e atenção.

É isso. Atingi os 80 aos 21. And I don’t really care.

É comigo?

Hoje vivi um momento tão fofo-risível que assim que ele aconteceu eu sabia que teria de vir aqui, dividir com vocês. Eu estava sentada na mesa da cozinha, tomando café. Na verdade, não tomando café, por que não curto tomar café no café da manhã – vejam que coisa! Estava com uma velha e boa tigela de sucrilhos com leite e dando continuidade à leitura de Um Dia, quando minha mãe adentra o recinto, começando a dobrar as roupas que estavam em cima da mesa.

– Essas tuas calcinhas que não pode passar, vou colocar na tua cama, tá? – falou minha mãe, levantando umas calcinhas com apliques de renda.

– Tá. Na verdade, não precisa botar nenhuma dessas pra passar não, nem precisa – comentei, enquanto terminava a tigela de sucrilhos.

– Ok, então – e recomeçou a dobrar as roupas, tentando deixar a casa em perfeito estado para viajar para Maragogi essa semana. Toda a minha família vai, menos eu que, agora, faço parte da classe trabalhadora que não conhece férias, i.e, estagiária. But I was ok with that.

– Minha gengiva está voltando a doer – falei, apontando para o lugar onde, através a bochecha, deve se localizar a gengiva dolorenta – Aquela, do dente siso. Espero que não volte a doer nesse fim de semana.

– Eita. Tu usa fio dental? – perguntou minha mãe, em tom inquisidor – Tem que passar. Tem que escovar os dentes direito também!

– Mas essa gengiva não tem como limpar não, mãe. Ela é mole, fica em cima do dente. Toda vez que eu vou limpar, ela sangra – falei.

E se seguiu esse diálogo matinal, com a minha pessoa pegando os remédios que tinham restado da última crise de gengiva inflamada e minha mãe falando sobre a inabilidade do meu plano de saúde em ajudar os seus segurados. Daí meu pai chega na cozinha, me chamando para ir embora e eu me levanto, colocando a tigela na pia e marcando a página do livro. A gente está a caminho da porta – discutindo a minha gengiva – quando minha mãe fala: “Cuidado por aí, viu? Qualquer coisa, ligue pra gente”.

O meu instinto natural foi dizer ’tá bem’, mas aí depois eu observei minha boca abrindo e perguntando – como se tivesse vida própria – idiotamente: “A senhora falou isso comigo ou com painho?”. Claro que no exato momento eu estava me dando um pedala imaginário POR QUE CLARO QUE FOI COMIGO. PRA QUÊ ELA IA DIZER ‘LIGUE PRA GENTE’ se fosse com meu pai? Burra! Meu pai fez coro a meu superego e falou: “Claro que foi com você, né?!”. Minha mãe disse, de um jeito que dizia ‘what the hell are you thinking’, que foi comigo, CLARO. Então eu só fiz falar ’tá bom’ de novo e rir da minha tabaquice e falta de jeito.

E de repente me deu uma vontade de me despedir. Decentemente. Então corri de volta pra porta da cozinha, onde minha mãe estava, e dei um abraço apertado, desejando boa viagem. “Boa viagem, mamis”. Ela riu e agradeceu, me pedindo para que eu, pelo amor de Deus, não tocasse fogo na cozinha enquanto ela estivesse fora. Sorri e fui embora, sentindo um sentimentozinho bom crescendo dentro de mim.

Não sei o que é. Mas certamente nasceu com aquele ‘cuidado por aí’. (:

Tive que colocar fotos de Gilmore Girls, por que elas são o par mãe-filha mais lindo de todo o universo.

O monstro

 A todo momento ela parecia brigar com um outro ser dentro dela. Um ser cheio de uma raiva preta e gosmenta, que nem aquela lama dos pântanos de desenho animado. Esse ser parecia não entender que ela estava no comando. “Deixe-me em paz, inferno”, pensava, enquanto travava lutas mentais contra aquele demônio dentro de si, que estava sempre a empurrando um pouco mais abaixo da montanha do bem-querer, diretinho para o vale da negatividade. Esperava que as pessoas não percebessem isso, mas parecia cada vez mais difícil domar esse monstro dentro dela. Quando menos esperava, ele aparecia, ardendo em chamas de ódio, despejando impropérios e palavras doloridas em quem estava mais próximo e machucando-a por consequência. Sim, por que ela se machucava com aquelas palavras que ela nem sabia como tinham saído de sua boca. Não tinha intenção de fazer mal a ninguém. Não era o que queria. No entanto, lá estava ela, mais uma vez, brigando com alguém querido por causa dessa idiotice sem fim que é ter algo de maligno dentro de si.

Ele estava emburrado, irritado e meio cheio de ser tratado tão agressivamente por qualquer razão. A amava, mas tudo tem limite e essa chateação já estava dando nos nervos fazia um tempo. Olhou para ela e se perguntou onde estava aquela menina doce pela qual se apaixonara. Talvez ela fosse um pouco azeda na época, mas o que acontecera para tudo desandar dessa forma? A menina que amava não se irritava por tudo com essa facilidade. Not a chance.

“Desculpe”, começou ela. Ele levantou os olhos dos cadarços que esteve encarando por severos minutos, como se tivesse pesando as consequências de dar um uso diferente para eles que não o de manter seus pés dentro do tênis. Será que amordaçá-la seria mesmo tão ruim? Levantou uma sobrancelha. “E pelo quê, exatamente?”, perguntou. Não acreditava muito nessas desculpas e ela não poderia culpá-lo. Tinha sido assim nos últimos dias e estava cada vez mais difícil aturar esses ataques bobos dela. Ela desviou o olhar, chateada pelo cinismo que vazou das palavras dele. De qualquer forma, decidiu ser sincera. Se ele estava assim, a culpa era apenas dela, que não conseguia controlar-se. “Por estar sendo assim, horrível. Não sou eu, essa. Você me conhece. Eu não sei o que está acontecendo comigo”, mentiu, achando a situação toda uma tremenda injustiça.

Por que, de todas as pessoas, tinha que ser ela a lidar com esse monstro maldito? Ela estava perdendo o controle, não conseguia se impor. O rancor tomava conta dela e não a deixava respirar, por mais que ela tentasse enfiá-lo num lugar bem escondido e obscuro dentro do seu coração. Mas não adiantava. Fosse qual fosse o recipiente,  o rancor vazava. Vazava e envenenava o seu interior. Bem que sempre disseram que não era bom guardar rancor de ninguém. Ela deveria ter escutado. Agora esse câncer se criara dentro dela, sua células intoxicadas de raiva e ela não conseguia resolver esse problema sozinha. Mas também não se sentia confortável para falar sobre ele com ninguém. O que pensariam dela? Tinha ela razões suficiente para viver tão p da vida o tempo todo? Sabia que não. Havia pessoas em situação muito mais desesperadora que a dela e nem por isso elas resolveram que ódio era uma boa ideia. Tinha que se ser muito burro e atrasado na escala espiritual para escolher esse tipo de opção. Qualidades essas que ela estava começando a acreditar que tinha.

A voz dele a acordou dos devaneios. “Fiz alguma coisa a você? Digo, alguma coisa que realmente tenha te machucado?”, perguntou ele, preocupado. Aquela lá realmente não era ela. Ele não conseguia reconhecer. E se não era ela, o que é que aquele outro ser estava fazendo ali. Pegou na mão dela e a alisou levemente com seus dedos longos. “Sabe”, falou olhando pros seus olhos, “você realmente pode contar comigo. Eu te amo e eu não estou brincando quando digo isso, você sabe”, afirmou, sério. Ela perscrutou seus olhos, procurando provas de que poderia confiar nele. “Não sei se posso dividir esse peso com você”, disse tristemente, olhando por cima do ombro dele. Não queria que a tomasse por louca. Não ele. Não alguém que ela amava tanto. Entretanto, também achava injusto machucá-lo de graça e nem ao menos dar-lhe uma explicação.

“E por que isso? Não estive eu sempre ao teu lado?”, perguntou ele, sem entender. Ela observou-o, triste, se sentindo o ser mais desprezível da face da terra. “Estou me corroendo por dentro, meu amor. Eu estou me matando. Matando o que há de bom em mim”, murmurou, uma lágrima caindo do seu olho esquerdo. O coração dela batia devagar, como que esperando pelas próximas palavras de um romance que já conhecia. Ele se assustou. “O que você quer dizer com isso?”, inquiriu, segurando as duas mãos dela, obrigando-a a olhá-lo de frente. Ela suspirou, o pesar derretido em seus olhos negros e úmidos. “Eu estou corroída pela rancor, meu amor. Não de você, mas de todas as pessoas que já me fizeram algum mal nessa vida”. Outra lágrima caiu, dessa vez correndo pela sua bochecha em direção à sua boca. Continuou. “Não pensei que isso fosse acontecer e sempre me orgulhei de ser uma pessoa que não esquece o que as outras fazem com ela. Sempre achei que era coisa de mosca morta, de gente sem personalidade, passar por cima do que acontece e seguir em frente”. Tomou fôlego. “Mas”, disse, olhando diretamente para os olhos bondosos dele, “descobri que não é bem assim. Passar por cima é necessário. Esquecer é necessário. Do contrário você termina que nem eu, com um monstro de ódio, uma bola gosmenta de rancor dentro de si, destruindo o que tem de bom dentro de você e colocando raiva, intolerância e irritação no lugar”, enumerou. “E agora receio ser tarde demais para me conseguir de volta. Desaprendi a ser boa. Só tenho sentimentos ruins dentro de mim. Não sei”, e precisou parar para tomar fôlego e completar a frase,”se te mereço mais. Certamente, não devo mais te merecer. Não sendo a pessoa odiosa que venho sendo”, admitiu, olhando para o chão e engolindo lágrimas salgadas de decepção consigo mesma.

Ele enxugou suas lágrimas e levantou o seu rosto com delicadeza. Não era bem aquilo que esperava, mas estava disposto a tomar como sua a tarefa. O queixo dela tremia, os olhos estavam vermelhos e ela toda parecia vibrar numa aura de tristeza e arrependimento. Ele não a deixaria desamparada. “Não podemos mudar o passado”, começou ele, acariciando a bochecha rosada dela, “mas podemos fazer um futuro diferente. Nunca é tarde e, se não houvesse nada de bom em você, você não estaria tão triste assim”, argumentou, procurando os olhos dela. “Acredite em mim, enquanto houver um pedacinho de bondade em você, há esperança”.

Nesse momento, o pedacinho de bondade nela, o amor que sentia por ele, brilhou dentro do seu peito, e ela se sentiu mais leve. Tavez ainda houvesse uma forma. Com ele ao seu lado. O peso é difícil de carregar, mas dividido por dois é certamente mais tolerável. Sorriu. “Talvez. Mas como farei para me livrar de todo esse mal que habita em mim?”, perguntou, preocupada. “Como farei para ser uma pessoa melhor, quando tenho vontade de bater em qualquer um que pisa no meu pé ou me contraria de alguma forma?”. Ele sorriu. “Paciência, amor. Bondade é uma consequência, não um bem imediato. Você terá que plantar o bem onde semeou a raiva e o rancor”, falou, apontando pro coração dela, “e terá que ter paciência e cuidado com esse sentimento, para que ele cresça forte. Uma vez que ele crescer, ninguém poderá tirá-lo de você”. Sorriu de novo. “E você deve parar de alimentar raiva. Não traz nada de bom”. Ela o abraçou, forte, como que fechando o acordo que eles tinham se proposto. O coração dela já batia num ritmo diferente. Uma luz já raiava dentro de si, iluminando seu olhar e fazendo-a lembrar um pouco mais do que ela era antes. Quem disse que o primeiro passo não era importante? Decidir mudar pra melhor é algo que pouca gente se propõe a fazer e lá estava ela, no começo do que acreditava ser uma longa estrada para uma vida satisfatória. Não seria fácil, decerto. Mas seria mais gratificante do que guardar toda aquela mágoa que ela havia armazenado dentro de si. Estava na hora de limpar os armários e lavar o seu interior com água, sabão e cloro.

“Ah, então você vai se transformar numa bunda-mole, é isso mesmo, minha querida?”, indagou a sua besta, debochada, impregnando o ar com seu veneno. Ela lançou um olhar risonho para o monstro e respondeu. “Não, meu caro. Vou me tornar uma pessoa feliz”. E jogou água, sabão e cloro. A faxina havia começado.

Perdoem o escrito bobo, me deu vontade de escrevê-lo e foi isso que eu fiz. (:

Não tem título que resuma isso aqui

A quem quiser ter um bom dia eu não aconselho a leitura do texto abaixo. É triste, é raivoso, é rancoroso. Mas era tudo o que tinha dentro de mim agora e eu precisava colocar pra fora.

O problema é que não são apenas mágoas antigas. Se fossem apenas estas, eu estaria bem. Sim, estaria. Eu meio que sou uma pessoa rancorosa – sou mesmo – mas eu consigo dar a volta por cima. Acredite, VOCÊ NÃO FOI A ÚNICA PESSOA QUE ME FEZ MAL NA VIDA. Embora, sem sombra de dúvida, tenha sido a que MAIS me fez mal.

Irônico, não é? Seria risível, se não fosse trágico. A pessoa que deveria estar sempre do meu lado, me apoiando, me fazendo feliz, é a pessoa que escolheu ser a crápula da minha vida. Difícil pensar numa ideia pior que essa. Se alguém tiver, por favor, não ponha em prática. Essa aqui já dói pra cacete.

Mas o problema, mesmo, não é APENAS o que você fez no passado. As feridas cicatrizariam se você NÃO FOSSE MAIS VOCÊ. Se você parasse de me tratar diferente da minha irmã, acho. Por que, sabe, eu e minha irmã somos MUITO parecidas. Sei que muito mais do que a senhora gostaria que fosse. As diferenças entre nós são causadas pela senhora mesma. Sabe, o fato dela não ser caseira não se deve apenas a ‘ela gostar de sair’ ou ‘ela ter amigos’. Eu também tenho amigos. Também tinha na idade dela. Eu não era nenhuma leprosa social. Damn, eu fazia TEATRO. Como alguém que faz teatro pode ser uma leprosa social? Mas a senhora e meu pai preferiram me trancar dentro de casa, como um monstro que deve ser escondido. A um certo ponto, eu desisti de pedir pra sair. Dava tanto trabalho conseguir um sim que eu preferia ficar em casa. É como eu disse outro dia no inglês: my parents killed the party person in me. Então se a minha irmã é uma ‘party person’ hoje em dia e eu não, é simplesmente por que aprendi que sair de casa DÁ MUITO TRABALHO.

E desde quando ser uma party person é positivo, afinal de contas? É só uma característica.

Eu acho HILÁRIO essas pessoas que fodem com o seu emocional e depois vem com a conversinha: “VAI PROCURAR UM TERAPEUTA, VOCÊ PRECISA CURAR ISSO”. OH REALLY? Mas me diz aí ALGUMA COISA QUE EU NÃO SAIBA. Eu tinha que curar feridas desde que eu era PEQUENA, sabe? Bem pequena, uns 6 anos, por aí. MAS SERÁ QUE A SENHORA ME DEIXOU CURAR ALGUMA COISA? Oh, not really, right? Me parece que por cima de uma facada a senhora aplicava um novo golpe. E agora as feridas antigas e novas se juntaram aqui e estão fazendo rebelião. Disseram que nem vão tentar se curar mais, por que não tem lógica, se você ainda estiver na minha vida. Eu nem tenho como discordar.

É muito triste tudo isso. Nesse exato momento estou me forçando a não chorar. Afinal, estou escrevendo da minha mesa do trabalho, não ia pegar bem. Eu nem queria escrever isso daqui, mas é algo que está me matando e tem que ser escrito o quanto antes. Essas porção de coisas ditas e não ditas – mais ditas, for sure. Outro dia eu estava na casa de amigos meus e de Weslley e um casal do grupo estava pra casar. A menina em particular falou que a mãe já estava triste por que ela ia embora. Daí a mãe de outra amiga, que estava presente na sala, disse que sentia falta da filha dela o tempo todo. E eu, revoltada com tudo aquilo, falei idiotamente: “Pois a minha tá louca que eu vá embora”. Pois é, que imbecilidade falar isso. Ninguém precisava saber, né? Por sorte, ninguém quis detalhes sórdidos do nosso relacionamento. Ia estragar a noite.

Mas, sabe, não consegui me segurar. Aquelas conversações NÃO FAZEM PARTE DE MIM. Não são parte do meu dia-a-dia. Eu não queria escutar aquilo. Doía demais. Saber que eu nunca vou ter aquilo. Tem como sentir falta de algo que nunca se teve? Parece que sim, no fim das contas. É muito injusto eu, de todas as pessoas do mundo, não ter direito a ter uma mãe. Cacete, WHAT THE HELL I DID TO DESERVE SUCH A HORRIBLE THING? Vai ver fui Hitler na outra vida. Isso explicaria, talvez.

Weslley me falou que eu deveria criar um filtro. Isso é muito ele, mas não parece comigo. Eu, criando um filtro? O QUE É FILTRO, MINHA GENTE? Mas ele insistiu, dizendo que discutir e brigar só piora. Fiquei calada, por que ele realmente parecia acreditar que aquilo daria certo, se eu me dispusesse a por em prática. Mas eu não acredito nem um pouco nesse método. Sabe, mesmo gritando com a minha mãe de duas em duas semanas, a minha garganta ainda está cheia de coisas não-ditas. E, olha, eu não consigo IGNORAR. Eu gostaria. Juro como eu gostaria. Mas dói demais pra ficar calada. É como não gritar enquanto alguém arranca suas tripas. Tem condições? É muita injustiça ter sido tratada do jeito que eu sou, como alguém inferior, sendo que eu NEM AO MENOS sei o que MERDA eu fiz para merecer essa porra de tratamento. Eu entendo muito que meu amor queira que eu ignore. E eu sei que, embora ele não fale, ele se revolta de me vez chegando chorosa no carro dele. Por que eu me revoltaria se fosse o contrário. Quando a gente ama de verdade, não quer que o outro se machuque.

E é por isso que eu digo BULLSHIT que a senhora me ama. Que porra de amor é esse? Talvez a senhora não me queira morta debaixo de um ônibus, mas amar? Vá contar essa história da carochinha pra outro, POR QUE A MIM A SENHORA NÃO ENGANA. Sim, eu sei que é sua tarefa impor limites. Mas, sabe que eu só não sou melhor hoje em dia POR SUA CULPA? Eu poderia ser mais calma. Ser menos rebelde. Mas eu sou nervosa, estressada e tenho problemas com autoridades. Isso não é culpa de quem me mimou, como a senhora vive dizendo. É SUA. Deal with it. Por que eu não sou muito mais mimada que minha irmã, sou?  Na verdade, minha irmã É UM ZILHÃO DE VEZES MAIS FRESCA QUE EU. Eu não sei de onde a senhora tirou que eu sou MIMADA. Eu estudo e trabalho, pago minhas contas e lido com meus problemas. Não tem mimo aqui, minha filha. As poucas pessoas que me mimavam a senhora afastou de mim e eu as deixei se afastar, de idiota que eu sou. Por que simplesmente dá trabalho demais explicar que eu não sou algo que a senhora já se esforçou tanto para fazer verdadeiro.

Eu não sou tão ruim assim. Como filha eu devo ser a merda, não discuto. Mas isso eu já deixei de lado, por que não tem como eu ser melhor tendo a senhora como mãe. Mas, apesar disso, eu sempre tiro notas boas, sou o mais responsável que meus 21 anos me permitem ser, não bebo, não fumo e só faço sexo com o cara que será meu marido e pai dos meus filhos. Não tem como eu ser uma decepção de filha. Ou pelo menos não tem como eu ser mais decepcionante que a minha irmã. Somos praticamente a mesma coisa. Só que a senhora trata ela diferente.

Pra vocês verem que não tô de balela. O meu ano de vestibular foi kind of a hell. E uma boa parte por causa da minha mãe que a) me humilhou por que eu não passei no vestibular de primeira mesmo eu tendo estudado num colégio de merda; b) jogou na minha cara que eu estava sugando o sangue do meu pai por que eu ia passar MAIS UM ANO só estudando quando eu deveria estar trabalhando; e c) fazia questão de deixar claro o tempo todo que se eu não passasse NÃO TINHA SEGUNDA CHANCE PRA MIM. Daí vocês tiram que, se eu passei na minha segunda tentativa, NÃO FOI POR CAUSA DO APOIO EMOCIONAL DELA. Daí minha irmã vem e me conta que esse ano ela vai ganhar mesada para não trabalhar. Mesada. Pra não trabalhar. No ano do SEGUNDO VESTIBULAR DELA. Olhei pra ela com cara de YOU’RE KIDDING, RIGHT? Mas não. Era tudo verdade, mesmo. E o pior é que eu nem estou chocada. Eu já esperava por isso, por que foi assim que ela agiu em várias situações comuns a mim e a minha irmã. Ela fode com a minha vida e quando é a vez da minha irmã de fazer o mesmo ELA SIMPLESMENTE AGE CERTO. O que eu sou, afinal de contas? A porra de um rascunho? A filha que deu errado? Vai se foder, você não é retardada. Você simplesmente não gosta de mim.

Eu vou fazer terapia, sim. Mas só quando eu sair da sua casa. Do contrário, é jogar dinheiro fora. E, ah, obrigada por foder com meu emocional. Sempre posso contar com você para isso.

O abraço.

Descobri. Descobri que quando a gente gosta de verdade de alguém a gente sofre a dor da pessoa. Eu preferia ter descoberto de outro jeito, mas eu descobri eu descobri naquele abraço. Aquele abraço dolorido, forte, que não quer soltar, por medo que o resto do mundo desmorone junto com o abraço. Aquele abraço soluçante, no qual chora quem está no abraço e quem está em volta também.

Aquele abraço me passou a sua dor. E eu não me neguei a aceitá-la. Abri meu coração e a deixei  entrar, como se ela fosse minha também. Por que, no fim, ela é. Por que não se pode conhecer alguém por tanto tempo e não sofrer com as mesmas dores.  Eu te abracei forte, querendo que você não estivesse sofrendo com aquele veneno, mas ao mesmo tempo sabendo que todos nós passaremos por isso, em algum momento da nossa vida, cedo ou tarde. Eu preferia tarde. Todos nós. Mas foi cedo e não há como lutar contra os desígnios de Deus.

No final das contas, tive que soltar. Tivemos que. Outras pessoas também queriam compartilhar a tua dor. Outros amigos. O abraço se foi, mas cada um ficou com um pedacinho dela no seu coração, para tornar a tua mais suportável.

O último gigapost do ano

Eu me debati. Sério, gente. Eu não pretendia mesmo fazer um post retrospectiva-2011 esse ano. Not at all. Por que 2011 me deixou um sentimento de trabalho mal-feito, sabe? De coisa inacabada, de planos que foram por água abaixo. Entretanto, cá estou eu. Por que certas tradições nunca morrem nem devem. Ter esperança num novo amanhã é uma delas. E, claro, a gente pode falar que essa esperança pode ser refeita a cada dia que nasce e essas coisas que as pessoas geralmente dizem para tirar a empolgação das outras MAS – e esse é um grande mas – não é bem assim que acontece, não é mesmo? Quando a gente briga com o namorado em um dia, no outro não decidimos, do nada, que nossa atitude não foi legal e que devemos mudar. Mudanças levam tempo por que, acima de tudo, precisamos de tempo para perceber que estamos errando e depois ONDE estamos errando. Por isso eu acho que o começo de um novo ano nos traz um gás maior. Mais esperança. Por que temos mais tempo para nos tornamos aquilo que queremos ser. E se não nos tornamos, já melhoramos na tentativa, certo?

Enfim, chega de enrolação e vamos à retrospectiva totalmente sincera da minha vida em 2011.

Relacionamentos

  • Meu relacionamento com a minha mãe continua na merda e o com meu pai tá indo junto, por que ele começa a achar que a minha mãe tem razão. Em contrapartida, o meu relacionamento com a minha irmã está cada vez mais profundo. Somos muito amigas e ela definitivamente está entre as pessoas que mais amo neste mundo.
  • Continuo meio ‘perdida’ na faculdade. Não sei bem dizer o porquê. Acho que sou meio fechada para amizades. E também sou um porre de chata. E não bebo. Acho que esses três fatores não contribuem em nada para a minha socialização. Anyway, ano que vem termino o curso – graças a Deus – e poderei me livrar desse sentimento incômodo de não pertencer a algum lugar.
  • Foi difícil manter contato com os amigos antigos. Em parte por preguiça minha, em parte por preguiça deles. A verdade é que eu  cansei, há um tempo atrás, de correr atrás das pessoas. Geralmente sempre sou eu, sabe? Conto nos dedos as vezes que alguém tem a ideia de me chamar pra algum lugar, só pra conversar e aproveitar minha companhia que – admito – não é essas coisas, mas também não é a coisa mais terrível do mundo. Assim sendo, como eu parei e ligar, cutucar e chamar, algumas amizades meio que foram para aquele limbo costumava-ser-amigo. Enfim, disso não me arrependo. É muito desgastante ter que ficar atrás das pessoas.
  • Conheci diversas pessoas lindas pela internet. Sim, sei que estou parecendo mais antissocial a cada palavra, mas o que posso fazer? Faço parte de um grupo lindo de amigas blogueiras que dão suporte umas às outras nos momentos mais tensos. E pude compartilhar com elas muito mais do que compartilhei com qualquer outro ‘amigo’ que não seja o meu namorado ou minha família. Just saying.
  • O meu namoro continuou firme e forte em 2011. Fizemos 5 anos agora em dezembro. Eu não posso pedir muito mais do que ele na minha vida. Sei que às vezes tudo o que eu faço é reclamar, mas isso é falha do ser humano, né? Weslley faz minha vida cada vez mais linda e eu sou muito grata a Deus por tê-lo colocado na minha vida.
  • Não sei se isso aqui deve ir no campo relacionamentos, mas a minha fé foi bem abalada esse ano. Não deixei de acreditar em Deus, claro. Mas, por um bom tempo, deixei de contar com ele. Eu não sei bem a razão. Talvez o fato da minha mãe começar a apontar ‘pecados’ em mim tenha contribuído violentamente para esse tipo de comportamento. Anyway, foi muito ruim, por que comecei a sentir um vazio muito grande dentro de mim. E voltei a procurá-lo. Ainda não estou 100% – minha mãe really don’t help – mas estou voltando. Deus é tudo, gente, e uma vida sem ele não é pra mim.
Trabalho/Carreira
  • Mudei de estágio. Saí de uma empresa de social media com a qual não me identificava mais – estava trabalhando pra caramba, mas sem entender bem o porquê daquilo –  e fui para a assessoria de uma escola de magistratura – escola para juízes, para quem viajou. Lá é ótimo, calmo, tenho uma chefe tranquila e as pessoas são gentis, no geral. Sofro pouca pressão e geralmente consigo fazer os meus trabalhos sem stress. Adoro trabalhar lá e estou aprendendo coisas de outra área pela qual me interesso bastante – design. Enfim, foi uma ótima troca. O único problema foi que fiquei sem férias ~~~ só ano que vem agora!
  • Desanimei com o jornalismo. Vocês já viram um post aqui sobre isso, então acho que isso dispensa maiores explicações. Estou trabalhando no próximo passo depois da faculdade – cursos aleatórios, uma graduação, uma pós

Dinheiro

  • Comecei o ano controlada e no meio dele me descontrolei de novo. Resultado é que acabo de dar de cara com uma fatura de nada mais, nada menos do que R$499. Sim, fiquei em pânico e agora estou indo cortar cada cartãozinho but o Hipercard. A ideia  é ficar com um cartão só para tudo. Mais simples, acredito. Enfim, foi muito frustrante ver todo o esforço que fiz para PARAR DE COMPRAR LOUCAMENTE ir por água abaixo. Mas é para isso que fresh starts servem, certo?
  • Não consegui juntar nada na poupança conjunta e nem na minha. E todos os bônus que eu ganhei esse ano foram gastos de forma totally impensada. Fuck.
  • Enchi um porquinho – quebrei e gastei todo o dinheiro.

Comportamento

  • Fiquei ainda mais ranzinza do que já era. Acho que é uma doença.
  • Desenvolvi ainda mais a preguiça enorme que tenho de me arrumar. ‘Largada’ está virando um estilo de vida.
  • Comi que nem uma glutona idiota e terminei o ano com 4 KG A MAIS do que eu tinha quando comecei 2011 – com a esperança de voltar aos 58kg. Alguém me explica que era pra PERDER 4, NÃO GANHAR 4!
  • Perdi muito tempo na internet e li muito pouco, apesar da quantidade cada vez maior de livros não-lidos na minha estante. Shame on me.

Melhores descobertas do ano

  • Na internet: Os blogs da Luana, Melina, Marianna, Vida Organizada, Zen Habits. O site Health Month.
  • Bebidas: Chá de hortelã, Chá de morango, Skinka Frutas Verdes, Skinka Frutas Vermelhas.
  • Comidas: O Royal Burguer – da Pin Up –  e o fondue – de La Maison.
  • Aplicativos: Scrabble e Words With Friends, no Facebook.
  • Livros: Organize-se, de Donna Smallin. Eu sou Alice, de Melanie Benjamin. It Girl 6, de Cecily Von Ziegesar.
  • Maquiagem:  O batom vermelho e o delineador da linha Extra Lasting, da Avon. O pó Dream Matte, da Maybelline.

Daí vocês percebem que 2011 foi um ano com mais baixos que altos – mas que pelo menos teve algum alto. So, essas são as minhas intenções para 2012.

things I want to keep this way
– eu e weslley
– meu interesse em culinária

things I want to keep with changes
– meu blog – preciso me decidir, de vez, sobre o caminho que ele vai trilhar [blog-diário ou literário]
– clube do livro [fazê-lo mais ativo]
– inglês [estudar mais a gramática e me dedicar mais ao curso]
– meu interesse por desenho [preciso praticar mais]
– meu interesse por craftwork [preciso praticar mais]
– meus amigos [focar nos verdadeiros e parar de correr feito uma idiota atrás de quem não quer minha amizade]
– meu apetite livresco [preciso dedicar mais tempo a ele]
– computador/internet [usá-la de forma útil e durante menos tempo]
– meu comportamento na faculdade [tudo bem eu estar cagando pro jornalismo, mas preciso ser uma boa aluna até o fim do curso]
– meu quarto

things I want to start
– minha monografia
– a arte da gentileza e da boa vontade
– poupar $$$$$
– bons hábitos alimentícios [beber água, comer frutas, fibras, peixe]
– uma atividade física qualquer que me mantenha funcionando [corrida/natação/yoga]
– sair um pouco da minha zona de conforto cultural e experimentar mais música/filmes/livros que eu não conheço
– journal [já tenho o caderno, falta a coragem]
– voltar a usar uma agenda

things I want to/ need to end up
– procrastinação
– preguiça
– fast-food
– falta de cuidado comigo mesma [preguiça de me cuidar, mesmo]
– mau-humor
– ansiedade e os gastos e quilos e doenças causados por ela
– bagunça e desorganização [no meu quarto, computador, vida]

É isso, gente. Você que se interessou em ler até aqui, obrigada pelo interesse na minha humilde e silly vidinha. Deixo aqui meus melhores votos para esse ano que está vindo. Que consigamos ser pessoas melhores para que esse ano seja melhor.

Retrospectiva literária 2011

Então, né. Já que todo mundo me passou tanto na cara esse meme, eu vou fazê-lo, mesmo sendo vergonhoso para mim, pois eu não li quase nada nesse ano que se passou.  Espero que em 2012 eu seja mais decente e termine de ler os livros que estão na minha prateleira!

Livros lidos em 2011

O guia do mochileiro das Galáxias [Douglas Adams],  Sussurro [Becca Fitzpatrick], O restaurante no fim do universo [Douglas Adams], A vida, o universo e tudo mais [Douglas Adams], Lolita [Vladimir Nabokov], Até mais, e obrigada pelos peixes [Douglas Adams], Eu Sou Alice [Melanie Benjamin], Organize-se [Donna Smallin], A Menina Que Roubava Livros [Markus Zusak], Memórias de Minhas Putas Tristes [Gabriel Garcia Márquez], O Diabo Veste Prada [Lauren Weisberger], O Ladrão de Raios [Rick Riordan], It Girl – Garota em Tentação [Cecily Von Ziegesar], The Undommestic Goddess [Sophie Kinsella], Emma [Jane Austen].

Legenda: Preferidos; Relidos; Abandonados

  •  Casal mais apaixonante

Nora Grey e Patch, de Sussurro. O livro lindo que eu ganhei da minha amorinha fofa no amigo secreto blogueiro do ano passado. Não tem pra ninguém nesse quesito. É um livro muito bem escrito e pelo menos se jogou numa proposta diferente da que todo mundo tava investindo: anjos.  A história, dessa vez, aborda um anjo CAÍDO. Um anjo bad-boy.  Gente, um anjo BAD-BOY! UM ANJO BAD BOY! Tem coisa mais possivelmente sexy do que isso? Claro que não e é por isso que Nora Grey, a personagem principal, não consegue resistir aos encantos de Patch, o anjo danadjenho que me fez suspirar o livro inteiro. Longe de ser um romance totalmente água com açúcar, Sussurro tem aventura e suspense suficiente para nos deixar ligados all the time, torcendo por esse casal fofinho!
PS: Alguém quer me dar Crescendo de presente? 😉

  • Virei a noite lendo
It Girl – Garota em Tentação. Joguem pedras o quanto quiserem em mim, mas eu esperei MAIS DE UM ANO para ler esse livro, FOR GOD’S SAKE! E devorei-o em 4 dias – o que para alguém que passou um ano lendo um número diminuto de livros é MUITA COISA.
Esse exemplar é o sexto da série It Girl, na qual quem estrela é Jenny Humpfrey – sim, a de Gossip Girl! Essa série mostra a vida dela no internato para o qual ela é enviada depois de aprontar umas poucas e boas em NY e ser expulsa da Constance. Na verdade, não tinha a MENOR chance d’eu não gostar desse livro, uma vez que ele se passa em um colégio interno. Eu tenho essa queda por colégios internos. E tenho uma queda enorme pela Jenny DO LIVRO – a da série acho uma palhaça -, que é peituda e sofre por isso. E além disso ela é uma ~~artista~~! Nem preciso explicar o porquê da minha simpatia, né?
O livro mostra altas armações, desencontros e momentos fofos que os livros de Cecily geralmente têm – quem leu Gossip Girl, sabe. E, claro, tem aquela AVALANCHE de brands que só gzuis, né? Mas, enfim, valeu super à pena esperar todo esse tempo pra ler e, olha, para quem não conhece a série eu ~~indico~~. MUITO.
  • Chorei de soluçar

Meu nome é Alice. Presente de aniversário da amora mais linda de todas as amoras, esse livro foi um dos melhores livros que eu já li na vida. Ele é baseado na história da verdadeira Alice, a que deu inspiração para que Alice no País das Maravilhas fosse escrito. Na verdade, é uma história meio triste, se você for observar tudo. Eu não quero dar spoiler para quem já leu, mas Alice é tão apaixonante que a gente fica torcendo para que ela termine com o ~~professor de matemática~~  e depois com o príncipe. Enfim, com qualquer um que ela ame. Não vou mais falar, por que tô com medo de spoilear vocês.  Anyway, esse livro tirou muitas lágrimas de mim, tanto de emoção quanto de tristeza.

  • Decepção do ano

Me dói no fundo do coração dizer isso, mas definitivamente foi a série de Douglas Adams. Não consigo sequer escolher um para ser o pior. Eu até estava gostando no começo, mas olha, NÃO DEU MESMO. Até tinha comentado com Luisa – que detesta a série – que estava curtindo e tal. E realmente estava, na época. Mas depois a série começa a ficar muito confusa e eis que eu tô empacada no último livro, a 20% de terminar a bendita da “Guia do Mochileiro das Galáxias”.  Para eu ficar empacada por tanto tempo quanto eu estou – creio que uns seis meses – a série tem que ser muito chata, então definitivamente ela vai ficar como decepção do ano.

  • Livro irrelevante do ano

Todos os de Douglas Adams. Sorry, gente.

  • Grifei

Memórias de Minhas Putas Tristes. Li para o Clube do Livro e olha, MUITO BOM. Ele é curtinho, a leitura é envolvente, a história é bonita da forma mais rica possível. Basta vocês saberem que me apaixonei AINDA MAIS pelo Garcia Marquéz e que quero terminar loucamente Amor nos Tempos do Cólera, que não pude finalizar por causa das loucuras desse ano.

  • O pior livro de 2011

Como eu já disse, sequer consigo escolher um. Então a série de Douglas Adams vai ficar aqui mesmo. Não é que o livro seja mal escrito ou coisa assim. MAAAAAS – e esse é um grande mas – a história não consegue apaixonar. Envolver sabe? E você termina lendo por obrigação, o que é UÓ.

  • Soco no estômago

O Diabo Veste Prada. Talvez eu ganhe umas pedradas por inserir um livro de Chick-Lit nessa seção, mas olha, gente, ele tem todo o merecimento. Eu já havia lido esse livro há algum tempo atrás e me apaixonei completamente. É um dos meus livros/filmes favoritos EVER.  Daí, no Clube do Livro, a galera votou nele e terminei relendo. Foi ótimo, por que refresquei a memória de vários pontos dos quais não em lembrava mais. O título de soco no estômago  se deve à demonstração do que uma pessoa pode fazer pela carreira – perder amigos, família, namorado, amor-próprio, saúde – sem nem perceber que está perdendo o resto de sua vida. Confesso que ficava com muita raiva de Andy por não dar um basta e ir embora, por que NUNCA NA VIDA – e quando eu digo nunca é nunca – eu me sujeitaria aquele tipo de situação só para crescer na carreira.  E esse livro em fez revisar algumas das minhas prioridades na vida.

  • O mais chato

Os de Douglas Adams, ponto.

  • Abandonei

Lolita. Nem foi por que eu quis, foi mais por que eu tinha que entregar na biblioteca mesmo. Anyway, não tive coragem de pegar de novo ainda. O livro é um pouco difícil de ler, com a enorme quantidade de palavras em francês as quais eu não conheço, e a história é meio tensa, com o babado da pedofilia e tudo mais. Esse livro tomaria o lugar do Diabo Veste Prada na categoria ‘soco no estômago’ se eu, ao menos, tivesse terminado de lê-lo. Quem sabe ano que vem?

  • Morri de rir

The Undommestic Goddess. Esse é o segundo livro em inglês que eu leio e claro que Sophie Kinsella me fez rir litros com Samantha, uma advogada workaholic que ~~comete um erro~~, é demitida e termina, NA MAIS LOUCA DAS POSSIBILIDADES, como uma secretária do lar. SÉRIO. O mais hilário é que Samantha não sabe sequer fritar um ovo e se vende como uma cozinheira Cordon Blèu da vida. Sério, não tem como não rir.

  • Aventura/fantasia/infanto-juvenil
Acho que O Ladrão de Raios se encaixa bem aqui. Comprei o livro na Avon por que fazia um século que uma amiga minha enchia meu saco falando dessa série. Daí resolvi testar. E não me arrependi. O livro é bem escrito e, gente, É TODO TRABALHADO NA MITOLOGIA GREGA! Mitologia grega, apenas um dos grandes amores da minha vidinha. Apenas a aula da escola pela qual eu ficava esperando o ano inteiro – quando tinha esse assunto no cronograma, né? Então já me ganhou daí. Agora, assim, jamais que pode ser comparado à Harry Potter. Nem de longe os personagens de Rick Riordan têm a profundidade psicológica dos de J.K. Rowling.
Anyway, tem MUITA AVENTURA, é bastante divertido e faz você ficar agoniado muitas e muitas vezes com a tensão das cenas. Já comprei O Mar de Monstros, tá na fila esperando pra ser lido. (:

 

  • Bate bola de personagens
Personagem masculino mais apaixonante: Patch. Ele é um anjo bad boy, gente, não preciso explicar mais nada.
Personagem feminina que eu queria ser: Acho que nenhuma das que eu li, fazer o quê? Talvez Samantha Sweet, por que no fim de tudo, ela descobre o que é importante para ela – e vai atrás disso.
Personagem mais chato: O robô depressivo de O Guia do Mochileiro das Galáxias, Marvin.
Personagem mais perturbador: Humbert Humbert, de Lolita.
Personagem que mais me identifiquei: Samantha, de The Undommestic Goddess –  por que ela é um desastre como housekepper, of course.
  • O melhor livro de 2011
Meu nome é Alice. Pode ficar orgulhosa agora, Analu! (:

Lost

Todo mundo tem crises na vida. É verdade, todos nós temos. As crises nos fazem mudar algo que não está certo e nos aperfeiçoarmos como pessoas. Mas isso só vale, eu acho, pra quem sabe o que fazer em seguida. E eu não sei.

Uma parte de mim se debate em negação ao que eu estou escrevendo aqui, mas a verdade é que eu não quero mais jornalismo. Não quero. É chato admitir – na verdade, chato é até eufemismo -, mas é a pura verdade. Cada pedacinho de mim está emputecido por eu ter feito a escolha errada. Mas eu tinha tanta certeza. Tanta certeza. Brigava com quem me dizia que eu não ia arranjar emprego nessa área, ou quem dizia que eu não ia ganhar dinheiro – o que é verdade, mas né? Eu estava disposta a deixar dinheiro de lado para fazer o que eu REALMENTE gostava. E agora, que eu descobri que não guardo nenhum afeto por essa profissão, o que resta?

O jornalismo tirou minha empolgação por escrever, coisa que eu fazia antes com a felicidade e a facilidade de quem respira. Agora eu tenho que ter algo bem organizado na minha mente, para poder dar certo o bendito texto. Esse texto mesmo, apesar de toda a quantidade de sentimentos que sinto ao escrevê-lo, está sendo quase um parto, de tão difícil. E não era pra ser assim. Escrever, modéstia à parte, é um dos poucos talentos que eu tenho. Para onde foi essa minha naturalidade? Eu praticamente nem pensava para escrever. A minha escrita era praticamente o meu jeito de pensar. Daí veio o jornalismo e matou isso em mim. Agora eu penso tanto que a ideia vai embora. As palavras fogem. Eu não sei se tenho assunto pr’um próximo parágrafo.

Que tipo de idiota não tem um plano B, me digam? Ah, essa sou eu, a imbecil que achava que jornalismo iria ser a minha vida. “Ah, eu adoro ler, adoro escrever, adoro falar –  É A MINHA PROFISSÃO!”.  Por que ninguém deu um tapa na minha cara e me acordou?  Se bem que eu sei que não ia adiantar. Quando eu encasqueto com alguma coisa, eu vou até o fim. Eu aceito conselhos, mas gosto de seguir minha própria opinião. Errada, mas minha.

Não vou dizer que o jornalismo não me trouxe nada de bom. Trouxe sim. Além d’eu ter aguçado bem mais o meu senso crítico, também descobri a fotografia, que apesar de ter ficado como hobby bem eventual mesmo – por que eu não tenho uma câmera dslr para tirar fotos decentes -, adicionou muito à minha vida. Mas eu não me vejo fazendo isso cheia de felicidade o resto da minha vida. Ou posso até fazer, mas preciso de algo que me mova para a frente, que me faça acordar feliz e dormir com a segurança e o alívio do trabalho bem feito.

Enquanto escrevo esse poste, me vem um pensamento de que o design pode ser esse porto. É. É possível. Mas não tenho certeza. Tenho muito medo de quebrar a minha cara que nem aconteceu com jornalismo. De qualquer forma, tenho que descobrir onde mora o meu bem querer, não é mesmo? E se tem essa chance, preciso aprofundar meus conhecimentos. Fazer do jeito certo, pesquisar sobre o campo, testar as possibilidades.

Por enquanto, ainda estou perdida nelas. Mas depois desse post, tenho um pouquinho de esperança que talvez, apenas talvez, eu consiga encontrar uma torinha de madeira que me impeça de afogar.